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O dia em que Eusébio fez um estádio receber o dobro de sua capacidade

Torcedores se espremem e se penduram no placar para ver o Benfica de Eusébio - Reprodução
Torcedores se espremem e se penduram no placar para ver o Benfica de Eusébio Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

26/01/2019 04h00

É possível 18.243 torcedores assistirem a um jogo de futebol num estádio com capacidade total de 7 mil pessoas? Segundo uma biografia de Eusébio, referência do futebol português antes de Cristiano Ronaldo, sim. E foi justamente sua presença que culminou nesse fenômeno de público em 1968, em jogo da Taça dos Clubes Campeões Europeus, torneio que antecedeu a Liga dos Campeões.

O dia era 18 de setembro de 1968, uma quarta-feira. O local? O estádio Laugardalsvollur, situado em Reykjavik, capital da Islândia. Mas o que fez tantos islandeses se amontoarem para ver uma partida de futebol? O Benfica de Eusébio.

O time português era um fenômeno na época. Bicampeão europeu em 1961 e 1962, também disputou outras três finais continentais naquela década, a última delas justamente na edição anterior ao jogo em questão.

Mas todos queriam ver Eusébio. No intervalo do duelo entre Benfica e Valur, centenas de crianças e curiosos mais velhos estavam no gramado à espera do craque português. Rodeado por tantos fãs, Eusébio foi atencioso com seus admiradores, como recorda Sigurrur Dagsson, goleiro do Valur aquele dia, em depoimento à biografia de Eusébio.

"Foi surreal, um lindo dia de comemoração, com uma atmosfera incrível. Eusébio brincava com as crianças e dava autógrafos, algo que dificilmente se veria nos dias atuais", opinou o goleiro.

Tamanho assédio fez o reinício do jogo demorar mais que o comum. O intervalo, segundo depoimentos da época, durou 30 minutos, tempo necessário para tirar todos os torcedores de campo.

Fora do gramado, as mais de 18 mil pessoas estavam amontoadas. Algumas se penduraram no placar do estádio. Considerando que a população total da Islândia nos anos 1960 estava próxima de 200 mil, quase 10% do país estavam no jogo para ver Eusébio e seu Benfica.

A atmosfera, inclusive, pode ter contribuído para o que foi um resultado histórico para o Valur, que segurou o empate sem gols no confronto, válido pela primeira fase. Na partida de volta, as coisas voltaram ao normal: o Benfica goleou por 8 a 1.

Por décadas, o público registrado em Valur x Benfica naquele setembro de 1968 foi o recorde nacional em partidas de futebol, marca conquistada graças à paixão pela bola em um país que, anos depois, faria história na Eurocopa e na Copa do Mundo.

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