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Apesar de vitória no clássico, desempenho improdutivo do Flamengo preocupa

Gabi, jogador do Flamengo, durante partida contra o Vasco no estadio Engenhao pelo campeonato Carioca 2022 - Jorge Rodrigues/AGIF
Gabi, jogador do Flamengo, durante partida contra o Vasco no estadio Engenhao pelo campeonato Carioca 2022 Imagem: Jorge Rodrigues/AGIF

Colaboração para o UOL, em São Paulo

07/03/2022 04h00

A emocionante vitória por 2 a 1 no Clássico dos Milhões, com direito a gol decisivo aos 44 minutos do segundo tempo, não encobriu o desempenho aquém das expectativas do Flamengo ante o Vasco na tarde de ontem (6), no Estádio Nílton Santos.

Sob a gestão de Paulo Sousa, o time foi a campo com sua nona escalação diferente em nove jogos, e, embora fosse visível a superioridade técnica, ela não foi o bastante para evitar a atuação improdutiva dos rubro-negros no clássico.

À parte dos dois gols — um por bola parada, no início do jogo, e outro graças ao talento e a pontaria de Arrascaeta, já no final —, Gabigol, Everton Ribeiro e companhia sofreram para furar o bloqueio de Zé Ricardo, que fechou bem sua equipe e, por pouco, não saiu do Engenhão com um empate.

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A posse de bola no campo de ataque flamenguista não resultou em boas oportunidades criadas, e o Fla rodou a bola no setor ofensivo por boa parte do confronto, quase sem levar perigo à meta de Thiago Rodrigues.

A falta de objetividade incomodou o técnico português, que após a partida reconheceu a má atuação do time, sobretudo na criação das jogadas. "Faltou profundidade para sermos mais criativos e criar mais situações de gol", observou o treinador, e prosseguiu:

"Poderíamos ser mais efetivos. Dentro da superioridade devemos aumentar o número de oportunidades, e temos que ser mais consistentes para atingir nosso melhor nível."

Individualmente, a maioria dos titulares não foi bem, especialmente Andreas Pereira, que pouco fez no setor ofensivo, falhou ao perder a bola no lance do gol vascaíno e deixou o campo vaiado, minutos depois. Perguntado sobre o meia, Paulo Sousa desviou o assunto, e disse que este é o momento do elenco estar unido.

Deslocados de suas habituais funções, Everton Ribeiro e Gabigol também foram mal. O primeiro, pela esquerda, parecia escondido, e não produziu no setor ofensivo. Já o camisa 9, mais afastado da área, tentou cruzamentos para Bruno Henrique, centralizado, e teve uma boa chance, mas foi travado pela zaga.

Na etapa final, Sousa lançou Vitinho, Pedro e Marinho, em diferentes momentos, nos lugares de Everton Ribeiro, Arão e Fabrício Bruno, respectivamente. As alterações não mudaram a agonia do ataque rubro-negro, que seguia com dificuldades para furar o bloqueio defensivo.

O belo gol marcado por Arrascaeta, já nos últimos minutos, serviu mais como exemplo da falta de criatividade e opções do ataque, ao depender dos chutes de fora da área, que de qualquer melhora pelas substituições.

O técnico admitiu que a vitória não veio por méritos táticos: "na segunda parte, foi mais no coração do que controle do espaço, triangulações e interação dos setores."

Até o início do Brasileirão e da fase de grupos da Libertadores, Sousa terá mais um mês para que as engrenagens se encaixem em sua equipe. Até lá, disputará a reta final do Campeonato Carioca, ao qual o português confere "um peso enorme, comigo [a importância] foi sempre bem presente".

Em um time que ainda não se encontrou, Arrascaeta se salva

Arrascaeta comemora gol do Flamengo contra o Vasco - Jorge Rodrigues/AGIF - Jorge Rodrigues/AGIF
Arrascaeta comemora gol do Flamengo contra o Vasco
Imagem: Jorge Rodrigues/AGIF

Se de toda a da equipe dois ou três atletas não foram mal, quem deixou o campo como o craque do jogo foi Giorgian De Arrascaeta, em meio a um deserto de ideias do Flamengo no Nílton Santos.

Embora a atuação de ontem esteja longe de ser sua melhor com a camisa rubro-negra, o uruguaio era procurado pelos companheiros a todo momento, e foi responsável pela organização dos ataques da equipe, gerando perigo com um cruzamento para Fabrício Bruno e uma boa chance gerada para Gabigol.

Mais recuado no fim da partida, quando o confronto parecia se encaminhar para o empate, recebeu pela meia esquerda e acertou um chute certeiro para decidir o clássico. Um golaço do camisa 14, que na temporada já balançou as redes quatro vezes e deu dois passes para gol em sete jogos.

Segundo a Footstats, Arrascaeta é o meia com mais gols (92) e assistências (86) no país desde que chegou ao futebol brasileiro, somando 178 participações diretas em gol em 330 partidas.

Além dele, destaque positivo para Filipe Luis. Atuando na linha de três defensores de Paulo Sousa, teve um desempenho seguro atrás e foi bem pelo alto para marcar o primeiro gol do Fla.

? Footstats I2A (@Footstats) March 6, 2022