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Para Nicolelis, Copa América é "bala de prata" contra governo Bolsonaro

Thiago Braga

Colaboração para o UOL, em São Paulo

31/05/2021 19h25

Classificação e Jogos

A Conmebol anunciou nesta segunda-feira (31), que a Copa América 2021 será disputada no Brasil. A entidade agradeceu publicamente o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por receber a competição depois que Colômbia e Argentina desistiram de sediar o torneio. Para o médico e neurocientista Miguel Nicolelis a decisão de Bolsonaro é a "bala de prata" para a CPI indiciar o governo federal por omissão e crime de responsabilidade pela atuação durante a pandemia de covid-19 no Brasil.

"Não falta mais nenhuma prova. O governo demorou meses para responder [as propostas feitas] sobre vacina, e demorou horas para aceitar a Copa América", disparou Nicolelis ao UOL Esporte.

Em depoimento à CPI da Covid, no Senado, o gerente-geral da Pfizer para a América Latina, Carlos Murillo, afirmou que apresentou sete propostas para o governo federal comprar vacinas da empresa, mas que o governo brasileiro não respondeu no ano passado a ofertas de contratos apresentados pela empresa que previam 1,5 milhão de doses da vacina ainda em 2020. O Brasil acabou fechando contrato com a Pfizer só em 19 de março deste ano.

Também à CPI, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que fez três propostas em 2020 para o fornecimento da CoronaVac ao Ministério da Saúde: em julho, agosto e outubro e que não obteve respostas. O acordo, se assinado, possibilitaria a entrega de 60 milhões de doses ao Ministério da Saúde.

"É o teatro da manipulação e da enganação. O futebol é irrelevante neste momento. É um risco a mais. Não só os jogos, tem os deslocamentos, os hotéis, as festas clandestinas. Tem de ter policiamento para impedir os torcedores de fazer uma aglomeração. Os jogadores de futebol também têm de se posicionar. Isso deveria ir para o Supremo (Tribunal Federal). Deveriam interditar a CBF. Qualquer instituição privada que atente contra a segurança sanitária de um país deve sofrer intervenção", argumenta o professor catedrático da Universidade de Duke, nos Estados Unidos.

O comunicado de que a competição, que começará no próximo dia 13, aconteceu horas depois de a Conmebol anunciar que a Copa América estava suspensa após o governo da Argentina abrir mão de sediar a disputa por conta do avanço das infecções de covid-19 no país.

A Copa América, inicialmente, seria dividida entre Colômbia e Argentina; no último dia 20 de maio, a Colômbia pediu adiamento da competição - o país passa por um período de instabilidade, com enormes protestos populares - mas a Conmebol decidiu excluir o país.

"A pandemia está fora de controle e na rampa da terceira onda no país, o sistema de saúde está colapsado, temos a variante indiana em vários pontos do Brasil, taxas de ocupação aumentando. Não faz o menor sentido. Na realidade, é pedir para ter um evento que possa gerar casos e que os jogadores possam levar variantes de volta para a Europa", finalizou Nicolelis.

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