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Divórcio, expulsão e racismo: o caminho dos Kompany na bola e na política

Kompany, zagueiro do City, viu o pai sofrer na Bélgica antes de virar prefeito e fazer história - Divulgação
Kompany, zagueiro do City, viu o pai sofrer na Bélgica antes de virar prefeito e fazer história Imagem: Divulgação

Do UOL, em São Paulo

27/10/2018 04h00

A família Kompany ganhou o noticiário mundial nos últimos dias e não foi por atuações do zagueiro Vincent Kompany, do Manchester City e da seleção belga. A eleição de seu pai, Pierre, à prefeitura de uma cidade perto de Bruxelas foi um marco para o país europeu. Para os dois, no entanto, essa vitória significou muito mais. Depois de obstáculos como racismo, divórcio, dificuldades financeiras e até expulsão de colégio, os Kompany estão em festa.

Hoje com 71 anos, Pierre deixou a República Democrática do Congo (antigo Zaire) em 1975 fugindo da ditadura local de Mobutu Désiré. Embora fosse engenheiro civil em sua terra natal, virou pau pra toda obra na Bélgica. Viveu de bicos e passou a trabalhar como taxista, mas geralmente enfrentando problemas financeiros.

Pierre demorou sete anos para ser reconhecido como refugiado político. A nacionalidade belga saiu anos depois disso. Foi nessa época, mais precisamente em 1986, que nasceu Vincent Kompany, o segundo de três filhos.

A situação econômica da família ficou ainda mais crítica quando Pierre perdeu seu emprego, segundo relatos de Kompany, e coincidiu com a separação dos pais quando ele tinha 14 anos. A novidade não ajudou em nada esse adolescente que buscava no futebol uma chance de melhorar a vida da família.

Mesmo jovem, Kompany e seus companheiros de time, muitos deles também filhos de imigrantes africanos, já lidavam com insultos racistas em torneios pela Bélgica. Expressões como “negros sujos” saíam da boca dos pais de crianças das equipes adversárias.

Também foi na adolescência que Kompany, em meio a todo esse cenário, acabou expulso de um colégio por desavenças com outros alunos e professores. Ele perdeu um ano na escola e também na seleção de base da Bélgica, de acordo com o jornal “La Vanguardia”.

As marcas do preconceito que a família viveu na Bélgica estruturaram a campanha de Pierre neste ano, quando ele decidiu concorrer à prefeitura de Ganshoren, nos arredores de Bruxelas.

“Nós nos dirigimos às pessoas de todas as raças e comunidades da cidade. Acho que foi por isso que conquistamos a vitória na eleição. Nunca vou me esquecer das minhas origens, porque elas são meu orgulho”, comemorou Pierre, que se tornou o primeiro negro a ser eleito prefeito de uma cidade belga.

Kompany fez questão de dividir seu orgulho com o mundo por meio das redes sociais. “Você veio da República Democrática do Congo e agora ganhou a confiança de sua comunidade local. Foi um caminho longo, mas vitorioso. Muita felicidade”, vibrou o zagueiro do City e um dos líderes da seleção da Bélgica, país que vê seu pai fazer história ao tomar posse em dezembro.

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