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Procurado por SP e Palmeiras, Thiago Mendes vira destaque em 'caça ao PSG'

Federico Pestellini/Divulgação
Imagem: Federico Pestellini/Divulgação

Marcus Alves

Colaboração para o UOL, de Lisboa (POR)

26/10/2018 04h00

Nada de MSN (Messi, Suárez e Neymar) ou BBC (Benzema, Bale e Cristiano Ronaldo). Na França, o trio da moda corre ao ritmo do papa-léguas, rouba a capa dos jornais e encanta o país. É o chamado "Bip Bip", formado por Bamba, Ikoné e Pepé, responsáveis por 15 dos 19 gols do Lille, que ocupa a vice-liderança da Ligue 1, atrás apenas do PSG. O tridente que impressiona por sua velocidade é municiado por um brasileiro: Thiago Mendes.

Em sua segunda temporada no país, o meia é o 'arco' que dispara as 'flechas' para os três marcarem mais à frente. Até aqui, ele mantém em média de acerto de passes superior a 80%. É um dos encarregados por embalar o clube, que brigou contra o rebaixamento no primeiro semestre, em sua caça aos parisienses.

Em reportagem recente, a tradicional revista France Football chamou Mendes de "grande surpresa" do Lille.

O destaque cada vez maior não é por acaso, mas reúne uma dose de sorte que foi providencial para que tudo se encaixasse a seu favor.

A última janela de transferências esteve muito próxima de mandá-lo para fora do LOSC. Conforme apurado pela reportagem, além do assédio conhecido do Olympique de Marselha, o atleta de 26 anos recebeu também consultas de Monaco, Benfica, Porto, China e do Brasil.

Segundo apurou o UOL Esporte, São Paulo e Palmeiras procuraram seus representantes para tentar repatriá-lo e esbarraram na postura da cúpula dos franceses, que bateu o pé para que ele continuasse após investir R$ 34 milhões em sua contratação ao tricolor paulista, em 2017.

"Teve proposta de tudo que é lado, inclusive, do Brasil, muita oportunidade para sair, consultaram o meu empresário, mas o presidente (do Lille) achou melhor que eu permanecesse. Não teve muita conversa", afirma Thiago Mendes ao UOL Esporte.

A princípio, a sua continuidade não lhe assegurava a titularidade. No esquema 4-5-1 do clube, os dois meias mais recuados tinham tudo para ser o compatriota Thiago Maia, ex-Santos, e o português Xeka. Foi, então, que a sorte voltou a sorrir para Mendes logo na primeira rodada do campeonato.

"Chegaram várias ofertas para deixar o Lille e a diretoria não aceitou nenhuma. Bancou minha permanência. Mas estava tudo indeciso. Jogavam apenas o Thiago Maia e o Xeka, eu não vinha atuando e, mesmo assim, o presidente não mudava a sua posição. Entretanto, o Maia estava suspenso em nossa estreia na liga e consegui agarrar essa oportunidade. Não saí mais do time", diz.

Com o ex-são-paulino em campo, o Lille perdeu apenas uma vez em nove partidas — contra o Bordeaux, no fim de setembro.

Sobrecarregado com Bielsa

Na última temporada, o Lille sonhava alto. Com dinheiro em caixa, investiu no argentino Marcelo Bielsa, foi atrás de reforços no Brasil e montou um time para tentar surpreender na casa de apostas. Nada disso funcionou, contudo: 'Loco' Bielsa se desgastou rapidamente no comando, rachou com os cartolas e deixou o projeto antes do previsto.

Para a maioria, o treinador, que carrega a fama de 'controverso', para dizer o mínimo, não deixou saudade. Não é o caso de Thiago Mendes. Ele foi um dos poucos que tirou proveito da relação mais próxima.

"Ele era gente boa demais, sempre falou comigo, perguntava como estava o dia a dia. Queria saber se estava conseguindo me virar na França. Para ele, se a família estava bem, a colocássemos em primeiro lugar, teríamos tranquilidade para jogar. Não posso falar por todos, claro, mas comigo ele foi fantástico", conta.

O meio-campo aponta somente um detalhe que pode ter pesado para o distanciamento gradual entre Bielsa e o grupo.

"Hoje, temos um estilo de jogo diferente, a nossa filosofia mudou bastante e, no meu caso, para melhor. Sigo marcando bastante, mas também atacando. É um esquema de jogo que permite ao meia chegar ao gol adversário. Esse é o nosso diferencial como equipe. Antes, com o Bielsa, ficava mais preso na marcação, era sempre homem a homem, individual", relata.

"Em determinado momento, me sentia sobrecarregado, cansado, mesmo. Não só eu como o restante dos companheiros. Éramos um grupo novo, mas que também cansava, claro, o time todo", completa.

Sonho com seleção

Em excelente fase, Thiago Mendes é hoje um dos nomes mais experientes do Lille ao lado dos veteranos José Fonte, 34 anos, e Loic Rémy, 31, que desembarcaram nesta temporada e, de acordo com ele, exercem papel importante no vestiário. A função diferente dentro da equipe e a maior liberdade fazem com que estabeleça outras metas.

"A seleção sempre foi um sonho e segue sendo assim. É natural que eu tenha essa ambição. Quero continuar fazendo meu trabalho aqui para que possa vir a ter a minha chance também", projeta.

Nem mesmo o idioma tem sido empecilho em sua nova vida.

"É uma língua meio complicada ainda, bastante complicada (risos). Mesmo assim, a gente (ele e sua família) viaja aqui para cima e para baixo e, na dúvida, recorremos ao Google Tradutor no celular, não tem muita dificuldade. Ao todo, somos em quatro brasileiros no clube, fora os portugueses, tem o diretor Luis Campos, o Marc (Ingla, gerente geral) fala um pouco também", descreve.

Em sua disputa direta com o PSG, o Lille entra em campo com Thiago Mendes neste sábado, contra o Caen, para não deixar Neymar e companhia escaparem.

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