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Um mês após incêndio no CT do Fla: Famílias buscam indenizações e respostas

Vinicius Castro

Do UOL, no Rio de Janeiro

08/03/2019 12h00

A maior tragédia da história do Flamengo completa um mês hoje. No dia 8 de fevereiro, dez meninos das categorias de base do clube morreram no incêndio que atingiu o alojamento do CT Ninho do Urubu. Outros três ficaram feridos e foram internados. No total, 26 jovens sonhadores estavam nos contêineres que terminaram destruídos pelas chamas. Um mês depois, os dias difíceis não terminam e as famílias seguem em busca de respostas. 

O principal ponto diz respeito às indenizações aos familiares dos mortos no incêndio. O Ministério Público, por exemplo, estipulou o valor mínimo de R$ 2 milhões para cada vítima, além de R$ 10 mil mensais até o dia em que fariam 45 anos. Inicialmente, o Flamengo chegou a R$ 700 mil para cada família, além de três salários mínimos por 10 anos. Não houve acordo, e a mediação conjunta foi encerrada com a revolta dos familiares.

O clube, então, decidiu negociar separadamente com cada família e fechou um acordo até o momento. Valores e familiares não foram divulgados por questões de segurança, já que se tratam de pessoas com baixas condições financeiras. O Flamengo diz estar perto de novos acertos. As conversas, no momento, ocorrem com famílias de outras cinco vítimas da tragédia. Alguns, inclusive, estarão no Rio de Janeiro para reuniões na próxima semana. Embora o clube sustente, no discurso, a pressa em resolver as questões, o processo é lento pela complexidade que o envolve.

Polícia ainda conclui inquérito

Polícia - Adriano Wilkson/UOL - Adriano Wilkson/UOL
Imagem: Adriano Wilkson/UOL

Cerca de 40 pessoas foram ouvidas pela Polícia desde a tragédia. O inquérito na 42ª DP, no entanto, está em andamento, e a expectativa é a de que seja concluído até abril. O Flamengo se defendeu nos depoimentos e sustentou que o incêndio foi causado por uma série de picos de energia na região de Vargem Grande, onde está localizado o Ninho do Urubu.

O problema teria gerado o curto-circuito responsável pelo incêndio. Um temporal atingiu o Rio de Janeiro na véspera da tragédia e derrubou árvores e postes na região. Locais próximos, inclusive, demoraram dias até que a energia fosse reestabelecida. 

Flamengo tem CT interditado e tenta reabri-lo

CT Flamengo -  Thiago Ribeiro/AGIF -  Thiago Ribeiro/AGIF
Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF

Durante os dias seguintes ao incêndio, inúmeras multas e ordens de interdição do CT Ninho do Urubu ao longo dos últimos anos se tornaram públicas. O Flamengo, por sua vez, permaneceu com o local aberto, alegando que era usado apenas para treinamentos do time profissional - já estava proibido para crianças e adolescentes - e não oferecia risco.

No último dia 27, no entanto, a interdição de 2017 foi cumprida. O clube se viu obrigado a treinar na Gávea e correr com a papelada para tentar liberar o local. Além disso, o Rubro-negro precisou atender exigências e, ainda assim, permanece com o centro de treinamento lacrado.

Uma vistoria é aguardada para a próxima semana na expectativa de liberar o espaço, que custou pelo menos R$ 42 milhões, para as atividades dos profissionais e das categorias de base.

Categoria atingida por incêndio volta na próxima semana

Ninho - Thiago Ribeiro/AGIF - Thiago Ribeiro/AGIF
Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF

Os meninos entre 14 e 17 anos - faixa etária dos atingidos pela tragédia - voltarão aos treinos pelo Flamengo na próxima segunda-feira (11). Eles passarão por exames, avaliações individuais e iniciarão os trabalhos no Cefan (Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes), enquanto o centro de treinamento rubro-negro permanece interditado e a Gávea utilizada pelos profissionais. 

Também na semana que vem, a categoria sub-20 volta aos compromissos oficiais, com jogos pelo Campeonato Carioca e Copa do Brasil. Aos poucos, o Flamengo tenta retomar a rotina, mas inúmeras pontas ainda estão soltas no processo. A ferida do incêndio segue aberta e a luta dos envolvidos é para tentar amenizar a dor, embora o primeiro mês da tragédia tenha sido marcado - em maioria - por desencontros.

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