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Talentoso, Jerry Smith impressionou Palmeiras antes de virar funkeiro

Jerry Smith em clipe da música "Kikadinha" - Reprodução/YouTube
Jerry Smith em clipe da música "Kikadinha" Imagem: Reprodução/YouTube

Beatriz Cesarini

Do UOL, em São Paulo

14/02/2019 04h00

Donos de uma das vozes mais marcantes do funk brasileiro atualmente, Jerry Smith já atuou pelos campos de futebol antes de subir aos palcos para fazer a galera descer até o chão. Em entrevista ao UOL Esporte, o cantor contou que era um jogador "doidinho" quando criança, mas aprendeu a ser disciplinado e diz ter impressionado o Palmeiras por seu talento nas quatro linhas.

"Comecei a jogar com nove anos num campo próximo onde eu morava. Eu era meio doidinho, meio fominha, queria correr o campo inteiro. Ai a gente foi crescendo, depois eu fui no Águias, em São Caetano, onde disputei campeonatos importantes. E dali eu comecei a me destacar. Joguei no São Caetano, disputei o Paulista e tudo", contou Jerry, que na época era Rodrigo Silva dos Santos.

Técnico de Jerry no São Caetano, Marquinhos Pit Bull relembrou dos tempos em que Jerry era Rodrigo, um menino que sonhava em ser jogador de futebol para se tornar conhecido no mundo inteiro. O comandante exaltou as qualidades do cantor e ainda o chamou para uma visita à equipe paulista.

"Era um garoto alegre, descontraído, um garoto que todos gostavam. Ele seguiu outra carreira e foi bem-sucedido. Ele poderia ter seguido como jogador. Mas Deus sabe o que faz, agora ele está fazendo o maior sucesso, espero que ele possa um dia vir nos visitar no São Caetano, bater um futebolzinho. O futebol perdeu um excelente jogador", comentou Marquinhos.

Registro de Jerry Smith na época de jogador na CBF - Reprodução/CBF - Reprodução/CBF
Imagem: Reprodução/CBF

O funkeiro que hoje faz parcerias com cantores como Wesley Safadão, jogou na equipe sub-16 do São Caetano e disputou a competição estadual da categoria com a camisa do Azulão. Em seguida, Jerry Smith voltou ao Águias no final de 2010 e quase mudou seu destino, mas uma lesão acabou com o sonho.

"Eu fiz um amistoso com o Palmeiras e me destaquei muito naquele jogo, fiz gol e tudo. Eles me chamaram depois, queriam que eu fosse fazer um teste lá no Palmeiras. Só que eu acabei me machucando e depois que eu voltei depois de dois meses tinha trocado o técnico. O futebol me deu uma disciplina muito boa", contou.

Técnico da equipe sub-17 do Palmeiras na época, Rodnei Claudio Alexandre contou que se lembra do episódio e de ter conversado com o treinador do Águias sobre dar uma oportunidade ao então jovem jogador.

"Nós fizemos um amistoso contra o Águias e ele despertou meu interesse. Falei com o Marcel, técnico dele na época. Eu tinha o objetivo de dar oportunidade aos atletas que jogavam contra nossa equipe e demonstravam recursos técnicos", contou Rodnei, que dirigiu o sub-17 do Palmeiras entre 2008 e 2010.

Jerry Smith já foi jogador de futebol - Reprodução/YouTube - Reprodução/YouTube
Imagem: Reprodução/YouTube
Jerry, então, trabalhou como barbeiro até que a música "Bumbum Granada", feita em parceria com o Mc Zaac, o levasse para os palcos. Rodrigo, então, conseguiu se tornar conhecido, mas como um dos maiores cantores de funk do Brasil na atualidade.

"Tentei o futebol, sempre gostei. Mas acabei parando com 17 anos e me perguntei o que ia fazer. Tentei a área de teatro, ator, barbearia e acabei caindo na música. A 'Bumbum Granada' nasceu num momento descontraído, onde a gente estava no home estúdio. Zaac fez uns pontos doidos e ele acabou criando isso aí. Tivemos a ideia de fazer algo em cima desse ponto", contou Jerry.

As vidas de jogador e de cantor não são muito distintas para Jerry. Em termos de correria no dia a dia, viagens e desgaste, o cantor acredita que as duas carreiras são puxadas da mesma maneira. Como ele mesmo diz, "É o pique!".

"Acho que ser cantor é bem puxado, porque é uma parada que vivo hoje. Mas ser jogador é tão puxado quanto. Cada um da sua forma. Eu, na parte de cantor, todo o final de semana não estou em casa e tem a correria da semana também. Assim como a questão do futebol, que tem concentração, treinamento".

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