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Reunião virtual da liga tem 'ameaça' de tapa e Petraglia citando Eurico

Mário Celso Petraglia em entrevista coletiva no Atlético-PR - Geraldo Bubniak/AGB/Folhapress
Mário Celso Petraglia em entrevista coletiva no Atlético-PR Imagem: Geraldo Bubniak/AGB/Folhapress

Igor Siqueira

Do UOL, no Rio de Janeiro

23/07/2021 16h14

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O clima esquentou na reunião virtual dos clubes das Séries A e B que discutem a formação de uma liga. A temperatura subiu durante o encontro de ontem (22) por conta de uma discordância entre o presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, e o presidente do Conselho Administrativo e CEO do Athletico-PR, Mario Celso Petraglia.

Segundo o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, Bellintanti disse que a reunião deveria ter sido presencial. Petraglia, então, disparou: "Se fosse presencial, tá tinha acabado porque eu teria metido a mão na sua cara". Posteriormente, o dirigente do clube paranaense ainda disse que não aguentava mais "Euricos" do futebol, em uma referência ao ex-presidente do Vasco, Eurico Miranda.

"Os autores divergem. Há divergências naturais do processo. Tudo isso é verdade. Aconteceu. É o meu jeito. Eu não sou politicamente correto", disse Petraglia, ao UOL Esporte.

A queda de braço entre os dois se deu por discordâncias no processo de tomada de decisão envolvendo a liga. E olha que os clubes ainda não estão discutindo nem a divisão das cotas de TV. O contexto atual envolve a organização da governança, dos cargos e da estrutura do estatuto que os clubes planejam assinar em agosto.

Petraglia chegou a criticar o fato de empresas terem sido ouvidas na primeira reunião da liga. De fato, os clubes entenderam posteriormente que não era o melhor momento. E Bellintani citou que duas delas foram indicadas por Petraglia. O sangue subiu. Outra reclamação envolve a atuação dos grupos de trabalho. Para Petraglia, eles não devem ter poder de decisão sobre os rumos da liga. Essa prerrogativa deve ser dos presidentes.

Rodolfo Landim e Guilherme Bellintani, presidentes de Flamengo e Bahia, falam sobre criação da Liga de clubes - Igor Siqueira/UOL Esporte - Igor Siqueira/UOL Esporte
Rodolfo Landim e Guilherme Bellintani, presidentes de Flamengo e Bahia
Imagem: Igor Siqueira/UOL Esporte

No meio da tensão, Bellintani retrucou, dizendo que o dirigente do Athletico não poderia fazer o que bem entendesse. Mas, ao UOL, tratou de contemporizar a situação.

"Quando 40 clubes se reúnem, as pessoas mostram suas diferenças de pensamento. Mas o trabalho tem que continuar, independentemente das diferenças. É encontrar a convergência. É normal que no ambiente de 40 presidentes cada um tem seu jeito de pensar. É importante que a coletividade esteja preponderante e não cada um, individualmente", disse o presidente do Bahia.

Petraglia optou por se alongar na explicação do episódio e atribui o posicionamento mais incisivo a uma inquietação diante do risco de a liga não ir adiante, sobretudo em um momento de fragilidade da CBF e de crise ampliada pela pandemia.

"Entendo que os caminhos devem ser de uma forma e outros entendem de forma diferente. Houve um conflito de entendimentos. Tenho certeza que a intenção dele [Bellintani] é contribuir, fazer o melhor para o futebol. O que eu estou voltado é para o bem do futebol de forma coletiva. Porque não tenho mais o que fazer individualmente. O futebol brasileiro precisa ser um continente e não um arquipélago. Eu já fracassei como dirigente de clube por N vezes em criação de liga nacional, regional, estadual... As vaidades, o poder, a divisão, as segundas intenções conflitam. Estou preocupado e tenho deixado clara a minha visão. Se não conseguirmos fazer a liga neste momento, virá o atestado de fracassado", explicou o dirigente do Athletico.

Mario Celso Petraglia ainda disse que não fez uma comparação direta entre Eurico Miranda e Guilherme Bellintani.

"Não foi nesse momento, não houve vínculo a ele [Bellintani] da minha parte. Mas falei porque senti que a liga poderá não acontecer e continuaremos sem explorar a grande atividade empresarial, que é o entretenimento através do futebol. Eu tive um desencontro muito grande com Eurico Miranda, porque ele via o futebol de forma muito diferente. Ele via um futebol lúdico, mágico, mas não como indústria, um negócio. Ele dizia que futebol era para o povão. Eu sei que é, mas tem que ser pago por quem tem dinheiro. Meu conflito com Eurico só foi esse. Era meu amigo. Mas nós estamos todos quebrados porque não se transformou o futebol brasileiro em um grande negócio", completou o dirigente.

Até por esse clima todo a reunião de ontem não foi tão produtiva. Os clubes esperam se encontrar de novo na semana que vem, em data ainda indefinida. O que está certo é a reunião do dia 9 de agosto.

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