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Polêmica no Vasco, eleição online já é feita em outros clubes; Veja quais

Julio Brant e Alexandre Campello votam presencialmente em 2017: primeiro apoia 100% online, e segundo quer híbrida - Thiago Ribeiro/AGIF
Julio Brant e Alexandre Campello votam presencialmente em 2017: primeiro apoia 100% online, e segundo quer híbrida Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF

Bruno Braz, Marcelo De Vico e Marinho Saldanha

Do UOL, no Rio de Janeiro, Santos e Porto Alegre

30/10/2020 04h00

Eleição no Vasco sem polêmica já está se tornando praticamente uma utopia. A discussão desta vez, no pleito que se avizinha, se dá em torno do edital de convocação do presidente da Assembleia Geral, Faues Cherene Jassus, o Mussa, decretando que a votação deste ano se dará 100% online, algo que foi ignorado pelo presidente do clube, Alexandre Campello, que publicou um outro chamado determinando o pleito de maneira integralmente presencial.

O tema divide opiniões nos grupos políticos entre os que apoiam integralmente, os que desejam um voto híbrido e os que rechaçam completamente a ideia, alegando os mais variados argumentos, desde o pouco tempo hábil para garantir a segurança virtual do evento até acusações de supostas manipulações por parte de algumas chapas.

Assunto que ainda rende batalhas judiciais, a eleição online promete aquecer o noticiário político do Vasco até 7 de novembro, quando os sócios escolherão o novo presidente, mas em outros clubes tradicionais, esta prática já é implementada há anos, casos dos gaúchos Grêmio e Internacional.

Internacional

O Internacional utiliza votos online em suas eleições — para presidente e renovação de Conselho Deliberativo — desde 2012. Os processos avançaram bastante ao longo do tempo.

Atualmente, o associado pode votar através de cadastro no site do clube e também, a partir de 2018, por um aplicativo baixado gratuitamente. Foram 14.774 downloads do aplicativo e 1.442 cadastros prévios para voto via site. O número total de aptos a votar há dois anos era 64.372, dos mais de 100 mil sócios do clube.

Neste ano, a eleição presidencial será, pela primeira vez na história, 100% online. O primeiro turno, marcado para 26 de novembro, é restrito aos conselheiros. Para evitar aglomerações em razão da pandemia de novo coronavírus, todos votarão de forma remota. O mesmo ocorrerá com os associados no segundo turno, previsto para dezembro.

As reuniões do Conselho Deliberativo do Inter já são transmitidas pela internet aos associados, que acessam com seus números de cadastro. Desde o início da pandemia, todas as reuniões têm ocorrida através de videoconferência.

Grêmio

A eleição no Grêmio é híbrida desde 2014. Ou seja, o associado pode escolher entre votar presencialmente no clube ou de maneira virtual. Porém, a facilidade em exercer sua escolha de forma online tem feito com que a imensa maioria dos sócios optem pela alternativa via Internet.

Ano passado, por exemplo, dos 17.402 votos válidos computados, 16.209 foram pela web. Ou seja, somente 1.193 participaram presencialmente.

Este ano o Grêmio não terá eleição presidencial.

Quem irá implementar voto online ainda este ano

Dois clubes implementarão ainda este ano o voto online na eleição presidencial pela primeira vez na história: Bahia e Santos.

O Tricolor baiano já adotava o sistema virtual em assembleias, e terá o formato no pleito que acontecerá em dezembro.

No Santos, a votação online teve uma aprovação de 72% do Conselho Deliberativo e será utilizada na eleição de 12 de dezembro. Se as autoridades sanitárias liberarem o voto presencial, o pleito será híbrido.

Quem cogita implementar

O presidente do Fluminense, Mário Bittencourt, já declarou que pretende implementar o voto online na próxima eleição do clube, em 2022. O Sport está em estudo para adotar o sistema ainda no pleito deste ano, e o Cruzeiro já prevê a votação virtual em seu estatuto, mas ainda não fez uma sinalização neste sentido.

O que pensam os candidatos do Vasco sobre o assunto?

Alexandre Campello (chapa "No Rumo Certo") - Se dizia a favor de uma eleição híbrida, mas publicou o edital determinando que ela seja integralmente presencial.

Jorge Salgado (chapa "Mais Vasco) - é a favor de uma eleição híbrida, e inclusive ontem se manifestou em uma ação de Mussa na Justiça solicitando que seja adotado este formato.

Julio Brant (chapa "Sempre Vasco") - é a favor da eleição 100% online

Leven Siano (chapa "Somamos") - é contra a eleição online

Sérgio Frias (chapa "Aqui é Vasco") - é contra a eleição online

Conselho Deliberativo votou contra

Nesta semana, o Conselho Deliberativo do Vasco se reuniu de maneira online e votou, em sua maioria, pela recomendação da reprovação da eleição online. O assunto não estava na pauta do encontro. Agora, o tema será encaminhado para a mesa diretora da Assembleia Geral, porém, juristas interpretam que tal decisão é facilmente vetada na Justiça.

Em que foi baseada a decisão pelo voto online?

Presidente da Assembleia Geral do Vasco, Faues Cherene Jassus, o Mussa, decidiu convocar a eleição de maneira 100% online argumentando a pandemia do coronavírus e o alto número de associados que se enquadram no chamado "grupo de risco". A opção também facilita a participação do sócio que mora fora do Rio de Janeiro.

A empresa contratada é a "Eleja Online", que já havia gerido a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) do clube que aprovou a eleição direta.

Em que Campello se baseou pelo voto presencial?

O mandatário elencou uma série de argumentos para justificar sua escolha, como a decisão do Conselho Deliberativo em vetar o voto virtual, a autorização da Vigilância Sanitária para realizar a votação em São Januário e as posturas tomadas por Mussa sobre o assunto.

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