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Ex-Botafogo brinca com comunicação ruim na Coreia: "Ninguém se entende"

Alemão em ação durante jogo do Botafogo em 2017 - Vitor Silva/SSPress/Botafogo
Alemão em ação durante jogo do Botafogo em 2017 Imagem: Vitor Silva/SSPress/Botafogo

Bernardo Gentile

Do UOL, no Rio de Janeiro

24/10/2018 04h00

Foram apenas três meses de Botafogo, mas o suficiente para o clube ficar marcado na carreia de Alemão. Sob o comando de Jair Ventura, o lateral-direito substituiu um dos destaques do time, Luis Ricardo, que sofreu grave lesão. Foi da luta contra o rebaixamento para as primeiras colocações com direito a vaga na Libertadores. A sequência parecia ser natural, mas o jogador não renovou e seguiu para o Internacional. Hoje no Pohang Steelers, da Coreia do Sul, ele tenta dar a volta por cima.

O período em um país com a cultura tão diferente do Brasil tem sido bastante curioso. Bem-humorado, Alemão se diverte com as histórias e até mesmo com as dificuldades enfrentadas principalmente por não conseguir se comunicar de maneira eficiente com os nativos.

"Pais totalmente diferente, mas tem brasileiros aqui que me receberam muito bem. Mais engraçado em treino e jogo. Você quer pedir bola mais na frente, mas você não sabe falar po... nenhuma (risos). Você quer que ele feche na marcação, e ele não entende nada. Nem no gesto. Eu falo em português, o cara responde em coreano. Ninguém se entende, é engraçado", disse Alemão, ao UOL Esporte.

"Logo que cheguei aqui na primeira semana fui para rua para comprar um pacote de sal no mercado. Foi um sacrifício para sair a palavra certinha em coreano. Nós vamos levando. Quem vem da favela, se vira em qualquer lugar. É tranquilo. Bom que você pode falar das pessoas que elas não entendem nada, aí eles falam da gente que também não entendemos nada. E fica todo mundo falando mal um do outro dando risada. É bem engraçado", completou o lateral.

Alemão tem contrato com os coreanos até dezembro, quando voltará ao Brasil. Ele tem vínculo com o Internacional até o fim de 2019 e ainda não sabe o que acontecerá com sua carreira. O Pohang Steelers tem opção de compra e ainda não avisou se vai exercer mesmo com o jogador sendo titular absoluto na temporada. O Colorado, por sua vez, ainda não sabe o que vai fazer com o atleta. Ele poderá ser aproveitado ou novamente emprestado. "Ainda não sei o que vai acontecer. É trabalhar e esperar a decisão", afirmou.

Alemao - Vitor Silva/SSPress/Botafogo - Vitor Silva/SSPress/Botafogo
Imagem: Vitor Silva/SSPress/Botafogo

Uma certeza ele tem: o carinho pelo Botafogo e o desejo de um dia voltar a defender o Alvinegro. "Minha passagem lá foi maravilhosa. Tive a oportunidade e foi o ápice da minha carreira. Me adaptei o mais rápido possível e pude ajudar dentro de campo. Conseguimos arrancada e classificamos a equipe para Libertadores. Foi um feito enorme na minha vida, e me sinto honrado de ter feito parte daquela campanha. Uma pena que fiquei por pouco tempo, pois no ano seguinte fui para o Inter. Ficou o carinho. Quem sabe um dia eu não possa voltar e vestir esse manto novamente?", indagou o lateral.

"Não me sinto arrependido (de trocar Bota pelo Inter) porque houve um impasse entre diretoria e as pessoas que gerenciavam a minha carreira. Isso que atrapalhou bastante minha permanência. Mas é aquilo, hoje vivo o presente. O que passou, passou. Não vivo com arrependimentos sobre isso. Estou tocando a minha vida com outra empresa. Estou aberto para qualquer tipo de situação. Atleta precisa sempre estar provando. Quero voltar um dia e poder honrar mais uma vez esse manto. Trabalhar para quando as oportunidades aparecerem na minha vida”, completou Alemão.

Veja outros tópicos da entrevista

Internacional

Na verdade não fiquei pouco tempo no Inter, ainda pertenço ao clube e tenho mais um ano de contrato. Fiquei 2017 inteiro lá, mas aconteceram algumas coisas que muita gente não sabe. Falam que fui mal no Inter, mas não foi bem assim. Cheguei para ser substituto imediato do Willian que seria negociado com o Wolfsburg-ALE. O negócio não aconteceu, e ele ficou no Inter. Aí fiquei na reserva dele até o meio do ano, quando ele realmente sairia. Só que uma semana antes de ele sair, eu fissurei o segundo e o terceiro metatarso do pé e fiquei cinco meses na recuperação. Só voltei em setembro e ainda joguei 12 jogos na reta final da Série B. Tudo tem um propósito nessa vida, e se eu tive que passar por isso foi porque era para ser assim. Essa lesão e atrapalhou bastante. Apesar das boas atuações que tive na reta final de 2017, não foi suficiente para o Inter, que decidiu por me emprestar. Respeito a decisão deles e vou trabalhar da melhor maneira possível para retomar meu espaço.

Coreia do Sul

Eu vim para cá emprestado até o fim do ano. Tenho mais um ano com Inter, até o fim de 2019. Estamos na reta final, faltam seis rodadas e estamos na briga para Champions da Ásia. Não se sabe se vai haver interesse deles em renovar, mas estou jogando, feliz, com sequência de jogos. Trabalhar bem aqui para planejar o futuro. Ainda não sei o que vai acontecer, eles têm opção de compra, tem o desejo do Inter também. É trabalhar e esperar mesmo.

Adaptação

Pais acolhedor, respeitoso e disciplinado, no futebol também. A curiosidade é que aqui a gente mesmo leva o nosso material e precisa limpar para o dia seguinte. Totalmente diferente do que ocorre no Brasil.

Comida

A típica daqui é mais apimentada, mas tem macarrão, carnes. O que não tem é feijão, mas trouxe tudo do Brasil e dá para se virar tranquilamente. Todo mundo fala de carne de cachorro, mas nunca ouvi falar disso não. Encontro muita carne bovina e suína. Se comi cachorro ninguém nunca me falou (risos).

Resenha com brasileiros

Tem dois brasileiros. O Léo Gamalho e o Alemão, zagueiro que era do Vila Nova. Tem também o Chico, que é coreano mas jogou comigo no Bragantino. A gente se fecha e faz a nossa resenha. No inglês as vezes a gente se entende alguma coisa e brinca com outros caras também. Dou aquela rabiscada no inglês (risos). Resenha direito mesmo. Tem que ter aquela distraída. Senão não dá. Com alegria o trabalho flui.

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