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Como Fla e Flu se "armam" após rompimento da concessão do Maracanã

Leo Burlá e Vinicius Castro

Do UOL, no Rio de Janeiro

19/03/2019 04h00

Clubes com contrato junto ao Maracanã, Flamengo e Fluminense se "armam" para o futuro após o anúncio do rompimento do contrato de concessão com a Odebrecht. Com apoio do governador Wilson Witzel, os clubes sonham em administrar o complexo e montam as suas estratégias para a batalha que se anuncia. O Rubro-negro, no entanto, é quem fala mais abertamente no momento e defende já ter em mãos um estudo detalhado de viabilidade para o estádio.

Desde 2013, a diretoria do Flamengo expõe o desejo de pelo menos participar da gestão do Maracanã. A defesa é por uma nova licitação com a participação dos clubes, já que eles são os protagonistas da praça esportiva.

Assim que o Governo anunciou a decisão de cancelar a concessão, o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, telefonou para Wilson Witzel firmando a posição de que o clube tem todas as condições e o estudo detalhado para ser um protagonista da administração.

O Rubro-negro também se colocou à disposição para auxiliar na gestão provisória, caso seja necessário. Internamente, inclusive, há otimismo nos bastidores pelas últimas movimentações da administração estadual. Acredita-se que o clube poderá, enfim, entrar de vez na disputa pelas sinalizações recebidas. Até por isso, um grupo de trabalho específico para tratar do assunto Maracanã será montado já nos próximos dias.

Ana Beatriz Leal, responsável por presidir a comissão que estuda os próximos passos do estádio, terá reunião hoje com Rodolfo Landim e Pedro Abad, presidentes de Flamengo e Fluminense, respectivamente. Os encontros acontecerão de forma separada, com o rubro-negro sendo recebido em audiência na parte da manhã, e o tricolor durante a tarde.

Pelo lado do Fluminense, a situação contempla o desejo da diretoria em ter um papel maior na gestão do estádio. O clube já se reuniu com o governador e cobrou condições para que o Maracanã seja viável, o que está longe de acontecer no momento para o Tricolor.

Ainda que tenha uma dívida de cerca de R$ 2 milhões com o Maracanã, o Fluminense não vê impedimento em disputar a licitação ou até ser parceiro de alguma empresa na administração.

O fato é que, momentaneamente, o Tricolor ainda tenta entender o cenário para não vender uma situação irreal ao torcedor e observa a possibilidade de gerir o Maracanã, enquanto vê no rival Flamengo um posicionamento mais determinado. O presidente Pedro Abad se reuniu ontem com seus principais colaboradores para traçar cenários e medir as consequências dos passos futuros.

As diretorias de Flamengo e Fluminense mantêm uma boa relação e até já falaram em algum momento sobre a possibilidade de administrarem de forma conjunta o Maracanã. O panorama envolvendo uma parceria, no entanto, não parece estar no primeiro plano de discussão agora. Ainda que exista a chance, cada qual já briga por si nos bastidores. E, dependendo do resultado, Rubro-negro e Tricolor serão ainda mais rivais daqui para frente.

Por que a concessão foi cancelada?

O governador Wilson Witzel alegou não-cumprimento de contrato do Consórcio Maracanã S.A. e ressaltou que a Odebrecht, principal acionista do complexo, está implicada na Operação Lava Jato. De acordo com o governador, débitos superiores a R$ 38 milhões --parcelas de outorga que não teriam sido pagas pelas empresas que compõem o consórcio desde março de 2017-- foram responsáveis pelo rompimento contratual.

Em nota oficial, a Maracanã S.A informou que "a empresa ainda não tomou conhecimento da íntegra do decreto do governo do Estado do Rio de Janeiro que cancela a concessão do Maracanã e do Maracanãzinho".

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