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Inter torna inelegível ex-presidente e mais três dirigentes por dez anos

Vitório Píffero acompanha apuração em eleição do Inter - Jeremias Wernek/UOL Esporte
Vitório Píffero acompanha apuração em eleição do Inter Imagem: Jeremias Wernek/UOL Esporte

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

25/10/2018 00h16

Em reunião no Conselho Deliberativo na noite desta quarta-feira (24), o Internacional tornou inelegíveis os quatro ex-dirigentes citados como responsáveis por gestão irregular ou temerária no relatório formulado pela Comissão Especial do Conselho. Vitório Píffero, Emídio Ferreira, Alexandre Limeira e Pedro Affatato não podem ser eleitos em nenhum clube esportivo pelos próximos 10 anos.

De forma inédita, a reunião foi transmitida ao vivo aos associados do clube através da internet. Cada um dos torcedores recebeu o link da transmissão, um login e uma senha para acompanhar o processo. 

Após a manifestação dos membros da Comissão Especial, cada um dos julgados teve tempo para se manifestar. Apenas dois compareceram, o ex-presidente Vitório Píffero e o ex-vice de administração Alexandre Limeira. Afatatto e Ferreira não estiveram presentes por preferir defender-se na Justiça.

"Do que me acusam? Que eu sabia. Não há nenhuma acusação contra mim. Eu fui enxovalhado na imprensa, sem poder me defender, agora me defendo de uma única acusação, que eu sabia. E o que chega ao presidente? Quando vice e mais diretores fazem requerimento, os fluxos naturais não chegam. Não houve sindicância, houve uma comissão. O orçamento do Inter é de R$ 300 milhões, estas situações não chegam ao presidente", disse Píffero. 

Já Alexandre Limeira, utilizou depoimentos de testemunhas e defendeu-se das acusações de gastos irregulares com cartão corporativo do clube explicando que pagava muitas vezes jantares em reuniões da direção de muitas pessoas. "Eu apresentei todas as notas referentes a gastos do meu cartão. E quem definia o local onde eram realizados os encontros? Quem estava na reunião. Eu só efetuava o pagamento", explicou. 

Após as manifestações, a votação ocorreu de forma individual e nominal em cédula de papel.

Com os votos sendo feitos separados por itens, todos os quatro acabaram inelegíveis pelos próximos 10 anos. 

Entenda o caso

O biênio 2015/2016 não foi marcado apenas pela queda do Internacional para segunda divisão. Uma série de supostas irregularidades administrativas também marcaram a gestão presidida por Vitório Píffero. Tanto que ao fim do último ano de comando, as contas foram rejeitadas na avaliação do Conselho, que criou uma comissão especial para analisar o que havia acontecido.

Esta comissão realizou uma sindicância e formulou um relatório em que 15 itens foram separados. Destes, cinco configuraram, segundo o documento, gestão irregular ou temerária. Foram eles: adiantamentos em valores dos cofres do clube de aproximadamente R$ 10 milhões sem apresentação de nota fiscal, pagamentos de faturas de cartões de crédito de forma irregular, R$ 1,1 milhão em pagamentos a empresas responsáveis por obras não verificadas no Beira-Rio e gastos exorbitantes no cartão corporativo do clube com alimentação. O quinto item foi considerado muito complexo para o âmbito interno e repassado ao Ministério Público, que segue investigação no mesmo tom.

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