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Caso Daniel: defesa vê prisão "absurda" e diz que gêmeo não agiu em crime

Eduardo Purkote teve o pedido de prisão pedido pela polícia por suposto envolvimento na morte do jogador Daniel - Reprodução
Eduardo Purkote teve o pedido de prisão pedido pela polícia por suposto envolvimento na morte do jogador Daniel Imagem: Reprodução

Bruno Abdala e Pedro Lopes

Do UOL, em São José dos Pinhais, PR e São Paulo, SP

16/11/2018 13h01

Preso nesta quinta-feira como o sétimo suspeito de envolvimento no assassinato do jogador Daniel, Eduardo Purkote recebeu nesta sexta a visita de seu advogado na 1º Delegacia Regional de São José dos Pinhais. Um dos irmãos gêmeos que estavam na casa de Edison Brittes, local do crime, Eduardo é acusado em depoimentos de agredir Daniel, quebrar seu celular e pegar a faca utilizada no homicídio. Sua defesa nega as acusações.

“Ele não participou em momento nenhum, pegando faca, agredindo, pegando celular. Isso tudo foi dito por pessoas diretamente envolvidas no crime. Ele não participou em momento nenhum da violência, da agressão, da morte do Daniel. Ele está psicologicamente abalado, triste com a situação. Está aguardando para prestar os esclarecimentos quando for chamado”, diz o advogado Fábio Vieira.

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A defesa de Purkote considerou a prisão “absurda”, e afirmou que seu cliente estava à disposição para comparecer voluntariamente à delegacia caso solicitado. A família do suspeito de 18 anos estaria “consternada”. Purkote divide cela com outros cinco presos, considerados de baixa periculosidade.

“A prisão aconteceu de forma surpreendente, sem fundamento nenhum. Absurda, ele estava à disposição, foi preso por depoimentos de pessoas diretamente envolvidas no crime. Na verdade, conversamos que se fosse preciso traríamos ele na delegacia, até mesmo se tivesse alguma necessidade de ficar preso”, disse o advogado. “Estão assustados, consternados. Na segunda-feira, após o depoimento, ingressaremos com medidas cabíveis para tirar ele”.

Além do depoimento de Purkote, o caso deve ter novidades na próxima quarta, quando serão divulgados os laudos periciais sobre o local do crime e causa da morte.

Em depoimentos à polícia, ao menos dois suspeitos disseram que ambos os irmãos Purkote participaram das agressões a Daniel. Edison Brittes, o Juninho Riqueza, afirmou que apenas um dos gêmeos agrediu Daniel. Uma testemunha, por sua vez, declarou que um dos Purkote bateu no jogador enquanto o outro tentou impedir o irmão de continuar a agressão.

Daniel começou a ser espancado já na manhã de sábado, depois de uma noite em que todos os convidados beberam muito, o que pode dificultar ainda mais a identificação de duas pessoas tão semelhantes. A polícia precisou se fiar em características como penteado e cor da roupa para identificar o suspeito.

Eduardo e seu irmão (considerado testemunha) são filhos de Viviane Purkote Melo, uma corretora imobiliária de São José dos Pinhais (PR), que foi candidata a vereadora pela Rede nas eleições de 2016 e perdeu. São também enteados de Jairo Melo, vice-prefeito da cidade entre 2009 e 2012, que já foi vereador e secretário. Jairo tentou se eleger deputado estadual pelo MDB no último pleito, mas não conseguiu.

Os irmãos são amigos de Allana Brittes da época do colégio e conhecidos na cidade por frequentarem eventos políticos ao lado do padrasto. Moradores de um condomínio fechado de alto padrão, gostam de festejar em raves. Eduardo, considerado o mais agitado e comunicativo, também já participou de campeonatos de muay thai.

A defesa dos irmãos afirma que ambos são inocentes. Em seus depoimentos, eles negaram qualquer participação nas agressões ao jogador. Eles também não estavam no carro no qual Daniel foi levado para ser morto em uma plantação de pinheiros. Os irmãos disseram se sentir ameaçados por Edison Brittes, o Juninho, que em um encontro no shopping dois dias depois do crime, pediu para eles não contarem a verdade sobre a morte de Daniel.

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