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Funcionária relata assédio em festa no Mineirão e registra B.O.

Karina trabalhou como estagiária no Museu Brasileiro do Futebol, no Mineirão - Arquivo Pessoal
Karina trabalhou como estagiária no Museu Brasileiro do Futebol, no Mineirão Imagem: Arquivo Pessoal

Beatriz Cesarini

Do UOL, em São Paulo

21/01/2019 15h39

Ex-estagiária do Museu Brasileiro do Futebol, localizado no Mineirão, Karina Rezende relatou ter sofrido assédio por parte de um funcionário na festa de fim de ano da empresa realizada dentro do próprio estádio. A jovem de 21 anos registrou Boletim de Ocorrência e procurou a administração do estádio, que diz ter tomado providências necessárias. 

Formada em história, Karina trabalhou como estagiária no Museu Brasileiro do Futebol até 12 de dezembro de 2018, data de encerramento de seu contrato com a Minas Arena, empresa que administra o Mineirão. Apesar disso, naturalmente, ela foi convidada para participar da festa de fim de ano dos funcionários do estádio. No evento, realizado em 19 do mesmo mês, ela diz ter sofrido assédio.

"Na festa de final de ano de 2018, eu estive presente, os funcionários, diretorias estiveram. Na ocasião, todos estavam dançando, tirando fotos, assinando o álbum de figurinhas da empresa. E um funcionário de outro setor, que inclusive eu não sabia o nome, me chamou e pediu para que eu tirasse uma foto com ele. Falei: 'tudo bem, sem problemas'. Tinham uma cabine de fotos dentro da tribuna do Mineirão, em um espaço bem visível, inclusive. E no momento que a gente entrou na cabine, ele apertou o botão para tirar a foto, segurou meu rosto, pelo pescoço, com as duas mãos, e tentou forçar o beijo", explicou Karina ao UOL Esporte.

Ainda abalada, Karina entrou em contato, no mesmo dia, com a sua antiga coordenadora, que se sensibilizou com o ocorrido e prometeu tomar providências junto à administração do Mineirão. Mas, segundo a jovem, as respostas vieram apenas em janeiro deste ano. Enquanto esperava o retorno, Karina foi à Delegacia da Mulher de Belo Horizonte e fez um Boletim de Ocorrência, registrado como crime de "importunação ofensiva ao pudor".

Sem respostas concretas, Karina decidiu tornar o caso público e relatou a situação em seus perfis nas redes sociais no último domingo (20). A administração do Mineirão, então, entrou em contato com a ex-funcionária.

"A gerente de comunicação, me ligou falando que tinha esperado para me ligar, mas que eles não poderiam falar o que aconteceu ou o que aconteceria com o funcionário, porque é um caso sigiloso da empresa e eu não era mais funcionária", contou Karina.

A jovem ainda questionou sobre a foto que foi tirada na cabine, que poderia ser usada como prova. Apesar disso, o Mineirão disse que não poderia fornecer a imagem para a ex-funcionária por questões jurídicas.

Em contato com a reportagem do UOL Esporte, a administração do Mineirão diz ter tomado providências em relação ao funcionário, mas destacou que tais atitudes não podem ser divulgadas, porque é uma questão sigilosa da empresa.

Além disso, a Minas Arena alega que está à disposição das autoridades e que fornecerá a imagem da cabine de foto caso os responsáveis pela investigação do caso solicitem.

Confira a nota da Minas Arena enviada ao UOL Esporte:

O Mineirão repudia qualquer tipo de assédio e, desde que o caso foi comunicado à gestão da empresa, o assunto foi conduzido por meio de comitê interno e assessoria técnica especializada no assunto, para resguardar os envolvidos, dentro dos limites éticos e legais.

Em função do post público da Karina, a concessionária informa que ela foi convidada para a festa de confraternização mesmo não sendo mais colaboradora da empresa. Ainda assim, após apuração interna rigorosa e sigilosa para esclarecer os fatos, foram tomadas as medidas que competem a uma empresa realizar e que, por observância à legislação brasileira, não podem ser divulgadas em função do sigilo que deve existir na relação empregado-empregador.

Este retorno foi dado a Karina na última sexta-feira e, para aprimorar ainda mais a consciência de seu público interno, o estádio está desenvolvendo treinamentos para seus funcionários e parceiros identificarem casos de abusos e assédios e entenderem a gravidade e as possíveis consequências desses atos. Um treinamento geral acontecerá na última semana de janeiro.

O Mineirão reforça que está à disposição das autoridades competentes para fornecer as informações que se façam necessárias para o esclarecimento do ocorrido. Combater o assédio ou qualquer outra atitude que possa comprometer a integridade de alguém é um compromisso assumido publicamente pelo Mineirão desde 2017, por meio de campanhas internas e externas, bem como com a Rede Brasil do Pacto Global, protocolado na ONU. A empresa considera extremamente importante que esse tema seja amplamente discutido, principalmente no meio do futebol, como forma de conscientização e prevenção.

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