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Muralha deixa Fla pra trás e celebra fase no Coritiba: "extremamente feliz"

Marcello De Vico

Do UOL, em Santos (SP)

10/08/2019 04h00

Esqueça aquele Muralha pressionado, cheio de cobranças no Flamengo, que sequer podia sair nas ruas do Rio de Janeiro. Quase dois anos se passaram, e hoje a realidade é completamente diferente. Prova disso é o vídeo (veja acima) que circulou nas redes sociais nesta semana, do goleiro nos braços de torcedores do Coritiba, seu atual clube, em um shopping da capital curitibana para uma noite de autógrafos.

Muralha chegou ao Coritiba em março deste ano, após passagem pelo Japão, para substituir o titular Wilson, que ficaria afastado por conta de uma cirurgia na mão. Ajudou o time a chegar à final do segundo turno do Estadual e até pegou pênalti na decisão contra o Athletico, mas viu o rival ficar com a taça. Depois, com Wilson recuperado, iniciou a Série B no banco de reservas.

Na décima rodada, em jogo contra o São Bento, Muralha viu o ídolo alviverde se machucar novamente, o que fez ele ganhar uma nova chance no gol do Coritiba. Coincidência ou não, desde que ele retornou, o time paranaense não perdeu mais na competição: foram três vitórias e dois empates, resultados que deixaram o Coxa na 'boca' do G-4.

Flickr Figueirense
Imagem: Flickr Figueirense
Com 23 pontos, o Coritiba pode até assumir a vice-liderança da Série B se vencer o Figueirense na tarde de hoje (10), no Couto Pereira. Um jogo, aliás, mais do que especial para Muralha. Foi no time catarinense que ele viveu uma de suas melhores fases da carreira e chamou a atenção do Flamengo.

"Eu acho que todos os clubes têm importância na vida da gente, pois eles servem de aprendizado. Agora, inegável dizer que o Figueirense tem algo especial, pois foi a partir dali que eu abri portas para o futebol. Tive dois anos muito bons, ganhamos o Estadual em 2015 e depois vieram muitas propostas, que foi quando eu acabei optando pelo Flamengo e consequentemente cheguei à seleção brasileira", disse Muralha em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.

"É um momento muito bacana que estou vivendo em Curitiba. Acho que isso se deve muito ao nosso conjunto. A amizade de todos. Tenho um relacionamento maravilhoso com o Wilson, que é ídolo do clube, nosso preparador de goleiros está sempre nos apoiando. Acho que tudo colabora para a boa fase. Subimos na tabela e estamos firmes para colocar o Coritiba de volta ao lugar que ele merece, que é a elite do futebol. No banco ou como titular, realmente temos vivido um ótimo ambiente e isso é o mais importante", acrescentou.

Jason Silva/AGIF
Imagem: Jason Silva/AGIF
Com Wilson quase recuperado de uma lesão na coxa, Muralha e o antigo titular devem, a partir da próxima rodada, disputarem uma vaga no gol alviverde. O clima, porém, é de total harmonia entre os dois arqueiros.

"O Wilson é um dos principais goleiros do país e ídolo do clube. Estava consciente dessa situação quando vim para o Coritiba, e também ciente que em algum momento a chance iria surgir. O ano é muito longo, tem as lesões, suspensões, mas o mais importante para o grupo é o Coritiba continuar nessa crescente para garantir o acesso", acrescentou.

"O Wilson é uma referência no Coritiba, e é claro que substitui-lo sempre será uma responsabilidade muito grande, por tudo o que ele representa. É por isso que eu digo que tenho que treinar como se estivesse jogando, com muita intensidade. Fiz isso, pois sabia que mais cedo ou mais tarde a chance iria surgir. O que me admirou bastante no Wilson foi a simplicidade dele, um cara que estendeu a mão desde o meu primeiro dia aqui. É legal trabalhar num ambiente assim", acrescentou.

VEJA MAIS TRECHOS DA ENTREVISTA:

ORIGEM DO APELIDO

Foi quando eu atuava em Ribeirão Preto, pelo Comercial. Em 2011 subimos para a 1ª divisão do Campeonato Paulista depois de 25 ou 26 anos. Fiz uma grande Série A-2. Lembro que na última rodada, a torcida do Comercial fez uma bandeira com os dizeres: "Alex Muralha". Aquilo acabou pegando e virou nome de vez depois que eu me transferi para o Figueirense, ali virei o Alex Muralha.

VOLTARIA A JOGAR NO FLAMENGO?

É um clube enorme, uma marca mundial muito forte. Meu carinho por todo mundo lá é muito grande. Deixei amigos, dentro e fora do clube. As recentes contratações, como a vinda de jogadores renomados na Europa, por exemplo, são a prova de que qualquer jogador de futebol gostaria de atuar pelo Flamengo. Mas meu momento é outro. Estou extremamente feliz onde estou. A acolhida que tive aqui no Coritiba, tanto da torcida quanto dos meus companheiros, é algo que jamais esquecerei. Por isso minha cabeça, minha família, minha vida está toda aqui hoje.

DIEGO ALVES E A ATUAL FASE NO FLAMENGO

Qualquer jogador de clube grande vai ser cobrado em momentos de maior pressão e em momentos de grandes decisões, e o Diego, por sua carreira e experiência, sabe disso também. Claro que existem certos limites de cobrança, mas é da nossa profissão. Essa exigência não é uma particularidade do Alex Muralha ou do Diego Alves. Temos exemplos também em outros clubes, do Brasil e da Europa. O ano do Diego Alves tem sido muito bom, e tenho certeza que ele será vitorioso com a camisa do clube.

SAÍDA DO FLA FEZ BEM AO MURALHA?

Gilvan de Souza/Flamengo
Imagem: Gilvan de Souza/Flamengo
Não foi a saída do Flamengo que me fez bem. Não se pode descartar a possibilidade que eu desse a volta por cima no clube naquele momento. Mas minha ida para o Japão foi boa por diversos aspectos. Profissionalmente eu aprendi muito, outros métodos de treinamento, de relacionamento, a convivência com jogadores de várias nacionalidades, foi uma temporada marcante. Tem a questão cultural também. Onde eu estava era um pouco afastado da capital. Depois veio a gravidez da minha esposa, que foi uma alegria imensa para todos nós. Ou seja, foi uma soma de fatores que contribuiu para eu crescer como ser humano, mas nada relacionado diretamente à minha saída do Flamengo.

POLÊMICA CAPA DO JORNAL EXTRA (RJ)
(Publicação defendeu que goleiro deixasse de ser chamado de Muralha após série de falhas pelo Flamengo)

Esse é um assunto que é passado para mim. Virei a página. Fiquei chateado, pois acho que extrapolaram as críticas que se restringem ao âmbito profissional, ao que acontece dentro das quatro linhas. As pessoas às vezes esquecem que existe um ser humano ali. Atingiu minha família, a ponto de eu não conseguir sair de casa. Mas eu sempre me apeguei às pessoas que eu amo e a Deus para vencer essa situação, e mais do que isso, sempre tive convicção daquilo que eu era capaz, do meu potencial, da minha determinação e da minha força para dar a volta por cima. Venho de família humilde e honrada e jamais iria me entregar com facilidade. Para mim é passado. Vou continuar pensando em coisas boas, em novas conquistas e objetivos, a começar por uma boa temporada aqui no Coritiba, honrar essa camisa com todas as minhas forças e honrar o torcedor, que tem nos apoiado incondicionalmente.

Coritiba