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Elias muda em campo e ganha torcida do Atlético-MG: "Pude refletir fora"

Elias em ação durante treino do Atlético-MG - Bruno Cantini/Divulgação/Atlético-MG
Elias em ação durante treino do Atlético-MG Imagem: Bruno Cantini/Divulgação/Atlético-MG

Thiago Fernandes

Do UOL, em Belo Horizonte

24/10/2018 04h00

Elias vive outra vida no Atlético-MG. Depois de receber críticas no início de sua passagem pelo clube, o volante tem relação melhor com a torcida e sonha até em se tornar ídolo. O experiente jogador atribui o crescimento ao período que pôde refletir fora dos gramados.

Abaixo do desempenho esperado pela comissão técnica após a final do Campeonato Mineiro, Elias viu o jovem Gustavo Blanco substituí-lo nas rodadas iniciais do Campeonato Brasileiro. Nas 12 primeiras partidas da competição nacional, o volante fez apenas três jogos como titular, sempre substituindo um jogador suspenso ou lesionado.

Neste período, Elias teve mais tempo para repensar a forma de atuar e se dedicar aos treinos físicos. O período foi o suficiente para o jogador retomar a condição de titular em definitivo após a grave lesão de Blanco e se destacar em campo.

Com bom futebol, trocou as vaias na Arena Independência por aplausos dos torcedores, fato ocorrido nos jogos contra Santos, Atlético-PR e Sport.

Em entrevista exclusiva ao UOL Esporte, o volante de 33 anos falou sobre a mudança na relação com a torcida e explicou que esta alteração coincidiu com o tempo que teve para refletir fora das quatro linhas.

"Eu vinha jogando bem, mas a gente passou por um período difícil, que foi a decisão do Mineiro. A gente perdeu a final, fez um baita primeiro jogo e eu saí do jogo aplaudido também. Depois da final, o segundo jogo, que a gente perdeu, várias coisas aconteceram. Vieram derrotas seguidas, com a equipe jogando mal. Isso acaba dando uma carga e uma responsabilidade maior para o jogador mais experiente. Fui o escolhido para carregar isso. Botei no meu ombro e carreguei. Fui para o banco e aceitei a evolução do Blanco, que entrou no meu lugar e vinha muito bem", comentou.

"Sempre que pude entrar, tentava dar conta do recado. Pude treinar mais, recuperar a forma física, analisar mais a fluência do lado de fora. Dentro de campo é uma coisa, mas fora de campo você consegue ver as coisas que acontecem. Pude treinar mais para que, na próxima oportunidade que tivesse, não poderia desperdiçar. Tive essa oportunidade, muito antes da lesão do Blanco, e tive a sequência", declarou.

"Fico feliz que as coisas vêm mudando e acontecendo aqui no Atlético. Pude refletir um pouco quando fiquei fora, treinar mais para que pudesse voltar bem. Essa volta minha, principalmente pós-Copa, tem sido muito boa, elogiada por todo mundo. Fico feliz por recuperar novamente a confiança do torcedor", acrescentou.

Em uma conversa com a equipe de reportagem do UOL na Cidade do Galo, o meio-campista falou sobre outros temas. Confira os principais trechos do bate-papo com o jogador:

COMO GOSTA DE JOGAR

Eu gosto de jogar mais solto, como meio-campo, fazendo a minha função. Primeiro, tenho que marcar e roubar bolas, fazer a saída de jogo, mas tendo liberdade para chegar à frente e marcar gols. Ser aquele elemento surpresa, vindo de trás. Não gosto de jogar de costas, gosto de vir de trás, com a bola dominada, infiltrar entre os zagueiros para fazer gols. Foi assim que me destaquei em todos os times, cheguei à seleção, cheguei à Europa. Estou conseguindo fazer essa função aqui no Atlético.

FARO DE ARTILHEIRO

Eu gosto de atacar, não tenho medo de entrar dentro da área. Tem jogador que tem medo e que acha que o gol fica pequeno. Eu fui atacante na minha época de base, jogava como segundo atacante. Eu adquiri isso naquela época. Agora que mudei de posição, pude levar tudo o que aprendi como atacante. É chegar dentro da área, saber ocupar bem o espaço, atacar a bola no momento certo, finalizar bem... Isso, eu aprendi no período em que fui atacante. Eu gosto de jogar assim, gosto de entrar na área. Consigo criar superioridade para uma equipe. Agora, no Atlético, consigo fazer isso muito bem.

IDOLATRIA NO GALO É UM SONHO

Não se cria um ídolo só com bons jogos e desempenho, se cria com títulos, com conquistas. Eu tenho isso na minha mente. Você conquistando coisas, com certeza, vai se tornar um ídolo e uma referência dentro do clube que você estiver. Eu pretendo ganhar títulos mais expressivos aqui no Galo, pretendo terminar meu contrato aqui e quem sabe até o final do ano que vem a gente possa conquistar uma coisa grande para aí sim almejar ser ídolo de uma torcida tão apaixonada como a do Galo.

SELEÇÃO BRASILEIRA

Ser chamado para a Seleção, você nunca pode rejeitar. Se estiver bem e for chamado, você tem que ir com o maior prazer, porque está defendendo a sua nação. A gente sabe que as coisas ficam mais difíceis, você vai ficando mais velho, mais para o final de carreira. Eu penso assim. Se o jogador estiver bem, ele tem que ir para a seleção, independente da idade. Eu pude jogar com o Ricardo Oliveira na seleção e ele tinha 37 anos. Ele nos ajudou nas Eliminatórias fazendo gols, porque estava bem no Santos. O jogador que estiver bem, com certeza, o Tite vai estar olhando. A gente sabe que futebol é renovação, mas às vezes foge da alçada do treinador. O Tite é muito coerente e ele vai olhar independente da idade do jogador.

ELENCO UNIDO

Tenho em mente que futebol é muito mais que dentro de campo. Acho que é mais fora de campo que dentro de campo. Uma equipe unida, que se confia, que tem esse comprometimento, fica mais forte, mais unida e acaba conquistando coisas. Isso se consegue fora de campo. É juntar para sair para jantar. Às vezes, você vai gostar mais de um ou de outro. Mas sempre que dá, a gente está junto, costuma comer, jogar conversa fora, falar de outras coisas que não seja futebol. Isso a gente consegue fora de campo.

ELIAS FORA DE CAMPO

Eu saio bastante para jantar. Já fui a museu aqui, gosto de ir a museu. Mas fico mais em casa, aproveitar meus amigos dentro de casa. Recebo o pessoal do clube dentro de casa, a gente fica jogando conversa fora. É como você disse. Aqui em BH não tem muita coisa para fazer. Então, a gente sai para jantar aqui. E, às vezes, quando tem folga, vou para São Paulo, porque meus filhos estão lá.

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