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"Revolucionou a parte tática". O que diz quem já trabalhou com Jesualdo

Mohammed Dabbous/Anadolu Agency/Getty Images
Imagem: Mohammed Dabbous/Anadolu Agency/Getty Images

Marcello De Vico

Do UOL, em Santos (SP)

26/12/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Português Jesualdo Ferreira será o substituto de Jorge Sampaoli no Santos
  • UOL Esporte conversou com três jogadores que já trabalharam com Jesualdo:
  • Marcelo Boeck, goleiro, Maicon, zagueiro, e Leandro Lima, meia

Anunciado pelo Santos como novo técnico na última segunda-feira (23), o português Jesualdo Ferreira, substituto do argentino Jorge Sampaoli na Vila Belmiro, terá a sua primeira experiência no Brasil. Porém, trabalhar com jogadores brasileiros não será nenhuma novidade para o treinador que, aos 73 anos de idade, já começava a pensar em aposentadoria.

O UOL Esporte conversou com três jogadores — todos ainda em atividade — que tiveram a oportunidade de trabalhar com Jesualdo: Marcelo Boeck, goleiro do Fortaleza, Maicon, ex-zagueiro do São Paulo e hoje no Al Nassr (Arábia Saudita), e o meia Leandro Lima, ex-Paysandu e Cruzeiro. E, no geral, todos eles só tiveram coisas boas para falar do "professor".

Marcelo Boeck, hoje com 35 anos, passou quase uma década atuando no futebol português. E foi em 2013, pelo Sporting, que o goleiro passou a jogar "do mesmo lado" que Jesualdo. A passagem do técnico pelo clube foi curta, mas suficiente para deixar a sua marca.

"É um cara que, quando eu cheguei em Portugal, já era conceituadíssimo, multicampeão pelo Porto, com uma história muito bonita entre os treinadores. Inclusive eram ele, Jorge Jesus e Mourinho os que se destacavam em Portugal. E o Sporting sempre teve o sonho de ter o Jesualdo como treinador e, numa transição política, ele assumiu por seis meses no qual estávamos fazendo a pior campanha da história do Sporting, perto da zona de rebaixamento, e ele pegou e nos colocou na parte de cima da tabela novamente", recorda Boeck.

"Dele [Jesualdo] saíram inúmeros jogadores, como Eric Dier, do Tottenham, Bruma, todos que viraram seleção inglesa, portuguesa, e foram vendas que o Sporting fez. Ele, realmente, revolucionou até a nossa parte tática que a gente estava precisando tanto naquele momento. Como ser humano, pôde trazer de novo a confiança aos jogadores, tem uma relação muito boa com os jogadores, de respeito, junto com a comissão, que também é muito boa. Tem essa relação mais próxima e consegue fazer com que o time dentro de campo produza e possa se unir cada vez mais", acrescenta.

Marcelo Boeck, do Sporting, defende a bola durante um jogo pelo clube português - Eurofootball/Getty Images - Eurofootball/Getty Images
Imagem: Eurofootball/Getty Images

Marcelo Boeck espera agora que o Santos dê tempo para Jesualdo trabalhar. Caso isso aconteça, diz não ter dúvidas do sucesso do treinador em terras brasileiras. "A experiência foi positiva e espero que, no Santos, ele também possa ter o tempo para trabalhar. Que o próprio Santos dê esse tempo para ele trabalhar e que ele possa se adaptar um pouco ao nosso estilo e a nossa cultura para ter sucesso porque tenho certeza que competência e qualidade ele tem", completa Boeck.

Mister Jesualdo

Zagueiro do São Paulo entre 2016 e 2017, Maicon defendeu o Porto por sete temporadas, sendo a primeira delas sob o comando de Jesualdo. Com o 'Mister', como o chama, conquistou a Taça de Portugal 2008/09. Foi o técnico, aliás, quem o levou do Nacional da Madeira para o Porto.

15.dez.2013 - Maicon comemora após marcar para o Porto contra o Rio Ave, pelo Campeonato Português - MIGUEL VIDAL/Reuters - MIGUEL VIDAL/Reuters
Imagem: MIGUEL VIDAL/Reuters

"Tivemos um ano trabalhando juntos. Ele não somente é um treinador como também ensina jogadores a jogar, taticamente, como se defender... Eu, como zagueiro, vi grandessíssimos zagueiros que ele ajudou a se tornarem excelentes jogadores, assim como jogadores de meio-campo e atacantes. Radamel Falcão (García) chegou junto comigo no Porto e vi o Mister Jesualdo ajudá-lo imensamente. Como disse, ele ensina jogadores taticamente, ensina como receber uma bola, como movimentar... Gosto muito do estilo dele", analisou.

"O Santos tem bons jogadores e acho que Jesualdo tem tudo para melhorar ainda mais os jogadores que lá estão. Ele, para minha carreira, foi muito importante, e sou tremendamente grato a ele. Ele pode dar certo, com certeza, mas também precisa de um bom elenco. [Jorge] Jesus também é um grande treinador, mas também teve um elenco muito forte e soube tirar proveito disso, como grande treinador que é", completa o zagueiro de 31 anos.

"É um paizão"

Meia que passou pelo Cruzeiro e jogou a última temporada pelo Paysandu, Leandro Lima, de 34 anos, faturou o Campeonato Português de 2007/08, o segundo do tri que o Porto, com Jesualdo, conquistou no fim da última década. Ainda jovem quando chegou ao clube europeu, após passagem pelo São Caetano, o brasileiro lembra o "puxão de orelha" que levou do técnico por segurar muito a bola.

Leandro Lima, na época em que atuava pelo Porto - Adam Davy - EMPICS/PA Images via Getty Images - Adam Davy - EMPICS/PA Images via Getty Images
Imagem: Adam Davy - EMPICS/PA Images via Getty Images
"O Jesualdo foi um treinador que me ensinou muito. É um cara fantástico, um paizão, muito exigente. Lembro que, quando cheguei lá -- sabe, né? Jogador brasileiro gosta de driblar muito, e eu não soltava muito a bola -- ele falou: 'A partir de hoje, o Miúdo [apelido] é só um toque na bola, só ele [risos]'. Mas é um cara que, apesar de o Sampaoli ser um grande treinador e ter feito um grande trabalho, tenho certeza de que vai fazer um grande trabalho se derem as peças, os jogadores que ele pedir. E tem que ter tempo".

"Não é todo mundo que chega e pega um time como o Flamengo, que estava já montado, com um grande grupo, e acrescenta o seu trabalho como fez o Jorge Jesus, que colocou intensidade, tanto na marcação como ofensivamente. O treinador português tem muito isso. Jesualdo vai ser dar muito bem no Brasil", acrescenta.

Leandro Lima recorda ainda a sadia rivalidade que existia entre Jorge Jesus e Jesualdo, que na época estavam à frente dos dois maiores clubes de Portugal.

"Os dois estavam nas maiores equipes, e era aquela rivalidade muito boa que eles tinham. E bom que nessa época a gente saiu vencedor [risos]. Com o Porto a gente foi campeão português, cheguei a jogar Champions League com o Jesualdo também", completou.

Santos