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Suspeito diz que Cristiana não acusou estupro e quis evitar surra em Daniel

Divulgacao/saopaulosp.net
Imagem: Divulgacao/saopaulosp.net

Adriano Wilkson, Bruno Abdala e Karla Torralba

Do UOL, em São Paulo e São José dos Pinhais (PR)

12/11/2018 20h08

Suspeito de participar do assassinato do jogador Daniel Corrêa, Eduardo da Silva prestou depoimento nesta segunda-feira (12). No interrogatório, Eduardo, de 19 anos, que é namorado de uma prima de Cristiana Brittes, afirmou que a mulher de Juninho Riqueza não acusou ter sido estuprada por Daniel na manhã em que o jogador foi morto.

Segundo o suspeito, que foi preso na semana passada, Cristiana o procurou enquanto ele descansava em um dos quartos da casa, buscando socorro para evitar o espancamento do atleta, que participava da festa de aniversário de sua filha Allana. No relato do interrogatório, ao qual o UOL Esporte teve acesso, se lê o seguinte:

“Embora estivesse dentro da casa, afirma que em nenhum momento ouviu Cristiana chamar por socorro, sendo que ela foi responsável por chamar o interrogado na parte superior da casa e ela disse que o ‘moleque estava tentando mexer nela’, mas que ela não disse nada de estupro.”

Recorte anti-estupro - Reprodução - Reprodução
Reprodução de depoimento do suspeito Eduardo, parente da família Brittes
Imagem: Reprodução

Antes de ser espancado e morto, Daniel mandou áudios, fotos e mensagens pelo Whatsapp se referindo a Cristiana dormindo e posando ao seu lado. Edison Brittes, o Juninho, afirma que espancou e matou Daniel porque ele teria tentando estuprar sua esposa.

À polícia Eduardo, que é namorado de uma prima de Cristiana, disse que “enquanto estava no quarto [...] Cristiana chegou no quarto falando ‘ajuda o piá, que o Júnior está batendo nele, porque ele estava mexendo em mim, e não deixa o Júnior bater nele’”.

Apesar de não ter visto o que Daniel de fato fez com Cristiana, Eduardo afirma que participou do espancamento do jogador, incentivado por Juninho.

“Talarico tem que ser capado, esse gambá”

O parente dos Brittes também afirmou que ele, Juninho, David Vollero e Igor King entraram no Veloster preto já com a intenção de emascular Daniel, que foi posto no porta-malas do carro. O relato vai de encontro com os depoimentos de David e Igor, que haviam dito ter tido a intenção de apenas jogar o atleta na rua e pelado.

Juninho teria usado o termo ‘talarico’, que pode significar traidor, para se referir ao jogador.

“Daniel cuspia sangue e se engasgava, e o interrogado o virou de lado, para se desafogar, e Júnior disse 'talarico tem que ser capado, esse gambá', informando que 'talarico’ é quem mexe com mulher de outro. Que Daniel estava tonto devido as agressões, mas respirava, porém não dizia nada, e então Júnior parou o carro de ré e disse: 'eu vou capar esse cara e preciso que vocês vão junto e vou jogar ele no meio da rua, e preciso de vocês, pois não vou conseguir fazer sozinho, preciso que vocês segurem."

Segundo o relato de Eduardo, todos entraram no carro espontaneamente. Em seguida, ele diz ter visto Juninho buscar uma faca e passar a lâmina no chão, como se a amolasse. No caminho até a plantação de pinheiros onde o corpo de Daniel foi encontrado, Juninho foi ficando mais irritado, olhando mensagens no celular do jogador.

Eduardo é a primeira testemunha a relatar com detalhes o momento da morte de Daniel. David e Igor disseram não ter visto a cena, ao passo que Juninho preferiu se calar quando questionado pelos policiais em seu interrogatório.

O relatório do depoimento de Eduardo diz o seguinte:

“Em dado momento, Júnior ficou mais sério e 'falava que ia capar o cara' [...] Ao parar o carro, Júnior desceu, e os demais também desceram, e Júnior abriu o porta-malas e tirou a própria camiseta e segurou Daniel, o puxando pelo cabelo, mas escapou, e então Júnior puxou Daniel pela camiseta, sendo que este caiu sobre Júnior, e este, com as pernas de Daniel ainda dentro do carro, passou a faca no pescoço de Daniel, e este caiu no chão. Que Júnior jogou Daniel no chão e continuou a cortar o pescoço dele, e Daniel tentava gritar, mas não conseguia, e Júnior tentava cortar a cabeça dele e ‘Júnior batia a faca como se cortasse um osso’”.

O suspeito afirma que não viu o momento em que o pênis de Daniel foi cortado, mas que Juninho admitiu o ato logo que voltou ao carro. Os quatro ainda pararam em uma loja para comprar roupas novas para o comerciante, além de duas garrafas de água mineral.

Natural de Foz do Iguaçu (PR), Eduardo afirmou aos policiais que voltou a sua cidade com a promessa de que Juninho assumiria toda responsabilidade sobre o crime. Ele resolveu se apresentar à polícia depois de ver a repercussão que o caso tomou.

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