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Mauro Cezar: No futebol brasileiro os dirigentes disputam quem reclama mais

Do UOL, em São Paulo

19/10/2021 13h06

Classificação e Jogos

A 27ª rodada do Campeonato Brasileiro terminou com poucas mudanças em relação à briga pelo título entre Atlético-MG e Flamengo, com a diferença de pontos caindo de 11 para 10 devido à derrota de virada do Galo para o Atlético-GO e o empate do Rubro-negro com o Cuiabá, mas os canhões dos dois clubes foram mirados para a arbitragem, com reclamações dos dois lados, pronunciamento do diretor executivo de futebol atleticano Rodrigo Caetano e até visita à CBF do vice-presidente de futebol flamenguista Marcos Braz.

No UOL News Esporte, Mauro Cezar Pereira lamenta que seja um padrão de comportamento dos dirigentes do futebol brasileiro a reclamação de arbitragem, enquanto não se questiona o próprio nível de jogo apresentado pelos dois times, que não foram bem na rodada, e o que seus treinadores poderiam fazer para melhorar a questão.

"Infelizmente, a gente vive no futebol brasileiro uma situação assim em que os dirigentes ficam disputando quem reclama mais. Se eles reclamassem mais internamente dos seus técnicos, das suas comissões técnicas, do futebol fraco que essas equipes apresentam, em determinados cenários ainda mais, talvez não dependessem tanto assim desse tipo de recurso", diz Mauro.

"Será que algum dirigente do Flamengo chamou o Renato para conversar e para perguntar o porquê de um futebol tão pobre contra o Cuiabá, que todo mundo sabia que iria jogar daquela maneira? Eu acho que o gol do Michael foi de fato mal anulado, isso me parece muito claro, eu não concordo com essa regra, acho que o jogador que está impedido se aproveita da condição de impedimento e o gol não deveria valer, só que essa é minha opinião, eu não faço as regras do jogo e a regra diz o contrário do que a arbitragem decidiu", completa.

O jornalista ressalta que, ainda que a arbitragem brasileira cometa muitos erros, como no caso dos dois jogos citados, o Flamengo deixou a desejar em campo, com o rubro-negro levando pouco perigo à meta do goleiro do Cuiabá.

"O Flamengo teve muitas oportunidades, muito tempo e o goleiro Walter nem trabalhou. A questão que eu coloco é essa, será que internamente os dirigentes conversaram com a comissão técnica e cobraram algo mais ou está tudo bem? Aquele futebol paupérrimo e as reclamações do Renato reclamando de arbitragem, reclamando do adversário que jogou fechado, quer que jogue como, aberto contra o Flamengo?", questiona.

Já a manifestação de Rodrigo Caetano, Mauro Cezar diz que chega a ser um comportamento constrangedor e que se repete nos clubes em que o dirigente trabalha, já tendo um histórico semelhante nas passagens por Vasco, Fluminense, Flamengo e Internacional.

"Você encontra um padrão de comportamento, o Rodrigo Caetano fez um pronunciamento depois da derrota do Atlético-MG para o Atlético-GO constrangedor. No caso específico desse dirigente, eu publiquei até no meu blog uma retrospectiva de problemas que ele teve com árbitros, inclusive indo para tribunal, pegando suspensão, em outras ocasiões sendo absolvido. No Vasco, em 2010, no Fluminense, em 2012, no Flamengo, no Internacional, na temporada passada, e agora no Atlético-MG", diz Mauro.

"Será que os árbitros não gostam do Rodrigo Caetano? Todo clube que ele trabalha, ele tem problemas e reclama veementemente da arbitragem, ou será que eles eram contra todos os clubes, o que me parece mais lógico, e hora você tem razão, hora você não tem. Isso vale também para o Flamengo, mas se o Atlético-MG reclama, o Flamengo também tem que reclamar, se o Flamengo reclama, o Atlético-MG tem que reclamar e fica nessa pobreza", conclui.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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