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Mauro Cezar: Se não discutimos a volta do público, eles fazem na marra

Do UOL, em São Paulo

29/07/2021 13h21

Apesar do caos político que tem passados nos últimos meses, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) avança na discussão das diretrizes para o projeto-piloto que prevê a presença de público nos estádios já nas partidas pelas quartas de final da Copa do Brasil. Os duelos de ida estão previstos para 25 de agosto. A ideia é trabalhar com o teto de 30% de ocupação das arquibancadas, reservando um setor exclusivo para quem tiver sido vacinado (imunização completa).

No UOL News Esporte desta quinta-feira (29), o comentarista Mauro Cezar Pereira alertou que é preciso debater com urgência quais serão os critérios exigidos para a volta das torcidas para acompanhar as partidas in loco e, assim, evitar imposições da Conmebol e de políticos.

"Já passou da hora de discutir a volta do público, porque no momento em que a imprensa não debate o assunto, os dirigentes e os políticos vão definindo o que vai acontecer sem o debate mais amplo. Do nada surge, em 30 de janeiro, com 0,9% da população brasileira vacinada em primeira dose, com 13 dias de vacinação, uma final no Maracanã [da Copa Libertadores 2020], com dois times brasileiros e cerca de 6 a 7 mil pessoas no estádio, aglomeradas praticamente no mesmo setor, num estádio para 78 mil. Isso aconteceu naquele Palmeiras 1x0 Santos, porque a Conmebol decidiu e a gestão carioca, do senhor [prefeito do Rio] Eduardo Paes (PSD), pelo jeito vez vistas grossas por ter permitido que aquilo acontecesse. Ou à véspera da final Brasil e Argentina, quando a Conmebol de novo decidiu: vai ter público. Os governantes de novo, pelo jeito, fingiram que não viram", recordou.

"É preciso discutir para definir como isso vai ser, quais serão os critérios, de que maneira, se tem que levar exame PCR, tem que estar vacinado, em qual setor, quanto tempo o cara tem que fazer esse exame, como vai ser feita a triagem, os funcionários serão testados... Em Brasília [para o jogo com o Defensa y Justicia, pela Libertadores], o Flamengo chegou a testar até a Polícia Militar que trabalhou no estádio (...) Se a gente não discutir o assunto, na hora que forem fazer, os dirigentes e os políticos vão lá e colocam o público", acrescentou.

Mauro Cezar lembrou ainda que governos municipais e estaduais já flexibilizaram a liberação do comércio e de outros setores da economia. Com isso, também é preciso analisar a situação do futebol brasileiro.

"É ingenuidade achar que parte da imprensa e da sociedade pesando não, não, não ao futebol vá adiantar. Eles passam por cima. É preciso discutir como ocorreu em outros setores. Restaurantes reabriram, cinemas reabriram, shows começam a acontecer... Então, como vai ser com o futebol? Não se trata de ser negacionista nem tão pouco virar as costas para o problema, mas sim discutir como fazê-lo, para fazer da maneira mais adequada possível. Enquanto não se discuti, eles vão fazer na marra", analisou.

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