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Mapa da Palestina em uniforme de rival do Inter gera crise com judeus do RS

Na manga, em preto, o mapa antigo da Palestina no uniforme do adversário do Inter - JOAQUIN SARMIENTO / AFP
Na manga, em preto, o mapa antigo da Palestina no uniforme do adversário do Inter Imagem: JOAQUIN SARMIENTO / AFP

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

08/04/2019 16h08Atualizada em 08/04/2019 18h18

A Organização Sionista do Rio Grande do Sul notificou a Federação Gaúcha de Futebol, o Inter, a administração do Beira-Rio, a Conmebol e o Ministério Público exigindo que o Palestino, adversário do Inter nesta terça-feira pela Libertadores, tire o mapa da antiga Palesina de seu uniforme.

Nas mangas e meias do uniforme, o mapa da Palestina é anterior à criação do Estado de Israel, em 1947 (anunciada em 1948).

Em tom ameaçador uma nota da Organização ainda detalha os documentos entregues às entidades citadas.

"A Organização Sionista do RS notificou a Federação Gaúcha de Futebol, o Sport Club Internacional, a Administração do Estádio Beira-Rio e os delegados da CBF e da Conmebol e o Ministério Público sobre as graves violações à lei brasileira que ocorrerão na próxima terça-feira em Porto Alegre, caso seja permitido ao Club Deportivo Palestino entrar em campo com um mapa fraudulento estampado no uniforme, com evidente e notória conotação de provocação política e afronta ao Estado de Israel, que além de ser a única democracia do Oriente Médio mantém relações diplomáticas com o Brasil. Fiquemos todos atentos para as possíveis reparações cíveis e criminais se nada for feito para impedir isso", diz comunicado da entidade através do Facebook.

Print da postagem feita pela Organização Sionista do RS - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Na avaliação da entidade, o mapa da antiga palestina configura uma posição política, vedada a clubes esportivos.

Ao UOL Esporte, o presidente Francisco Novelletto disse que recebeu o documento, mas não tem ingerência sobre a partida. Segundo apurou a reportagem, o uniforme do Palestino é aprovado pela Federação Chilena e pela Conmebol, apenas assim pode ser utilizado. E estampou o mapa nos demais jogos da competição até agora.

E não há tempo hábil para que sejam retirados os detalhes do uniforme ou mesmo a utilização de outro, já que o Palestino já está em Porto Alegre para o jogo de amanhã.

O Palestino já foi multado pela Federação Chilena de Futebol pela utilização do fardamento, em 2014, depois de reclamação semelhante.

"Serve esta representação e notificação extrajudicial dirigida às entidades esportivas responsáveis pelo evento de expresso alerta para o fato inexorável de que, se repetidas tais condutas em solo gaúcho, nossa Constituição Federal e os mais elementares princípios da democracia brasileira restarão feridos, afora a notória configuração de crime de ódio, antissemitismo e racismo, a serem melhor apurados pelas polícias e pelo Ministério Público, mesmo porque imprescritíveis", diz um dos documentos.

O Palestino traz o mapa em seu uniforme pela origem do time. Fundado em agosto de 1920 por imigrantes, o clube traz em sua origem a cultura palestina. No Chile, existe a maior colônia palestina do mundo, aproximadamente 350 mil imigrantes.

O outro lado

Em resposta, a Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL), emitiu uma nota de esclarecimento. Nela, oito pontos são citados em contrapartida à manifestação da Organização Sionista do Rio Grande do Sul, mais cedo.

Os pontos sublinhados são que o jogo é um momento de confraternização das torcidas, tanto que torcedores do Palestino e do Inter ficarão lado a lado. Que o uniforme do Palestino obedece às regras da Conmebol e da Federação Chilena de Futebol.

Ainda explica-se que o mapa foi adotado a partir de 1930, ou seja, é anterior à resolução da partilha reclamada pela outra entidade.

"Ainda quanto ao mapa propriamente, que é o da Palestina histórica, anterior à resolução da ONU (181) que recomendou sua partilha, importante frisar que é o Estado da Palestina que até hoje não foi implementado na prática e que não é reconhecido por Israel, algo que a ONU já faz (2012) e no que é acompanhada por 140 países (o Brasil desde 2010, outros desde muito antes e alguns após esta manifestação da ONU)", diz parte da nota.

Por fim, a Fepal repudia manifestações extremistas, prega o diálogo e o respeito, em sua nota.

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