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Ex-Flu teve passaporte retido e trocou salário por liberdade e volta ao BR

Atacante Tartá, em 2010, em ação pelo Fluminense na época da conquista do Brasileiro - Wallace Teixeira/Photocamera
Atacante Tartá, em 2010, em ação pelo Fluminense na época da conquista do Brasileiro Imagem: Wallace Teixeira/Photocamera

Karla Torralba

Do UOL, em São Paulo

20/12/2018 04h00

O meia Tartá, campeão brasileiro pelo Fluminense em 2010, acusou seu clube no Irã, Foolad Khoozestan, de reter seu passaporte por cinco meses durante o período que esteve com o time. Diante da situação, para conseguir a rescisão e poder deixar o país, ele afirma que precisou assinar um documento e abrir mão de parte do acordo de 150 mil dólares (R$ 585 mil) que tinha com o clube.

Tartá contou seu drama primeiramente ao Globo Esporte e falou com o UOL nesta quarta-feira (19), por telefone. O meia estava no aeroporto esperando para embarcar para o Brasil após ficar sem passaporte. Ele ainda disse que ficou quatro meses sem salário, deixando de receber aproximadamente 40 mil dólares (R$ 155 mil). O jogador chegará ao Rio de Janeiro nesta quinta (20) após escala em Dubai. 

"Eles, para poder forçar uma situação na qual me devem quatro meses de salário, para não pagar, eles travaram o meu passaporte e ficaram com esse tipo de ameaça de que eu não sairia do país. Então, eu comecei a pedir ajuda. Eles não acertaram comigo, nem nada, eu tive que assinar um documento com eles, mas o que mais importava no momento não era mais o dinheiro e somente retornar para a minha família", disse.

Ex-Cruzeiro também sofre sem passaporte

Tartá disse que o zagueiro Neguete, ex-Cruzeiro, também voltará ao Brasil nesta quinta (20) após passar pelo mesmo problema. 

Segundo ele, para ter o passaporte de volta, a embaixada brasileira no Irã precisou intervir. "Consegui o passaporte através da própria embaixada, falando com eles, eu também assinei o que eles queriam, coagindo, né? Usando da (minha) impotência. Eu tinha um contrato no valor total de 150 mil dólares e, na verdade, eles só me pagaram uma parcela do valor combinado, que foi na chegada, quando eu cheguei aqui no clube. Desde então, não pagaram mais, sempre com desculpas e assim foi até agora", relatou.

Tartá relatou que o clube do Irã pegou o passaporte assim que chegou ao país, em julho para "resolver questões trabalhistas" e não devolveu mais. 

"Meu passaporte já estava retido com eles, eu só não tinha tomado consciência disso, mas desde que eles pegaram o meu passaporte para resolver questões de visto de trabalho, eles não me devolveram mais, então isso já estava planejado, né? Para que no meio da temporada eles pudessem fazer isso, eles não pagaram os seus compromissos e fica de lição de aprendizado e de alerta para outros para quando vierem, principalmente para este país", ressaltou. 

"Eu posso dizer o que eu vivi aqui não foi nada legal. São pessoas bem difíceis, tem sua lei, pouco caráter, então tem que tomar cuidado. Fiquei cinco meses aqui e foram muitos os problemas", completou.

O meia apareceu para o futebol no Fluminense e tem passagens por Atlético-PR, Goiás, Vitória, Bragantino, Criciúma, futebol japonês e outros. Ele esteve no Brasiliense no primeiro semestre de 2018. Tartá tinha contrato com o clube iraniano até maio de 2019. A volta ao país, no entanto, está descartada. "Não tenho nada para 2019, mas espero ter um ano abençoado para esquecer este segundo semestre. Ficam as lições. Estou motivado em mudar a página. Espero encontrar oportunidades boas no Brasil", finalizou.

O UOL Esporte entrou em contato com o Foolad Khoozestan através de e-mail, mas o clube ainda não respondeu à mensagem. 
 

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