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Milagre, paciência e 'uma vida' no clube: Grohe dá adeus ao Grêmio

Marcelo Grohe deixa o Grêmio após quase 19 anos no clube e vai para o futebol árabe - AP Photo/Wesley Santos
Marcelo Grohe deixa o Grêmio após quase 19 anos no clube e vai para o futebol árabe Imagem: AP Photo/Wesley Santos

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

28/12/2018 04h00

Marcelo Grohe vai deixar o Grêmio. Durante muito tempo esta frase não esteve sequer na cabeça do jogador que completará 32 anos em janeiro. Mas as cifras do futebol árabe mudaram o projeto de ter no Tricolor o único clube da carreira, que por pouco não se concretizou. O goleiro vai embora, mas carrega uma história de títulos, uma defesa inesquecível e o legado de paciência para esperar a sua vez. 

Qualquer um que conviva com o contexto do Grêmio sabe que Marcelo, antes mesmo de ser também conhecido pelo sobrenome, era um goleiro de futuro. Egresso ainda nas escolinhas, com apenas 13 anos, o menino natural de Campo Bom, no Rio Grande do Sul, teve 'uma vida' ligada ao Tricolor. Fecha-se um período de quase 19 anos. 

E nem sempre foi dele o primeiro posto na escalação. Marcelo batalhou, e muito. Por pouco não desistiu de tanto que precisou esperar. Deixa, com isso, uma lição da paciência vital para um camisa 1. 

Disputou a primeira partida no principal ainda em 2006, mas acabou preterido para chegada de Sebastian Saja. Em seguida foi suplente por longos anos de Victor. Só que a negociação com o Atlético-MG lhe deu um semestre de titularidade em 2012. E ele foi muito bem. 

Seguro, não falhou uma vez sequer, repetindo a rotina de boas atuações que tinha quando o antigo dono da vaga era chamado para seleção brasileira. Mas não foi o suficiente para convencer Vanderlei Luxemburgo. Para 2013, Luxa impôs a contratação de Dida, reconduzindo Grohe ao banco. 

Irritado, ele decidiu: se a situação não mudasse em 2014, deixaria o clube. Grohe se sentia injustiçado, queria jogar. Foi quando o Grêmio preferiu intervir e mudou o rumo da história. Luxa foi demitido e a escalação gremista começou, a partir de 2014, por Marcelo Grohe. Assim foi até os dias atuais. 

Grohe viveu o pior momento recente do Grêmio com a campanha da Série B de 2005, quando era parte do grupo mas não chegou a atuar. O início da reconstrução em 2006, mas a oscilação e o longo período sem grandes conquistas. Era justo que também vivesse a glória. E viveu. 

Esteve nos braços dele a taça de campeão da Copa do Brasil de 2016. Marcelo pegou o pênalti que evitou a eliminação nas oitavas de final para o Atlético-PR. E na Libertadores de 2017, uma defesa histórica na semifinal contra o Barcelona de Guayaquil rendeu uma série de homenagens. É comum que atacantes sejam sempre lembrados por gols. Marcelo será por, cara a cara, ter parado um tiro frontal de Ariel e evitado que a meta fosse vazada no Equador. Grêmio campeão ao fim do torneio. 

Em seguida vieram a Recopa, o Gauchão, e quis o destino que o último jogo dele fosse trágico. Contra o River Plate, uma partida recheada de polêmicas encerrou a temporada 2018 e o sonho do bicampeonato (seguido) da Libertadores para o Grêmio. Lesionado, viu de fora a conclusão do ano e agora se despede. 

Grohe sabia do interesse dos árabes há muito tempo. Consultou amigos sobre o clube, conversou com o ex-colega Tcheco, que atuou no Al-Ittihad. A primeira investida não agradou, houve uma contraproposta, e a cifra combinada com toda história de serviços prestados pesaram para a saída. Grohe será anunciado em breve pela equipe amarela e preta, mas sempre carregará um pouco do azul que ostentou por tanto tempo. 
 

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