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Lateral do Chile é símbolo de luta contra o preconceito no país

Jean Beausejour, do Chile, em partida contra a Colômbia pela Copa América 2019 - Pedro Vilela/Getty Images
Jean Beausejour, do Chile, em partida contra a Colômbia pela Copa América 2019 Imagem: Pedro Vilela/Getty Images

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

30/06/2019 04h00

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Há mais de 10 anos defendendo a seleção chilena, Jean Beausejour tem um nome que destoa entre os demais. Descendente de um povoado indígena e de haitianos, o jogador virou símbolo da luta contra o preconceito em seu país. E poucos se lembram que já passou pelo futebol brasileiro, no Grêmio.

Jean André Emanuel Beausejour Coliqueo é o nome completo do lateral esquerdo de 35 anos. Filho de pai haitiano e mãe do povoado indígena mapuche, presente entre o Chile e a Argentina, ele demorou a deslanchar no futebol.

Depois de não ser chamado com frequência para seleção de base, o jogador foi vítima de preconceito nos primeiros anos de carreira. Tanto a descendência haitiana quanto indígena foi um problema no país.

Beausejour passou por Universidad de Chile, Universidad Católica e Universidad Concepción, de onde partiu, sem oportunidades, para o Servette, da Suíça. E na Europa é que começou de fato sua carreira.

O bom desempenho por lá fez o jogador, então com 20 anos, começar a ser convocado para seleção. E logo veio a oportunidade de voltar ao continente com oferta do Grêmio.

O clube, porém, passava por um momento complicado. Em 2005, o Tricolor tinha cofres vazios, passou por uma grande reformulação e disputou a Série B. Beausejour acabou sendo figurante na equipe de Mano Menezes que conquistou a competição na partida até hoje conhecida como "Batalha dos Aflitos".

Ele foi a 41ª contratação naquela temporada e atuava como meia e atacante. Diferente do posicionamento defensivo que veio em seguida. Ao fim de 2005, Beausejour foi embora do Grêmio com contrato encerrado e não deixou saudades.

A carreira, então, deu uma guinada. O Gent, na Bélgica, O'Higgins e Cobreloa, no Chile, o América do México e a ida para o futebol inglês, que o colocou de vez como ídolo dos povoados que lhe deram origem. Ele defendeu Birmingham e Wigan entre 2010 e 2014.

Nesta época, Beausejour já era figura relevante na seleção. Na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, ele virou o primeiro jogador negro a defender o Chile num mundial. E fez o primeiro gol do time na competição, contra Honduras.

Sua presença no país transcende o campo. Beausejour, quando atuava na Inglaterra, visitava regularmente as comunidades que lhe deram origem, apoiando projetos de incentivo ao esporte e erguendo bandeira contra o preconceito. Quando se manifesta, ele mostra orgulho de suas origens e veste camisa contra qualquer discriminação.

No ano passado, por exemplo, o atleta ganhou notoriedade ao participar das manifestações em razão da morte do líder mapuche Camilo Catrillanca, que levou um tiro pelas costas feito por um policial.

"Ser mapuche e negro é um orgulho", disse o jogador em 2018 à rede Chilevisión.

Hoje, atleta da Universidad de Chile, o lateral disputou mais de 100 jogos pela seleção e esteve nas duas conquistas da Copa América, em 2015 e 2016. Nesta edição do torneio, a quarta da qual participa, ele esteve presente em três dos quatro jogos disputados pelo time. Na quarta-feira, o Chile disputa vaga em mais uma final, na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, contra o Peru.

Errata: o texto foi atualizado
O nome do líder mapuche citado é Camilo Catrillanca, e não líder mapuche Camilo Castrillanca. A informação foi corrigida.
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