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MLS cresce e ameaça reino do Brasileirão fora da Europa, diz agência

Rooney e Ibrahimovic: destaques na MLS, que cresce e ameaça o Brasileirão - Laurence Griffiths/Getty Images
Rooney e Ibrahimovic: destaques na MLS, que cresce e ameaça o Brasileirão Imagem: Laurence Griffiths/Getty Images

Napoleão de Almeida

Colaboração para o UOL

21/12/2018 04h00

A Major League Soccer (MLS), liga norte-americana de futebol, atingiu o patamar de US$ 778 milhões em arrecadação na temporada 2017, encostando no Brasileirão como o principal campeonato de futebol do mundo fora da Europa. O Campeonato Brasileiro levantou US$ 1,136 bilhão em 2017, mas o gráfico elaborado pela agência Sports Value aponta queda no Brasil e crescimento nos EUA. Atualmente, o país é considerado o sexto mercado mundial do futebol, perdendo para as ligas de Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália e França.

"A crise econômica no Brasil e seus efeitos no câmbio também impactaram nos dados", argumenta Amir Somoggi, sócio-diretor da Sports Value, "O crescimento da MLS de mais de 77% em quatro anos é fruto da boa gestão da liga e também do maior interesse pelo soccer e mais times participando da competição. Soccer é o esporte preferido de 11% dos jovens americanos e 12% das crianças. Somente fica atrás do futebol americano."

Outro dado apontado pela agência e que traz preocupação para o futebol brasileiro é o desinteresse crescente dos jovens pelo futebol. Em 2010, pesquisa do Datafolha apontava que 31% dos brasileiros não tinham interesse em futebol; o número subiu para 41% em 2018. Já o índice de jovens brasileiros (entre 16 e 24 anos) que passaram a ter um time europeu cresceu exponencialmente: de 64% em 2013 para 69% em 2015 e 72% em 2017.

"A Série A do Brasil é uma grande desconhecida dos 3,5 bilhões de consumidores globais de futebol. Para crescermos teremos que mudar muito. O mercado americano de soccer terá uma expansão de receitas até a Copa do Mundo de 2026. A MLS se valorizará muito nesse período, com grandes chances de ultrapassar o Brasil como maior mercado emergente do mundo. Para os clubes brasileiros resta correr atrás do prejuízo e procurar urgentemente implementar mudanças reais na gestão de suas marcas. E do ponto de vista coletivo, entender que é fundamental construir uma nova realidade em termos de competição", projeta Somoggi.