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Artilheiro da sub-17 quase deixou Santos; gols não surpreenderam Sampaoli

Kaio Jorge comemora gol do Brasil contra o Chile no Mundial sub-17 - Divulgação/CBF
Kaio Jorge comemora gol do Brasil contra o Chile no Mundial sub-17 Imagem: Divulgação/CBF

Eder Traskini

Colaboração para o UOL, em Santos

18/11/2019 13h03

Resumo da notícia

  • Artilheiro da seleção brasileira sub-17 na Copa do Mundo chegou a ser afastado durante negociações pela renovação com o Santos
  • Kaio Jorge estreou no profissional ainda com contrato de formação e só assinou vínculo profissional mais de três meses depois
  • Tratado como joia, centroavante tem multa de 50 milhões de euros
  • Sampaoli colocou o jovem em campo apenas cinco vezes durante a temporada, mas não ficou surpreso com desempenho
  • Técnico argentino acompanhou a Copa do Mundo Sub-17 e gostou das atuações de Kaio Jorge

O centroavante Kaio Jorge se sagrou campeão da Copa do Mundo sub-17 com a seleção brasileira na noite do último domingo. O jovem está no profissional do Santos desde o ano passado, quando tinha 16, mas quase deixou o Peixe de graça devido a um imbróglio que se arrastou por meses.

Kaio foi alçado ao time de cima pelo ex-técnico Cuca e estreou quando ainda tinha vínculo de formação. O Peixe correu para assinar o primeiro contrato profissional do jogador, mas as negociações demoraram meses para terem um desfecho. Em meio à novela, os pais do jogador chegaram até a escrever uma carta de despedida do clube.

Agenciado por Giuliano Bertolucci, empresário com o qual o Santos tem dívidas e uma relação estremecida, Kaio foi afastado do elenco justamente por não ter assinado ainda o contrato profissional. A atitude irritou jogador e estafe, deteriorando a relação durante as negociações.

Santos e Kaio Jorge só chegaram a um acordo mais de três meses após sua estreia profissional. Em janeiro deste ano, o garoto assinou com o Peixe até o final de 2022, com multa rescisória de 50 milhões de euros (cerca de R$ 230 mi). O clube detém 100% dos direitos econômicos do atleta.

Sampaoli pouco usou, mas não ficou surpreso com desempenho

O camisa 9 levou para casa a chuteira de bronze, prêmio pelo terceiro lugar na tábua de artilharia, com cinco gols - um a menos do que o goleador máximo Sontje Hansen, da Holanda. Kaio teve pouquíssimas chances de atuar na equipe do técnico Jorge Sampaoli nesta temporada. No entanto, o desempenho do jovem atacante no torneio e o prêmio individual não surpreenderam o treinador argentino.

Ele já via qualidades no Menino da Vila e a "provação" de Kaio no Mundial deu a Sampaoli a certeza de que ele pode ser útil e deve ser mais utilizado em 2020, se o argentino permanecer. O centroavante somou apenas cinco jogos na temporada, número baixo, mas que ainda assim era o maior entre os "novos Meninos da Vila" até o surgimento de Tailson.

Sampaoli acompanhou a competição e gostou das atuações de Kaio. O centroavante foi titular e um dos principais jogadores na campanha do título da seleção brasileira. O camisa 9 foi decisivo em várias partidas, como quando anotou o gol que abriu caminho para a virada na semifinal contra a França e quando igualou o placar da final cobrando pênalti.

No gol que deu o título ao Brasil, foi Kaio quem iniciou a jogada em uma movimentação bastante treinada por Sampaoli e que foi fundamental para o crescimento de Eduardo Sasha na temporada, por exemplo. O camisa 9 da seleção recuou para buscar o jogo proporcionando superioridade numérica no setor de meio, recebeu, carregou a bola e abriu na direita para a passagem do lateral Yan Couto. O atleta do Coritiba cruzou e Lázaro, do Flamengo, fez o gol do título.

O treinador do Santos recebe críticas até hoje pela insistência no pedido de um centroavante que culminou na contratação de Uribe, que não é titular há 12 jogos. Sampaoli ainda chegou a dizer que não via destaque nas categorias de base do Peixe, o que incomodou parte dos Meninos da Vila e torcida.

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