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Irritação diminui, mas Marquinhos espera reforço para voltar à zaga no PSG

FRANCK FIFE / AFP
Imagem: FRANCK FIFE / AFP

João Henrique Marques

Do UOL, em Paris

20/12/2018 04h00

A boa fase de Marquinhos no Paris Saint-Germain serviu como uma reviravolta em uma situação tida como problemática para o brasileiro. A irritação com a escolha de Thomas Tuchel para ser primeiro volante no time passou graças a ótimas atuações que o valorizaram ainda mais no clube. Apesar disso, a expectativa do zagueiro é a de voltar à posição de origem em 2019.

Marquinhos vê o PSG encarar a posição de volante como reforço obrigatório para a reabertura da janela internacional de transferências em janeiro. No setor que está sendo improvisado, o clube prioriza a vinda de Frenkie De Jong, do Ajax, mas a presença do clube holandês na Liga dos Campeões dificulta um acerto. Outra tentativa que esbarra no mesmo problema é a do brasileiro Fabinho, do Liverpool, um desejo antigo do clube francês. 

A improvisação de Marquinhos como volante foi um pedido de Tuchel no mês de agosto, logo na fase inicial da temporada. A aceitação ocorreu, mas os erros iniciais deixaram o brasileiro irritado com o treinador. Na seleção brasileira, o cenário como zagueiro não mudou, tendo ele ganhado a vaga de titular após a reserva na Copa do Mundo.

Na única derrota na temporada, o 3 a 2 para o Liverpool, dia 18 de setembro, a atuação ruim do improvisado Marquinhos, driblado no gol da vitória marcado por Roberto Firmino nos acréscimos, causou a sensação de que o posicionamento o prejudicava. O próprio jogador manifestou a irritação aos brasileiros do elenco, Daniel Alves, Neymar e Thiago Silva conforme apurou o UOL Esporte, dizendo trabalhar até com o cenário de saída do clube.

O incômodo ganhou força, pois no duelo seguinte da Liga dos Campeões, a goleada por 6 a 1 diante do Estrela Vermelha, Marquinhos foi reserva, e sequer entrou. A dupla defensiva foi formada por Thiago Silva e Kimpembe. A essa altura, a irritação ganhava contorno familiar, tendo o pai e empresário do jogador, Marcos Aoás, viajado a Paris para discutir a situação do brasileiro no clube e falar sobre interesse de outros grandes europeus.

Apesar do descontentamento de Marquinhos, Tuchel foi persistente. Encostou Rabiot - imbróglio de renovação de contrato com o PSG - e não deu espaço para Lassana Diarra ter sua chance. O brasileiro passou a atuar no meio-campo de forma fixa e teve grande evolução. Nos dois últimos jogos, por exemplo, os triunfos por 4 a 1 diante do Estrela Vermelha pela Liga dos Campeões, e 2 a 1 contra o Orleans, pela Copa da França, recebeu a nota 8 do jornal esportivo francês L'Equipe. 

Marquinhos e Tuchel - Christian Hartmann/Reuters - Christian Hartmann/Reuters
Imagem: Christian Hartmann/Reuters

"Ele me disse que precisava de alguém para garantir seu meio-campista. Ele viu em mim as qualidades para fazê-lo. Eu já havia jogado no centro de treinamento, mas essa não é a posição em que me sinto mais confortável. Desde então, ele falou muito comigo, mostrou muitas coisas para o vídeo que eu poderia melhorar. Seus assistentes também me ajudaram muito", disse Marquinhos em entrevista ao jornal francês Le Parisien.

"É normal que descobrir algo novo seja um pouco difícil. Mas ganhei confiança, joguei bons jogos e o treinador me deu muita confiança. Ele tenta me colocar em um papel onde me sinto mais confortável. Não me importo de fazer esforços para a equipe. Ele sabe onde me sinto mais confortável, onde gosto mais de jogar, mas prefiro pensar antes de mais no time do que em mim. É uma mentalidade, uma maneira de pensar sobre o time", completou o zagueiro.

"Eu sabia do potencial dele para atuar no meio-campo. Sabe abrir e fechar o jogo de forma correta e tem espaço para evolução. Gosta de crescer e é um dos nossos jogadores importantes", elogiou Tuchel.

Sem primeiro volante no elenco, Tuchel comentou ser essa a única necessidade obrigatória de mercado no PSG. No entanto, apenas uma contratação impactante para o setor fará Marquinhos voltar ao seu posicionamento de zagueiro. "É que o tempo passou, e agora precisamos de dois volantes como reforços, pois o Diarra está machucado (lesão no joelho). É o que vou esperar antes de pensar no time para a próxima temporada", explicou o treinador.

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