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Único brasileiro na Argentina: ex-Inter e Coritiba e 'sofre' com samba

Divulgação/Talleres-ARG
Imagem: Divulgação/Talleres-ARG

Jeremias Wernek

Do UOL, em Porto Alegre

20/04/2020 04h00

Depois de Silas, Baiano e Iarley chegou a vez de Guilherme Parede. O atacante, ex-Coritiba e Internacional, é o único brasileiro que atualmente está vinculado a clubes argentinos. No Talleres, o jogador curte o bom início de trajetória no país vizinho e sonha em fazer história. Gols ajudarão o brasileiro a driblar os pedidos no dia a dia do clube.

"O pessoal coloca samba, pagode no vestiário e fala pra eu andar. Eu não sou de dançar! Avisei a eles 'no me gusta, no me gusta! Tranquilo...'", conta em meio às risadas.

Aos 24 anos, Guilherme Parede joga contra o estereótipo de brasileiros na Argentina.

"Quando eu cheguei, depois do primeiro jogo, falei que vim para fazer história. Para botar meu nome na história do Talleres. Sou o único brasileiro jogando aqui e estou indo bem, estou construindo meu nome aqui", comenta o atacante.

Parede tem quatro gols em sete partidas pelo clube de Córdoba no campeonato argentino. E nestes jogos já conseguiu perceber diferenças bem evidentes em relação ao Brasil.

"Dentro de campo, da cancha, a diferença é a intensidade. Aqui a intensidade é fora do normal. O jogo aqui não para por qualquer coisa, é muita pegada e sempre intenso. Eu me assustei um pouco com a intensidade quando cheguei, mas eu tenho essas características e me adaptei bem rápido", garante.

A marcação do zagueiro que joga no futebol argentino também é distinta.

"Eles querem ter a bola sempre, não aceitam perder por nada. Muitas vezes no um contra um recebo carrinho ou puxão e o árbitro deixa seguir", diz Parede. "Quando você está de costas eles dão um chutinho no calcanhar, puxão no short ou um tapa. São provocadores, mas faz parte. É um pouco de malandragem, esperteza", acrescenta.

O convívio com argentinos nos tempos de Inter ajudou Guilherme Parede. Ao chegar no interior do país vizinho, o atacante conseguiu entender rápido os novos colegas.

"Nos primeiros dias entender eu posso dizer que entendia tudo. Eu só pedi pro pessoal aqui falar devagar e eles gostaram, brincaram. A dificuldade maior é escrever, falar eu tenho falado cada vez mais", relata o atacante do Talleres.

A estreia pelo novo clube foi contra o Boca Juniors e a sensação depois do jogo marcou.

"O estádio aqui estava lotado e quando o professor me chamou foi uma sensação que eu nunca tinha sentido. Eu me arrepiei todo, dos pés a cabeça, e fiz um jogo muito bom. Minha confiança aumentou. Quando terminou, caiu a ficha mesmo de onde eu estava".

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