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Renato apoia venda de Tetê e explica falta de chances: "Não sobe no grito"

Divulgação/Grêmio
Imagem: Divulgação/Grêmio

Jeremias Wernek

Do UOL, em Porto Alegre

25/02/2019 23h39

A proposta milionária do Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, levou Tetê antes de ele ser promovido ao elenco principal do Grêmio. Renato Gaúcho se mostrou favorável ao negócio realizado e ainda explicou o motivo pelo qual não usou a joia que rendeu R$ 42,5 milhões ao clube. Para o treinador, o rendimento diário do meia-atacante não justificou chance entre os profissionais.

Aos 19 anos, Tetê assinou contrato de cinco temporadas com o Shakhtar. O Grêmio recebeu 10 milhões de euros à vista e ainda seguiu com 15% dos direitos econômicos do jogador.

"Eu apoiei a venda, se você quer saber a minha opinião. Eu apoiei. Não existe clube no brasil que recuse uma oferta dessas. Foi bom para o jogador, para o clube. Não se pode pensar duas vezes, ainda mais que os clubes dependem de vendas. Todo mundo quer jogadores do Grêmio. Amanhã ou depois pode até sair outro, mas o Grêmio compra. Não vamos querer jogador insatisfeito aqui", respondeu Renato ao falar sobre a saída.

Mais adiante, quando indagado sobre a razão para falta de chances a Tetê no elenco principal, o treinador aprofundou aquilo que tinha deixado nas entrelinhas antes.

"Excelente pergunta. Isso não serve só para o Tetê, mas para todos. Enquanto eu for treinador do Grêmio, jogador da base vai chegar no profissional no momento que demonstrar que tem condições. Não adianta empresário vir tumultuar, amiguinho (...) Tem que fazer por onde para estar no grupo principal. Não é porque foi para a seleção, comigo tem que jogar. No grito, no papo, não cola nunca. Foi assim com todos os garotos. Luan, Everton, Pedro Rocha… pergunta se eles não sofreram para jogar", disse Renato. T

etê se despediu em entrevista coletiva. Na conversa com a imprensa, se mostrou frustrado por não ter sido promovido e ainda criticou a estrutura das categorias de base do Grêmio.

"Me deixa um pouco chateado (sair sem jogar no time principal). Quando eu fui convocado para a seleção brasileira sub-20 criei uma expectativa de que voltaria no time principal do Grêmio. Quando eu fiquei sabendo que isso não iria acontecer, isso me deixou muito triste", afirmou o meia-atacante, agora jogador do Shakhtar Donetsk.

Renato não deixou passar a citação.

"Um jogador, porque é convocado para a sub-20, não quer dizer nada, com respeito a ele, desejo toda sorte. 'Só fico se for pro (elenco) profissional…' Bom, se é assim: boa viagem. Nem a pedido do presidente vou aceitar. Tem que fazer por onde. Tem que valorizar onde está. É a melhor definição de minha parte. Quer chegar? Prova que tem condições. Se tiver alguém se destacando, vou ser o primeiro a puxar. Estou vendo as coisas. É só fazer as coisas certas que a gente começa a trazer", declarou Portaluppi.

O Grêmio recusou a primeira investida do Shakhtar, em janeiro, mas quando emissários do clube remontaram a oferta e subiram as cifras o cenário mudou. No final de semana, o negócio já estava encaminhado e faltava acerto final entre o estafe de Tetê e a equipe ucraniana.

"Fechamos na quinta proposta. Eles vieram, a gente recusou e fomos indo", afirmou Pablo Bueno, empresário de Tetê."Nos procuraram durante a Copa RS sub-20 (em dezembro) e eu falei ao presidente (Romildo Bolzan Jr.) que ia chegar uma proposta fora do normal. Ele ficou de ver, fomos falando. Até conversamos que a ideia não era sair do Grêmio, mas depois mudou", acrescentou o agente.

Mateus Tetê chegou ao Grêmio com oito anos e sempre foi tratado como um prodígio nos times inferiores. Recentemente, foi chamado para o Sul-Americano sub-20 no Chile. Em 2018, participou dos treinamentos da seleção principal nos Estados Unidos.

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