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Seleção Brasileira

Samir é seguido por Tite há anos e tem "arma rara" para seguir na seleção

Divulgação/Udinese
Imagem: Divulgação/Udinese

Bruno Grossi

Do UOL, em São Paulo

03/09/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Samir jogou no Flamengo de 2013 a 2015 e foi campeão da Copa do Brasil
  • Na Udinese desde 2016, o zagueiro disputou 76 partidas e marcou quatro gols
  • Ele é um dos quatro jogadores revelados pelo Flamengo na atual seleção brasileira
  • Os outros são o lateral-esquerdo Jorge, o meia Lucas Paquetá e o atacante Vinicius Jr.
  • Para a zaga, Tite também convocou Thiago Silva, Marquinhos e Militão

Samir foi um dos nomes mais surpreendentes da convocação da seleção brasileira para os amistosos deste mês contra Colômbia e Peru. Surpreendente para os torcedores. Para Tite, o zagueiro desperta interesse há anos. Muito antes de convocá-lo, o técnico chegou a pedir a contratação do então flamenguista para o Corinthians.

Esse desejo não se transformou em nada concreto. Em 2015, Samir deixou o Flamengo contratado pela Udinese e vem construindo uma sólida carreira na Itália. Saber que seguiu no radar de Tite por tanto tempo é motivo de orgulho para o defensor de 24 anos, ansioso por ser apresentar hoje na concentração do time canarinho em Miami.

"Eu nunca fiquei sabendo do interesse do Corinthians. Se houve qualquer contato, fico feliz. É um sinal de que ele me observa desde antes. Já fizemos alguns jogos contra no Brasil e fico feliz que ele e o estafe me olhem. Ele me ligou para dar parabéns depois da convocação. E aproveitou para dizer que me observa há um tempo e que era para ficar tranquilo e conversar melhor nos Estados Unidos. Isso quebrou o gelo (risos)", confessou Samir, ao UOL Esporte.

Samir, zagueiro do Flamengo, em 2014 - Alexandre Vidal/Fla Imagem - Alexandre Vidal/Fla Imagem
Imagem: Alexandre Vidal/Fla Imagem

Nessa primeira oportunidade na seleção brasileira, Samir diz estar realizando um grande sonho ao jogar com Thiago Silva. O zagueiro do Paris Saint-Germain é a grande referência para o novato que se apega a uma "arma rara" para continuar recebendo chances de Tite. Entenda qual é esse trunfo na entrevista abaixo.

Qual a sensação de chegar à seleção? Imaginava que isso fosse acontecer mais tarde na carreira?

A ansiedade é muito grande de chegar, treinar com a galera, mas sigo mantendo o foco para dar meu melhor e aproveitar a oportunidade. Estou muito feliz e espero ficar por muito tempo. Sempre confiei no meu trabalho e acreditei que se continuasse treinando forte e focado, a chance iria aparecer. Quando saí do Brasil para a Itália, mantive sequencia de jogos, não me machuquei tanto e tive temporadas de alto nível. Isso pesa. Agora é continuar assim para ter novas chances.

O que aprendeu nesse período na Itália — passou pelo Hellas Verona, além de quatro anos na Udinese?

O Campeonato Italiano abriu muitas portas por ser um futebol de defensores e me fez aprender muito. Já estou há bastante tempo, com muitos minutos jogados, então cresci muito. Lá, a tática é muito exigida. Eles trabalham o tempo todo nisso. E eu sou versátil, atuo pelos lados do campo, como lateral e até como ponta, de vez em quando. Hoje, tenho sido terceiro zagueiro pela esquerda. Aprendi muita coisa de futebol, de língua e de cultura. Sofri bastante, mas hoje colho os frutos.

Samir, zagueiro da Udinese, dá autógrafo para torcedora na Itália - Divulgação/Udinese - Divulgação/Udinese
Samir dá autógrafo para torcedora da Udinese em evento na Itália
Imagem: Divulgação/Udinese

Você disse que é versátil, que cresceu na Itália, mas está pronto para jogar na defesa da seleção, que gosta de sair jogando e fica bastante adiantada?

Estou pronto. A diferença é que, na Udinese, fico mais na linha de três e a seleção joga com quatro defensores. É questão de adaptação e estou preparado. Sou muito versátil e vou me adaptar para onde for. Não é um mistério, já fiz em outros momentos da carreira. Essa linha adiantada é boa para os meias, para os atacantes, porque encurta a distância para roubar a bola e fica mais fácil de fazer o gol. Na Udinese, eu jogo sempre no um contra um, no mano a mano, estou acostumado.

O fato de ser canhoto, algo que não é muito comum para zagueiros, pode ser um diferencial?

Conta bastante. São poucos zagueiros canhotos, então ajuda. Ajudaria qualquer um que fosse canhoto. Na seleção, pelo nível dos jogadores, eles têm tanta qualidade que podem jogar na esquerda sem problemas. Acho que é mais difícil para o canhoto jogar na direita, até. Para mim, é um algo a mais porque o mercado não tem muitas opções, ainda mais no Brasil. É uma coisa boa, mas que preciso saber aproveitar. Depende de mim.

Samir, zagueiro da Udinese - Divulgação/Udinese - Divulgação/Udinese
Imagem: Divulgação/Udinese

Chegar à seleção pode significar um novo salto na carreira, deixando a Udinese para um clube maior?

Com certeza. Seleção principal é onde todos querem chegar. Eu cheguei com trabalho e humildade, graças à Deus e à minha família. É um passo a mais para minha carreira. As pessoas passam a te olhar em outra forma, os clubes grandes começam a olhar para a Udinese, que merece todo o respeito. É um clube respeitado, que já conseguiu me projetar e pode fazer ainda mais agora na seleção brasileira. Quero continuar dando meu melhor na Udinese porque foi assim que despertei o interesse do Tite.

Você, por jogar na esquerda, vai ser o reserva do Thiago Silva. O que isso significa para você? Acha que ele chega à Copa do Mundo de 2022?

O Thiago Silva, como todos sabem, é um ídolo que eu tenho. O número um, a referência. Será um prazer estar com ele na seleção. Temos amigos em comum, já jogamos futevôlei juntos, nos encontramos em outros lugares... Jogar do lado dele é um sonho que estou realizando. Ele tem tudo para chegar na Copa do Mundo em alto nível, porque se cuida e é experiente. Só depende dele. E tenho certeza que chegará. Espero conseguir cavar uma vaga com ele, com trabalho e seriedade. Agora é ir devagar, degrau por degrau, para me consolidar antes de pensar em Copa. É muito cedo para isso. Quando me encontrei com o Thiago, a gente teve só papo de boleiro mesmo, resenha, e eu ainda nem sonhava com a convocação. Ele sempre me disse coisas boas, então estou realizando um sonho mesmo. Como é com Daniel Alves e Neymar.

Como é encontrar outros três jogadores formados no Flamengo, como Jorge, Lucas Paquetá e Vinicius Júnior?

Eu estou muito feliz por eles. De toda a rapaziada eu, sou o mais velho. Vi todos eles na base, até o Vinicius que é mais novo. Nós até já viajamos juntos porque temos os mesmos agentes. O Paquetá chegou a treinar comigo. Eu estava na estreia do Jorge em 2015... Acompanho de perto a carreira deles e sei que têm muito potencial para estar na seleção. Eles podem ganhar o mundo pela qualidade.

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