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Fla ofereceu R$ 400 mil por mortos em incêndio. MP quer R$ 2 milhões

Ninho do Urubu após incêndio que acabou resultando na morte de 10 garotos - Thiago Ribeiro/AGIF
Ninho do Urubu após incêndio que acabou resultando na morte de 10 garotos
Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF

Rodrigo Mattos

Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ)

20/02/2019 14h05

A proposta do Flamengo para as vítimas do incêndio no Ninho do Urubu, rejeitada ontem (19) pelo Ministério Público, previa o pagamento de até R$ 400 mil reais para cada família dos jogadores mortos na tragédia ocorrida no fim do mês passado. As autoridades, em contrapartida, exigiam um pagamento inicial de R$ 2 milhões para costurar um acordo. Os dados foram revelados hoje (20), durante uma reunião entre familiares de oito vítimas e Defensoria Pública, que aconteceu no Rio de Janeiro. 

Na proposta de indenização rejeitada, o Flamengo oferecera, além dos R$ 400 mil de entrada por vítima, o pagamento de um salário-mínimo por mês durante 10 anos para cada família. A exigência do MP unia os R$ 2 milhões iniciais e R$ 10 mil por mês para até quando cada garoto morto no incêndio completasse 45 anos. O próprio Ministério Público admite, em uma nova negociação, rever o período para 35 anos. 

No total, as indenizações oferecidas pelo Flamengo somariam R$ 5,2 milhões, considerados o total por dano moral e a pensão mensal para as famílias dos 10 garotos mortos. Já as indenizações pedidas pela Defensoria e o Ministério Público do Trabalho somavam R$ 56 milhões, também incluídos o dano moral e a pensão.

Agora, o clube vai negociar individualmente com as famílias. Já defensoria pode continuar a acompanhar e orientar as famílias, mas algumas já têm advogados. 

"O ideal é que se busque uma solução rápida e consensual. É melhor que um processo longo na Justiça", disse a defensora pública Pamela Iamego. 

O clube planejou entrar rapidamente em acordo com o Ministério Público para iniciar o pagamento às famílias. A falta de acordo faz MP, Ministério Público do Trabalho e Defensoria Pública discutirem na Justiça a reparação os mortos no incêndio no Ninho do Urubu.

Em nota publicada depois de o Flamengo rejeitar a contraproposta feita pelo MP, os organismos públicos disseram que o clube "recusou-se a celebrar um acordo de reparação às vítimas".

"Os valores apresentados pelo clube estão aquém da daquilo que as instituições entendem como minimamente razoável diante da enorme perda das famílias e demais envolvidos", completa a nota.

Posteriormente, o Flamengo também emitiu uma nota para dar a sua posição sobre o acordo com as vítimas e reiterou o objetivo de ter uma composição amistosa com as autoridades para chegar a um valor comum de indenização.

"Nesta terça-feira (19), após reunião com autoridades daqueles órgãos, o Flamengo - independentemente de processo judicial - ofereceu, por fim, um valor que está acima dos padrões que são adotados pela Justiça brasileira, como forma de atender com brevidade as famílias de seus jovens atletas", afirmou o Flamengo.

"O Flamengo teve o cuidado de oferecer valores maiores dos que estão sendo estipulados em casos similares, como, por exemplo, o incêndio da boate Kiss, ocorrido em 2013. Até hoje, vale lembrar, famílias não receberam a indenização", concluiu o clube, relembrando da tragédia em uma casa noturna na cidade de Santa Maria, Rio Grande do Sul.

Já a procuradora do Trabalho, Danielle Cramer, acredita que o caso é diferente do que aconteceu na boate. 

"É um caso bem diferente da boate Kiss. Eles estavam sob responsabilidade do clube" afirmou. 

Jean Lucas se emociona ao falar da tragédia do Flamengo

UOL Esporte

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