Artigos de luxo, camisas de futebol são caras e inspiram opções no mercado

Artigo essencial no guarda-roupa de qualquer apaixonado por futebol, as camisas oficiais de times estão cada vez mais caras.

O que aconteceu

Considerando os 20 times da Série A, as camisas oficiais (modelo torcedor) custam entre R$ 209 e R$ 370. O modelo de torcedor é idêntico à camisa utilizada nos jogos, porém possui menos tecnologia inserida em sua confecção e tem o escudo bordado.

A alternativa para baixar o preço final está nos modelos 'Fan Jersey', inspirados nas camisas de jogo e que costumam custar bem menos. Já os uniformes idênticos aos que vão a campo nos jogos — modelo jogador — chegam a custar R$ 599.

Por que é tão caro?

A resposta para tal questão não é nada simples. A primeira justificativa está na tributação. Os impostos, que variam em cada Estado, chegam a 35% do valor das peças em alguns casos.

Além disso, os custos de logística e produção e ações de combate à pirataria elevam o valor de cada camisa. A tecnologia investida em cada peça, para que mesmo as camisas de 'modelo torcedor' tenham qualidade similar às de jogo, também é considerada.

Outra justificativa para o preço alto é que as fornecedoras de material esportivo entendem as peças como artigos de coleção, atraindo grande quantidade de torcedores independente do valor aplicado.

A venda de produtos oficiais entra como uma receita bem importante. É preciso entender que não se está vendendo apenas a camisa. O clube aqui busca, juntamente com outras diversas fontes de receita, financiar uma atividade cada vez mais cara, de folhas exorbitantes. Porque toda a cadeia — imprensa, torcedores, conselheiros e sócios — exige um time de alto nível. E produtos contribuem para montar um elenco de ponta.

Marcel Pinheiro, diretor de comunicação e marketing do Fortaleza

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Imagem: Fabio Menotti/Palmeiras

Quanto o clube recebe?

Depende de cada contrato. O valor repassado a cada clube com a venda de camisas são os royalties. O mais comum é que a equipe receba entre 10% e 15% do valor total de cada camisa vendida. Há casos em que o valor fica entre 5% e 7%, e exceções em que é mais alto.

Não se tratam de royalties baixos, o modelo de licenciamento apresenta vantagens na terceirização de uma atividade específica com um especialista no assunto, mas por outro lado apresenta uma estrutura com limites financeiros para ficar de pé que precisam fazer sentido para todas as partes. Cada clube, com base no histórico, tamanho de torcida, potencial de vendas busca avaliar opções que lhe são oferecidas no mercado e comparar com gestão própria para tomar a decisão, de forma que não existe uma regra, mas sim análises caso a caso. Vale lembrar que o negócio de camisas não envolve apenas produção dos itens mas também design, logística, distribuição, venda, enfrentamento de pirataria, etc.

Ivan Martinho, professor de marketing esportivo da ESPM

As alternativas

O modelo 'Fan Jersey' é uma opção similar às camisas de jogo adotada por alguns fornecedores de materiais esportivos. Inter e Flamengo, por exemplo, têm modelos deste tipo custando R$ 179.

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"É quase 50% do valor de uma camisa de jogo", disse Nelson Pires, vice-presidente de marketing do Inter. "Vamos ampliar ainda mais a gama de produtos oficiais do Flamengo, disponibilizando um grande portfólio de produtos de qualidade para atender aos nossos milhões de torcedores", ressaltou Gustavo Oliveira, vice-presidente de comunicação e marketing do Flamengo.

Neste caso, são camisas que lembram as de jogo, porém não são exatamente iguais as que vão para o campo vestindo os atletas.

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Imagem: DANTE FERNANDEZ / AFP

Quem comanda o mercado

A fornecedora de material esportivo que estampa as camisas de mais times da Série A é a Adidas, com quatro times. Umbro e Volt Sports estão com três equipes cada.

Há ainda dois times que vestem New Balance, dois com a Kappa, um com Puma, Nike e Reebok. Além disso, três times optam por marcas próprias e produzem os próprios uniformes.

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Athletico Paranaense - Umbro
Atlético-GO - Dragão Premium (marca própria)
Atlético-MG - Adidas
Bahia - Esquadrão (marca própria)
Botafogo: Reebok
Corinthians - Nike
Criciúma - Volt
Cruzeiro - Adidas
Cuiabá - Kappa
Flamengo - Adidas
Fluminense - Umbro
Fortaleza - Volt
Grêmio - Umbro
Inter - Adidas
Juventude - 19Treze (marca própria)
Palmeiras - Puma
Red Bull Bragantino - New Balance
São Paulo - New Balance
Vasco - Kappa
Vitória - Volt

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Imagem: Divulgação

Quanto custam as camisas?

Os preços das camisas da Série A do Brasileiro variam bastante. As camisas oficiais (modelo torcedor) custam entre R$ 209 e R$ 370. Considerando apenas o modelo de torcedor, a média do valor das camisas é R$ 301.

Na Europa, são valores mais acessíveis, na grande maioria, comparada com os valores do Brasil. Alguns índices devem ser considerados nesta comparação, como tributação, quantidade vendida e até mesmo a estratégia da instituição na hora de desenhar qual rentabilidade deve ter em cada peça vendida ou se existe, por exemplo, o objetivo de que a marca seja multiplicada através do seu principal produto, a camisa de jogo.

Renê Salviano, CEO da Heatmap e especialista em marketing esportivo

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Vale a pena marca própria?

Há três clubes que optaram por remar contra o cenário de fornecedoras internacionais de uniformes: Juventude, Atlético-GO e Bahia.

Segundo Bruno Zaballa, diretor de marketing do clube da serra gaúcha, a opção por partir para a produção própria teve várias justificativas.

"O principal motivo era a dificuldade de fornecimento. Tínhamos muita dificuldade com entrega. Não entregavam, era muito difícil, às vezes não se tinha material, vinha pouco, era complicado. Hoje nosso material esportivo é totalmente importado, ele é produzido na China, por uma das fábricas que fazem os produtos da Nike", disse.

O Atlético-GO concorda que a marca própria é uma iniciativa importante e acredita que o clube só tem a ganhar com ela.

"Vale muito a pena. Participamos de toda produção, podemos comercializar os produtos a valores populares e ainda não perdemos nada em qualidade de material. Quem produz os materiais do Atlético-GO é a mesma fábrica que faz a camisa do Vasco da Kappa. Então não falta qualidade, e ainda acompanhamos tudo de perto. Além de conseguirmos uma margem de lucro muito positiva, superior a 100%. Há muito mais prós do que contras na marca própria", disse Bruno Daniel, gerente de marketing do Atlético-GO.

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Recentemente o Juventude foi procurado por algumas fornecedoras e viu seus aficionados se manifestarem pela manutenção da marca 19Treze.

Com certeza vale a pena. Primeiro pela liberdade de trabalhar. Se eu quero lançar uma camisa, pego e faço como a gente quer. Eu tenho muitas vezes um patrocínio novo, diferente, e se o fornecedor está ali, precisa esperar pelo uniforme. Para nós tudo funciona mais rápido. Essa liberdade criativa é muito importante. A gente tem um gestor da marca que é ligado ao clube, ele monta layouts, a decisão final é sempre do clube sobre qualquer coisa. Se temos uma empresa, tem uma diretriz internacional de padrão. As camisas ficam meio iguais.

O que dizem as fornecedoras

O UOL entrou em contato com as três principais fornecedoras de material esportivo dos clubes da Série A: Umbro, Adidas e Volt. Volt e Adidas preferiram não participar. A Umbro enviou sua manifestação em nota.

Nota da Umbro

Para a maioria dos clubes, a marca comercializa as camisas home (1), away (2) e third (3) nas opções torcedor e jogador nos gêneros masculino, feminino e juvenil. E dentro desse portfólio há uma diferenciação de preços de acordo com o modelo.

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Além desses modelos, a marca ainda disponibiliza para os fãs dos clubes diversos outros itens de vestuário, como coleção de viagem, treino e pré-jogo, calções, meiões e jaquetas, além de acessórios como bolas, mochilas, bonés, etc.

Pensando em aumentar ainda mais seu leque de produtos e facilitar o acesso de torcedores às coleções, a Umbro também está projetando a inclusão de uma camisa réplica de custo mais baixo para todos os clubes patrocinados pela marca no Brasil.

Para precificar as camisas oficiais dos clubes e todos os outros itens, há uma estratégia composta de uma série de variáveis, como material utilizado nas peças, tecnologia empregada na produção, além de fatores comerciais e de marketing.

A coleção de um grande clube de futebol normalmente engloba mais de 20 produtos diferentes só em termos de vestuário. Além de toda complexidade no desenvolvimento e produção das peças, outro fator importante está na distribuição.

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