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Mozart, técnico do Cruzeiro, viveu 'sonho olímpico' com Alex e Ronaldinho

Mozart defendeu a seleção brasileira na Olimpíada de 2000, na Austrália - Reprodução
Mozart defendeu a seleção brasileira na Olimpíada de 2000, na Austrália Imagem: Reprodução

Henrique André

Do UOL, em Belo Horizonte

17/06/2021 19h26

Escolhido pela diretoria do Cruzeiro para ser o comandante e conduzir a equipe celeste ao retorno à Série A do Campeonato Brasileiro, função antes exercida por Felipe Conceição, o técnico Mozart tem no DNA o espírito de liderança. Isso, inclusive, muito antes de pendurar as chuteiras e ter a prancheta e o quadro tático como instrumentos de trabalho. Hoje (17), dia em que André Jardine convocou os 18 atletas que vão aos Jogos Olímpicos, ele viu um filme passar pela cabeça.

Em 2000, quando defendia o Flamengo, o então volante dos cabelos cacheados e se consolidando no mundo da bola foi acionado por Vanderlei Luxemburgo para ser uma das peças do meio de campo da seleção olímpica nos Jogos de Sydney, na Austrália. Luxa, inclusive, era uma das opções para ser o substituto de Conceição na Raposa. Porém, o antigo pupilo fora o escolhido por Pastana e Sérgio Santos Rodrigues.

"Foi um motivo de muita alegria e de um orgulho muito grande por saber que o sacrifício foi recompensado. Numa competição que são escolhidos 23 atletas (atualmente são 18) você fazer parte do grupo é motivo de alegria e orgulho. Disputei o pré-olímpico e praticamente foi a mesma equipe para a Olimpíada. Infelizmente não conseguimos conquistar a medalha, mas foi uma experiência incrível. Tivemos a oportunidade de ficar 13 dias na Vila Olímpica, então vi inúmeros atletas mundialmente conhecidos de outros esportes", conta Mozart ao UOL Esporte.

"Foi o ápice da minha carreira naquele momento. Sou de Curitiba, de uma família muito humilde, então ter a oportunidade de representar o país e ir até a Austrália, pela segunda vez, num grupo de poucos jogadores, me representou a consagração de um sacrifício e foi bastante especial" acrescentou.

Escolhido para ser o capitão daquela geração em alguns jogos, Mozart teve ao lado a companhia do amigo e conterrâneo Alex, que, três anos depois, seria o maestro do meio de campo cruzeirense na inesquecível Tríplice Coroa; curiosamente, também sob comando de Luxemburgo. Além do "Talento", o agora técnico da Raposa também destaca o convívio com Ronaldinho Gaúcho e o zagueiro Lúcio. A dupla, em 2002, fez parte da Seleção pentacampeã do mundo.

"Tínhamos um grupo muito forte. Eu e o Alex somos muito amigos, desde Curitiba, e jogar junto dele foi muito especial, assim como Ronaldinho e Lúcio, que se tornaram pentacampeões. Saímos contra Camarões e não conquistamos o ouro, mas foi muito marcante para mim", comenta o agora comandante de Sóbis e companhia.

Naquela ocasião, o Brasil, considerado o grande favorito ao caneco, acabou eliminado pelos camaroneses em 23 de setembro de 2000, nas quartas de final do torneio, num jogo que ficou marcado negativamente na história do futebol brasileiro.

Valorização dos atletas

Perguntado pela reportagem se os Jogos Olímpicos servem para valorizar os atletas, o que para muitos não é verdade, Mozart usa a própria experiência para opiniar.

"Na minha opinião, valoriza sim. No meu caso, saí do Flamengo e fui para o Reggina, da Itália, onde fiquei cinco anos. O Athirson, que também era do Flamengo, foi para a Juventus. Então, com certeza a Olimpíada contribuiu para isso, porque o mundo se mobiliza para ver a competição. Hoje não é a mesma coisa do que era, porque vários jogadores já atuaram pela seleção principal e em clubes da Europa. Mas agrega sim para a carreira e não só economicamente falando, mas também pela experiência que o atleta vai ter naqueles 30 dias. Eles vão representar o país na maior competição do planeta, então é algo único", finaliza o técnico de 41 anos.

Próximo desafio

Com dois jogos no comando do Cruzeiro, Mozart acumula um empate, contra o Goiás, e vitória, fora de casa, sobre a Ponte Preta. No próximo sábado (19), a Raposa volta a campo e encara o Operário, no Paraná.

Com quatro pontos conquistados, o time mineiro deixou a zona de rebaixamento e agora ocupa a 14ª posição da Divisão de Acesso. O adversário da próxima rodada, com três pontos a mais, está na sexta posição.

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Técnico Mozart faz a estreia no comando do Cruzeiro em duelo com o Goiás, pela Série B do Brasileiro
Imagem: Gustavo Aleixo / Cruzeiro

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