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Chelsea se desculpa por abusos de ex-dirigente das categorias de base

Casos ocorreram na década de 1970; principal acusado, Eddie Heath morreu em 1983 - Daily Express/Hulton Archive/Getty Images
Casos ocorreram na década de 1970; principal acusado, Eddie Heath morreu em 1983 Imagem: Daily Express/Hulton Archive/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

06/08/2019 17h00

O Chelsea pediu desculpas publicamente hoje, em comunicado oficial, por abusos sexuais sofridos por jogadores das categorias de base do clube na década de 1970. O caso veio a público em 2016, após uma entrevista do ex-jogador Andy Woodward à BBC.

Segundo investigações realizadas nos últimos anos, o principal responsável pelos incidentes - que tiveram como vítimas garotos de 10 a 17 anos - era Eddie Heath, diretor das categorias de base do clube londrino entre 1968 e 1979. Heath morreu em 1983 e foi classificado pelo próprio comunicado do Chelsea como "um abusador prolífico e perigoso".

Uma investigação particular aponta que o caso era conhecido por funcionários do Chelsea, que acobertaram os crimes. Dario Gradi, ex-assistente técnico do clube, também foi alvo de observações no relatório final da investigação por não ter repassado a dirigentes as denúncias feitas por familiares de um jogador assediado.

Segundo o texto, a omissão de Gradi "foi uma oportunidade perdida para a exposição de Heath e para a prevenção de novos abusos". Hoje aos 78 anos, Gradi negou à BBC que tenha "aliviado", alegando ter repassado o caso a superiores. Os documentos da investigação não confirmam qualquer apuração interna contra Eddie Heath.

"Nego completamente que tenha tentado, de qualquer maneira, aliviar o assunto conforme foi reportado pela imprensa", comunicou Gradi, afastado do futebol desde 2016, quando trabalhava como diretor de futebol de Crewe Alexandra. Ele também nega qualquer envolvimento com casos de pedofilia no mesmo clube durante os anos 1980, quando era dirigente da equipe.

Comportamento 'inadequado' e caso de estupro

Entre 23 testemunhas ouvidas, 15 confirmaram "assédios sexuais sérios e sem ambiguidades", incluindo um caso de estupro. Relatórios de investigações apontam que as fontes apontaram comportamento "inadequado" do dirigente em vestiários, inclusive na frente de outros jogadores, com o "cuidado para que seus abusos sexuais mais graves ocorressem em locais privados".

Apelidado de "Nightmare Eddie" (ou "Eddie Pesadelo") pelos jogadores da base do Chelsea na época, o dirigente tinha como principais alvos crianças em situações de vulnerabilidade, usando pornografia para "sexualizar" os jogadores e usando sua posição de poder no clube para silenciar os casos. As informações também são do advogado Charles Geekie, um dos responsáveis pelo relatório final das investigações.

Em comunicado publicado hoje em seu site oficial, o Chelsea pede "desculpas públicas" a todas as vítimas do caso. O clube também se posicionou a respeito de casos de racismo ocorridos no clube entre as décadas d 1980 e 1990, tornados públicos em 2017.

"Declaramos nossa intenção de fazer a coisa certa: oferecer pleno apoio a todos os que foram afetados e que conduziram uma exaustiva investigação quanto ao que ocorreu para assegurar que horríveis abusos como os ocorridos nunca mais aconteçam. Nos últimos dois anos e meio, uma equipe de autoria externa, liderada por Charles Geekie, advogado especialista em proteção infantil, realizou mais de cem entrevistas com testemunhas e analisou milhares de páginas de provas", diz o texto.

"Embora o clube esteja hoje em uma posição diferente da posição da época, com novos proprietários, estruturas operacionais e procedimentos, não nos intimidaremos das responsabilidades do que aconteceu no passado. Nossa intenção na investigação foi dar uma luz sobre um período sombrio da história do clube, para que possamos aprender lições que ajudem a proteger os jogadores do futuro. Além disso, não desejamos esconder nenhum abuso antigo que escondemos. Hoje, estamos publicando a investigação na íntegra", acrescentou.

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