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Capitão sem faixa, Léo reforça status de referência no Cruzeiro com postura

Léo só não usa a faixa, mas divide a liderança com Henrique até na hora de erguer a taça -
Léo só não usa a faixa, mas divide a liderança com Henrique até na hora de erguer a taça

Enrico Bruno

Do UOL, em Belo Horizonte

26/10/2018 04h00

Ao repetir o feito do ano passado e receber a taça da Copa do Brasil junto com o capitão Henrique, Léo mostrou imagem que simbolizou aquilo que ele representa no dia a dia da Toca da Raposa. Um jogador que, mesmo sem a faixa de capitão, carrega virtudes que o qualificam como líder e referência para seus companheiros. Torcedor do Cruzeiro desde pequeno, ele é o terceiro jogador que mais vestiu o uniforme celeste no atual plantel, tendo ainda um papel importante nos vestiários e virando uma espécie de exemplo a ser seguido no clube.

A primeira referência de peso que Leo passa aos demais atletas é seu tempo de casa. Mineiro de Belo Horizonte, está no clube desde 2010. Seus atuais 328 jogos o colocam como terceiro jogador que mais entrou em campo no atual elenco, perdendo apenas para o capitão Henrique, com 455 jogos, e para o goleiro Fábio, com 801. Outro fator importante é a história construída ao longo desses oito anos. Além dos sete títulos conquistados, Léo esteve presente também nos momentos mais complicados do clube, como o quase rebaixamento de 2011 e a fuga da degola nas temporadas de 2015 e 2016.

"O Cruzeiro contrata zagueiro, sai zagueiro, e Léo esta lá. Isso não é de graça. É um dos mais dedicados do grupo, um dos primeiros a chegar, trabalha a parte muscular de forma impecável. Um dos que mais jogou na temporada. Sempre esteve lá, ou com Murilo, com o Manoel ou com o Dedé. Tem que valorizar esses atletas, é por isso que o Cruzeiro é um dos maiores ganhadores da década. Tem profissionais que sustentam os momentos difíceis e que sabem conviver com grandeza nos momentos de vitória sem perder a linha daquilo que é e do que temos que fazer", disse o técnico Mano Menezes.

Léo, do Cruzeiro - Daniel Oliveira/Fotoarena/Estadão Conteúdo - Daniel Oliveira/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Imagem: Daniel Oliveira/Fotoarena/Estadão Conteúdo

De 2010 até aqui, o zagueiro amadureceu para conquistar a titularidade que tem hoje, já que nem sempre foi escalado pelos treinadores no time inicial. Há alguns anos, se mostrou disposto até a atuar improvisado na lateral direita quando o setor ficou sem um jogador de origem. Em janeiro desde ano, a diretoria renovou o contrato de Léo até 2020, o que significará que ele tem tudo para completar dez anos de Cruzeiro, marca difícil para qualquer jogador.

"Quando você tem referências em um clube, você cria identidade como a do Fábio, do Léo. Isso traz referências na equipe, não é à toa que temos 12 (15 no total) jogadores com mais de 100 jogos no Cruzeiro. Isso é raro de se ver no Brasil. É fundamental, traz resultados, títulos e conquistas. É bom de se ver", comentou o volante Henrique.

Referência a Obama antes do hexacampeonato

Apesar de não ser o capitão, Léo é o dono da palavra final nos momentos que antecedem as partidas. Na final contra o Corinthians, em Itaquera, não foi diferente. Em sua fala para os companheiros, o zagueiro usou a história de Barack Obama, primeiro presidente negro dos Estados Unidos, como exemplo de superação em busca de um sonho.

"Queria contar a história de um cara afro-americano que tinha o sonho de fazer história. E ele dizia que queria ser presidente, mas a avó dele falava 'você é negro, é afrodescendente, como vai ser presidente?'. Mas ele respondeu 'eu posso'. E o Barack Obama foi o único negro presidente dos Estados Unidos. Ele tinha um sonho de fazer a diferença, ele sentia que podia. Quantos sonhos de ser jogador nós tínhamos na infância, mas as pessoas diziam que não seríamos profissionais? Quantos sonhos tivemos para chegar até aqui, enquanto as pessoas sempre falaram 'não'?. Quantos obstáculos nós tivemos que saltar? Hoje é mais um para gravar nosso nome na história. Nós não só iremos contar isso para os nossos filhos, mas as pessoas vão falar a respeito disso, porque é a história. Por isso a gente tem que batalhar, se dedicar, tem que se doar ao máximo. Para poder dizer que eu, que você, que nós podemos e que nós vamos conseguir", declarou, na ocasião.

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