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Por que você não deve mais tratar a Venezuela como saco de pancadas

Gabriel Carneiro e José Edgar de Matos

Do UOL, em Salvador e São Paulo

18/06/2019 12h00

Pode ser que o título desta matéria vire meme depois de Brasil e Venezuela se enfrentarem hoje, às 21h30, na Arena Fonte Nova. A seleção brasileira é, sim, muito mais forte do que a venezuelana. Mas os adversários sempre tratados - com razão - como saco de pancadas e patinhos feios em competições internacionais estão dando passos à frente em questão de organização e mesmo o jogo propriamente dito. O clichê do "não tem mais bobo no futebol" cabe aqui: a Venezuela está pronta para fazer um jogo de igual para igual contra o Brasil.

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O primeiro elemento que torna a Venezuela mais respeitável em campo é o trabalho do técnico Rafael Dudamel. Ex-goleiro da própria seleção aposentado em 2010, ele entrou na Federação do país como técnico da seleção sub-17 em 2012, assumiu o time sub-20 três anos depois e desde 2016 dirige os profissionais. Ele acumulava os dois últimos cargos quando obteve um grande feito no futebol local, o vice-campeonato mundial sub-20.

Alguns destaques daquela campanha seguem no elenco até o profissional, como o goleiro Wuilker Faríñez, protagonista na primeira rodada, e o atacante Yeferson Soteldo, comprado pelo Santos nesta temporada. O sucesso do trabalho de base da seleção que hoje tem a terceira menor média de idade da Copa América é um dos segredos.

Seleção da Venezuela empatou em 0 a 0 com o Peru na primeira rodada da Copa América - Divulgação
Seleção da Venezuela empatou em 0 a 0 com o Peru na primeira rodada da Copa América
Imagem: Divulgação

"O trabalho na base era limitado, não se via o futebol como um negócio, de formar jogadores para exportá-los. Só o Caracas era uma exceção. As equipes começaram a investir por causa de uma regra de 2007. A Venezuela organizou a Copa América e houve uma expansão de 12 equipes para 18, porque quiseram aproveitar todos os estádios novos ou reformados. Também se implantou uma norma para a qual todos os times teriam que ter pelo menos um jogador sub-20 entre os titulares e ele só poderia ser substituído por outro juvenil. Se buscavam jogadores que chegassem mais experientes no time de cima", relata Juan Sifontes, jornalista da La Tele Tuya.

A Venezuela foi eliminada nas quartas de final da Copa América de 2007 com uma goleada por 4 a 1 diante do Uruguai, mas criaram casca para seguir em frente.

Recheada por garotos, a Venezuela venceu a Argentina por 3 a 1 num amistoso realizado em março, na Espanha. Era a volta de Messi à seleção argentina depois de ter anunciado aposentadoria na Copa do Mundo da Rússia. O resultado encheu a seleção de Dudamel de ânimo e mostrou que era possível encarar as grandes seleções em pé de igualdade, diferentemente do que acontecia nos anos anteriores.

Hoje, só dois jogadores entre os 23 convocados atuam na Venezuela: o goleiro Graterol, do Zamora, e o volante Figuera, do La Guaira. O maior destaque é Salomón Rondón, do Newcastle, além de jogadores como Osorio (Vitória de Guimarães), Rincón (Torino), Rosales (Espanyol), e quatro jogadores que atuam nos Estados Unidos, um país que é adversário político da Venezuela. A preparação para a Copa América, aliás, aconteceu nos Estados Unidos.

O time que deve entrar em campo contra o Brasil é o seguinte: Faríñez; Rosales, Chancellor, Villanueva e Hernández; Junior Moreno, Rincón e Herrera; Savarino (Soteldo), Salomón Rondón e Murillo. O lateral-esquerdo Luis Mugo é o único suspenso.

A Venezuela foi última colocada das Eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo da Rússia, em 2018. O Peru terminou em quinto e disputou o torneio. No Brasil, as duas seleções empataram em 0 a 0 pela abertura da Copa América. São sinais de novos tempos.

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