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Mudança deixa delegado chave em Operação Cartola fora de casos de corrupção

Delegado Lucas Sá - Polícia Civil PB
Delegado Lucas Sá Imagem: Polícia Civil PB

Marcello De Vico

Do UOL, em Santos (SP)

16/01/2019 15h58

Principal homem à frente da investigação da Operação Cartola, responsável por desvendar um poderoso esquema de corrupção no futebol paraibano, o delegado Lucas Sá voltou a ter seu cargo alterado pela Secretaria de Segurança Pública da Paraíba. Em menos de três meses, ele foi transferido de função duas vezes com a justificativa de 'adequação administrativa'.

A primeira mudança aconteceu em outubro de 2018, quando o então governador Ricardo Coutinho (PSB) promoveu alterações nos comandos das principais delegacias de polícia da Paraíba. Delegado titular de Defraudações de João Pessoa (PB), Lucas Sá foi movido para o cargo de delegado adjunto de Delegacia Especializada.

Coincidentemente, essa alteração ocorreu três dias após a TV Globo veicular uma reportagem no Esporte Espetacular que apontava interferência política nas acusações do futebol da Paraíba. A matéria expunha conversas e indícios de que o governador Ricardo Coutinho (PSB) sabia de um esquema de propina.

Na época, o então Secretário de Segurança Pública do Estado, Claudio Lima, negou que a motivação tenha sido a veiculação da reportagem. Segundo ele, as mudanças representaram uma estratégia de gestão.

Já a segunda mudança, realizada no início dessa semana e publicada no Diário Oficial do Estado, moveu Lucas Sá para o cargo de delegado titular de Delegacia Distrital de Cabedelo, região metropolitana de João Pessoa (PB). Ou seja, uma 'delegacia de bairro' que cuidará de crimes bem mais rasos se comparado com o que ele estava acostumado há meses atrás.

Na prática, Lucas Sá não terá mais atribuição para investigar casos mais complexos, como corrupção e organização criminosa. Agora, ele cuidará apenas de infrações de menor potencial. Na visão da Secretaria de Segurança, porém, a mudança não significa um rebaixamento.

"Na verdade, ele não foi rebaixado, pelo contrário. Ele está com um cargo maior. Ele agora é titular de uma distrital do município mais forte que tem aqui no Estado, superimportante. Isso é um procedimento normal. Tem que fazer um remanejamento e as adequações buscando sempre a melhoria na prestação de serviço. Nenhum policial ou delegado é maior do que a instituição. Então o que precisa é haver algumas adequações administrativas no sentido de melhorar a prestação de serviço para a população", disse Jean Nunes, secretário de Segurança Pública da Paraíba, em entrevista ao UOL Esporte.

"Não existe, ao contrário do que alguns querem pregar, inamovibilidade na polícia, não. Não existe achar que, porque fez uma operação ou outra, vai ficar preso na delegacia por um determinado tempo. Eu já fui delegado de várias delegacias e já fui transferido de várias delas e sempre entendi como um ato administrativo normal", acrescentou.

Operação Cartola investiga corrupção no futebol paraibano - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

A Operação Cartola foi desencadeada no dia 9 de abril, quando Polícia Civil e Ministério Público revelaram um enorme esquema de corrupção no futebol da Paraíba - incluindo manipulação de resultados e pagamento de propina - com a participação de dirigentes da Federação Paraibana de Futebol, clubes e árbitros.

A Operação Cartola investigou mais de 100 pessoas e já resultou no banimento de cinco dirigentes e nove árbitros após julgamento do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).

Repercussão negativa na Paraíba

A nova mudança de Lucas Sá rendeu uma série de críticas negativas ao governo da Paraíba e à Secretaria de Segurança Pública do Estado. Através das redes sociais, diversos políticos classificaram a ação como 'perseguição'. Entre eles, Wallber Virgolino (PATRI), deputado estadual, e Julian Lemos (PSL) e Pedro Cunha Lima (PSDB), deputados federais.

"Eu vi alguns comentários, mas a verdade é essa. São adequações administrativas. Não foi só ele que foi remanejado, uma série de outros delegados foi. Ele deixou de ser adjunto para ser titular de uma municipal na região metropolitana", acrescentou Jean Nunes.

A Paraíba não será um lugar onde os bons serão oprimidos para sempre. O deputado federal, Julian Lemos (PSL) criticou o governador João Azevêdo (PSB) pela decisão de nomear o delegado Lucas Sá para Delegacia Distrital de Cabedelo, segundo o deputado, uma forma de retaliação e perseguição ao delegado, que foi o responsável pela Operação Cartola. ?Um delegado da qualificação de Lucas Sá não pode ser rebaixado dessa forma por perseguição política do ex-governador e agora endossado pelo atual governador. Tá na cara que Lucas é vítima da intolerância dos socialistas, que não suportam sequer uma crítica, imagina ter o nome citado na Operação Cartola?, afirmou. O parlamentar ressaltou que o histórico de perseguição governo de Ricardo Coutinho a policias era ato rotineiro. ?Esse histórico de perseguição a policias e delegados era rotina, mas dessa vez, a categoria tem voz. Os profissionais da segurança pública não serão calados. Foram oprimidos durante oito anos de governo, mas agora podem contar com um deputado federal comprometido com a categoria?, enfatizou. Lemos criticou, também, a total falta de autonomia de João Azevêdo. Para o parlamentar, o atual governador é uma espécie de marionete de Ricardo, não tem identidade própria nem autonomia e demonstra que vai seguir os passos do seu antecessor no tocante à perseguição aos que pensam contrário. ?João não tem identidade própria. É manipulado o tempo todo por Ricardo Coutinho. Veja a nomeação dos secretários. Todos foram nomeados por Ricardo. O governo é a cara de Ricardo, não tem autonomia. O pior e que ele copia a face mais reprovável do caráter do ex-governador, que é a perseguição a quem não balançar a cabeça para o rei?, declarou. #Julianlemosdeputadofederalpb

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