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Filho de Magrão já defende Palmeiras e seleção, mas segue com pai 'na cola'

Filho de Magrão está nas categorias de base do Palmeiras há dois anos - Arquivo pessoal/Magrão
Filho de Magrão está nas categorias de base do Palmeiras há dois anos Imagem: Arquivo pessoal/Magrão

Marcello De Vico e Vanderlei Lima

Do UOL, em Santos (SP)

29/10/2018 04h00

Sabe aquele pai 'chato', no bom sentido da palavra? Que fica em cima do filho, dá conselhos e tenta corrigir o que acha que o filho está fazendo de errado? Márcio Rodrigues, o Magrão, é um deles. Aos 39 anos e já aposentado dos gramados, o ex-jogador de São Caetano, Corinthians, Internacional e, principalmente, Palmeiras, clube por onde mais atuou na carreira, acompanha de perto a trajetória profissional de Pedro, um de seus três meninos - ele ainda tem uma menina. Coincidentemente, o filho de 14 anos já segue alguns dos passos do pai: também iniciou a carreira no time do ABC Paulista e hoje defende as cores alviverdes.

As boas atuações com a camisa do Palmeiras já renderam ao lateral esquerdo Pedro algumas convocações para a seleção brasileira sub-15, o que fez Magrão ficar ainda mais em cima do menino. "Eu queria evitar pressão em cima dele porque tem muitos jogadores que vão para seleção sub-15, são destaques, mas não chegam a lugar nenhum. Eu, por exemplo, nunca peguei seleção sub-15. Eu tenho que mostrar para ele que não é fácil, e o Pedro me escuta muito. O Pedro é mais técnico do que marcador, e é isso a cobrança que eu falo, para ele cruzar mais, vivenciar mais o jogo", disse o ex-volante em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.

"A gente é um pouco treinador, e, quando eu vou aos jogos dele, eu fico na minha, não deixo ele me ver para não causar nenhum constrangimento. Talvez se ele me vir vai querer mostrar algo a mais, então quando eu vou vê-lo jogar fico num cantinho escondido", disse o ex-jogador, que não esconde a preocupação que tem com o filho e revela um ensinamento passado ao herdeiro que foge do padrão dos 'bons modos': a malícia na hora de dividir uma bola com o adversário. E ninguém melhor que Magrão para falar sobre o assunto com propriedade, não é?

Pedro, filho do ex-jogador Magrão, em jogo da seleção brasileira sub-15 - Arquivo pessoal/Magrão - Arquivo pessoal/Magrão
Imagem: Arquivo pessoal/Magrão
"Eu cobro muito ele. Não cobro a parte tática, cobro o que ele acha que é bom porque acaba deixando de correr, de marcar, então eu cobro muito isso dele. Teve um dia que ele falou assim: 'Estou com o tornozelo inchado', e eu falei: 'Caraca, você só apanha. Pega forte, pega uma por cima que o cara não vem mais', e ele falou: 'Como assim, pai'? Eu disse: 'Eu vou te explicar como você tem que fazer, tem que fazer assim', e eu expliquei e disse: 'Você tem que ser um pouco mais malicioso', e ele deu risada. Mas é verdade", brincou.

E Pedro, o que acha das lições e da postura do pai? "Eu tento me espelhar nele, na forma que ele jogava, de não desistir, de raça", disse o menino de 14 anos. "Um tempinho atrás ele disse que eu estava precisando de mais garra, ele falou pra caraca. Disse que eu estava precisando de mais raça, de mais garra, e eu fui melhorando", acrescenta o atleta do Palmeiras, que desde os primeiros anos já sabia o que queria fazer da vida: "Desde pequeninho eu gostava de jogar bola". Teoria essa confirmada pelo pai: "O Pedro, desde os dois, três anos, ele só vivia com a bola debaixo do braço. Ele era o que mais ficava atrás de bola. Quando a gente ia nos treinos o pessoal sempre parava para ver ele treinar, bater na bola".

Mentirinha do bem: "pai, estou no Palmeiras"

Certo dia, Magrão teve uma conversa séria com o filho. Explicou a ele que jogar nos times defendidos por ele poderia lhe trazer uma pressão a mais. Pedro ouviu, mas acabou não seguindo os conselhos do pai. E há dois anos já veste a camisa do Palmeiras.

Filho do ex-jogador Magrão, Pedro, de 14 anos, hoje veste a camisa 6 do time de base do Palmeiras - Arquivo pessoal/Magrão - Arquivo pessoal/Magrão
Imagem: Arquivo pessoal/Magrão
"O Pedro estava no São Caetano, e aí o Internacional tinha interesse nele, ele tinha se destacado e o pessoal do Inter me ligou dizendo que queria o Pedro lá. Tinha uma situação do Corinthians, que tinha interesse nele, ele fez um baita campeonato paulista pelo São Caetano, jogava com a camisa 10, era o capitão do time, só que eu falei para o Pedro: 'Tem algumas coisas que eu queria te falar. Corinthians e Palmeiras são times que eu joguei. Talvez se você puder evitar, para não ter a pressão em cima de você. É totalmente diferente a realidade de hoje do que foi da minha época. Eu não queria essa pressão em cima de você. Já o Internacional, por eu estar morando em Porto Alegre, eu consigo até controlar essa certa pressão', isso pensando no futuro dele", relembra Magrão. Pois bem. Uma boa atuação ainda pelo São Caetano em um jogo contra o Palmeiras fez as portas do clube alviverde se abrirem para Pedro. E, independente dos conselhos dados pelo pai, ele não pensou duas vezes aceitou o convite.

"Ele veio de férias no fim do ano e escondeu de mim que estava no Palmeiras [risos]. E depois a mãe dele me chamou e disse: 'Olha, o Pedro quer falar com você'. Foi aí que eu descobri que o Pedro estava jogando no Palmeiras. Ele falou: 'Olha, pai, tem uns amigos meus que jogam no Palmeiras e o treinador me chamou, e por eu ter meus amigos lá eu achei legal. O treinador me ligou e eu fui para o Palmeiras'. E aí ele foi lá, fez os testes, começou a se destacar e as coisas foram acontecendo, e agora veio a convocação para a seleção brasileira, então foi tudo muito rápido e eu tive que acalmar ele. Ele se acalmou", diz Magrão.

"Foi a minha primeira convocação para a seleção brasileira. A gente ficou uma semana na Granja Comary e tiveram dois amistosos contra o Chile. Foi totalmente diferente. Eu me dediquei ao máximo. Em um jogo eu fui titular e no outro não. Agora eu fui convocado para uma competição lá no México, é um jogo amistoso", conta Pedro, que foi acompanhado de perto pelo pai. "Neste jogo contra o Chile eu falei: 'Você poderia ter feito isso, ter feito aquilo'. Eu cobro muito".

"Eu sou eu, meu pai é meu pai"

Apesar dos 14 anos, Pedro já mostra saber dividir e até esquecer possíveis comparações que serão feitas entre o futebol dele e do pai. E diz não sofrer pressão por isso. "Não, eu tenho isso comigo: eu sou eu, meu pai é o meu pai", afirma o menino de 14 anos que tem dois jogadores brasileiros como ídolo, ambos representantes de times europeus.

"Eu tenho dois ídolos atualmente: o Marcelo e o Neymar. O Marcelo é da minha posição e é o melhor que tem, e o Neymar gosto muito da velocidade dele", opina.

Magrão quer ver filho brilhar no Palmeiras

Magrão discursa para atletas logo após Palmeiras conquistar acesso para a Série A, em 2003 - FERNANDO SANTOS/FOLHA IMAGE - FERNANDO SANTOS/FOLHA IMAGE
Imagem: FERNANDO SANTOS/FOLHA IMAGE
É claro que o desejo do pai Magrão é ver o filho brilhando com a camisa de todos os clubes que defendeu. Mas ele não esconde que um eventual sucesso pelo Palmeiras - por onde conquistou o acesso para a Série A em 2003 - seria ainda mais especial. Até por sua história no clube e pela polêmica ida para o Corinthians que, na época (2006), provocou uma enorme revolta por parte da torcida alviverde.

"Eu queria ver ele no Palmeiras, pelo histórico que eu fiz no Palmeiras, depois pela minha saída do Palmeiras que ficou muito mal esclarecida, e a minha ida para o Corinthians. Então para mim seria muito legal vê-lo jogar no Palmeiras. Aliás, são dois clubes que eu queria que o Pedro jogasse, Palmeiras e Inter. O Palmeiras primeiro porque mudou a minha vida, me fez chegar à seleção brasileira. O Corinthians foi o meu time de criança, mas o Palmeiras foi onde eu virei homem, virei jogador; e o Inter por tudo que eu fiz e pelo respeito que eu tenho", finalizou.

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