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Agente é suspeito de "compra de favores" e transações irregulares no Inter

Carlos Pellegrini era vice de futebol do Internacional na gestão Vitório Píffero - Jeremias Wernek/UOL
Carlos Pellegrini era vice de futebol do Internacional na gestão Vitório Píffero Imagem: Jeremias Wernek/UOL

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

18/01/2019 12h00

Um dos agentes mais famosos do país, que trabalhou em negociações de estrelas como Marquinhos, Oscar e David Luiz, ou jovens promissores como Thiago Mendes, Militão e David Neres, também aparece na investigação do Ministério Público sobre repasses irregulares no Internacional. Giuliano Bertolucci é suspeito de transferir valores para dirigentes através de empresas para garantir futuros negócios. 

Nos documentos da investigação acessados pelo UOL Esporte, Bertolucci surge, primeiro, com depósitos (descobertos através de quebra de sigilo bancário) para empresa Stadium Consultoria e Assessoria Administrativa e Tecnologia. O repasse de R$ 150 mil ocorreu em duas datas: R$ 80 mil em 28 de novembro de 2014 e R$ 70 mil em 12 de dezembro do mesmo ano. 

Um dos sócios da Stadium é Alexandre Limeira, que viria a ser empossado como vice de administração do Internacional meses mais tarde. 

Na mesma data do primeiro depósito, R$ 30 mil foram repassados pela empresa ao futuro vice de futebol vermelho, Carlos Pellegrini. E no primeiro dia útil após o segundo depósito, outros R$ 30 mil para o mesmo destinatário e R$ 20 mil para Alexandre Limeira. 

A mesma empresa, nos dias 7 e 14 de novembro daquele ano havia repassado R$ 45 mil e R$ 20 mil para a conta do ex-presidente, então candidato, Vitório Píffero. A soma dos valores totaliza R$ 145 mil, apenas R$ 5 mil a menos do que o repassado por Bertolucci para empresa. 

Segundo apurou o UOL Esporte, o dinheiro tratava-se de um pedido de auxílio de Píffero a vários empresários para custear a campanha que o levou à presidência do Internacional. Bertolucci ajudou, até pela relação que tinha com a direção em razão da negociação de Oscar anos antes. Outros agentes também ajudaram. 

A gestão Vitório Píffero ainda não havia sido eleita, ou mesmo Pellegrini era vice de futebol. O ex-dirigente passou a ocupar este cargo acumulado ao de diretor de futebol em janeiro, quando Luiz Fernando Costa, natural titular da pasta, morreu. Em julho ele foi definido como vice.

Mas, segundo investigação do MP, os depósitos seriam "favores" que estreitaram a ligação para a contratação de Réver, efetivada em janeiro daquela temporada. Na ocasião, o Palmeiras disputava com Inter o acordo e o jogador acabou fechando com Colorado. 

Por outro lado, de acordo com a apuração do UOL Esporte, Bertolucci não participou desta negociação ou mesmo de qualquer outra com o clube gaúcho neste biênio sob investigação. 

Triangulação através de empresas

Não foi apenas esta vez que o megaempresário aparece na investigação do Ministério Público sobre as contas da gestão 2015/2016 do Internacional. 

Em 11 de agosto de 2015, o clube gaúcho repassa R$ 10,2 milhões a Bertolucci em razão de um percentual dos direitos econômicos de Oscar, referentes a transferência do meia para o Chelsea. O valor estava determinado em contrato e se tratava de parcelas de percentuais da venda ocorrida em julho de 2012. 

E em seguida, persistiram os repasses, segundo investigação do Ministério Público, mas não de forma direta. A transação passou a acontecer através de terceiros. Carlos Alberto Fedato de Oliveira transferiu R$ 404.488,00 para empresa Bramex-Fer Comércio de Ferros e Recicláveis Ltda. E R$ 113,321,00 para Bruno Gomes da Silva, sócio de seu pai, Carlos Alberto Fedato, na Bramex Service Comércio e Serviço de Ferros Ltda. 

Segundo a investigação, o nome e a ligação familiar une as empresas. Além disso, ambas teriam sede na mesma rua, além da óbvia semelhança no nome. Entretanto, o MP não verificou qualquer construção nos endereços das empresas ou mesmo conseguiu encontrar qual o serviço oferecido no site delas. 

Carlos Alberto de Oliveira Fedato é representante de duas contas bancárias de Bertolucci, segundo a investigação do Ministério Público. Referindo, assim, para a entidade, estreia relação entre todos eles, pessoas físicas e jurídicas. 

Em nome de Bruno Gomes da Silva e da Bramex foram repassados R$ 70 mil para a conta de Carlos Pellegrini. Em junho de 2015, portanto antes do repasse do valor referente a venda de Oscar, outros R$ 20 mil haviam sido depositados.  Nos meses seguintes, R$ 50 mil em parcelas de R$ 10 mil cada através da empresa. 

Em 15 de maio de 2015, a filha de Carlos Pellegrini, Maria Eduarda Viegas Pellegrini, recebeu da empresa Vitoriafer Reciclagem Ltda, que tem vínculo financeiro com a Bramex, o valor de R$ 14.999,00 através de dois depósitos. 

A quebra de sigilo bancário de Pellegrini (junto a os demais ex-dirigentes investigados) encontrou mais de R$ 29 mil depositados pela filha, ampliando a suspeita de triangulação. 

Por fim, nas contas do ex-vice de futebol do Inter, apenas R$ 1.280,00 foram depositados em dinheiro no período anterior ao início de sua trajetória como pilar importante no principal departamento do clube. De 5 de janeiro de 2015 até 3 de janeiro de 2017, período da gestão investigada, foram 67 depósitos totalizando R$ 333.440,92. A maioria deles sem identificação. 

O que dizem os advogados?

Procurado pela reportagem do UOL Esporte, o advogado de Carlos Pellegrini, Jorge Teixeira, disse que tudo será explicado quando seu cliente for intimado. 

"O MP afirma muita coisa que estamos analisando, por exemplo, o Pellegrini é investigado por receber valores do Marquinhos, Marcos Gabriel (atualmente no Corinthians). Foram depositados valores pelo Marquinhos na conta do Pellegrini que, como advogado, fez o divórcio dele. Fernando Otto (empresário também investigado pelo MP) era empresário do Marquinhos e na época depositou valores na conta do Pellegrini referente a honorários advocatícios e despesas de viagem para o processo de divórcio do Marquinhos. O Rogério Braun (empresário também investigado) depositou valores na conta do Pellegrini devido a um trabalho de prospecção visando patrocínio para o Quarto Congresso Internacional de Futebol realizado na Arena do Grêmio em novembro de 2016. Pellegrini conseguiu patrocinadores para este congresso realizado pela empresa de Rogério Braun. Tudo será explicado", disse. 

A reportagem do UOL Esporte confirmou que Carlos Pellegrini trabalhou como advogado no início do processo de divórcio de Marquinhos Gabriel, entre 2014 e 2015. Pelo trabalho, recebeu R$ 32 mil em variados depósitos, presentes na investigação do Ministério Público. 

Ainda de acordo com apuração do UOL, o empresário Giuliano Bertolucci não foi informado sobre o trâmite. As demais partes irão se manifestar apenas através da Justiça.

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