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Ex-Palmeiras foi bem no Boca, mas sofreu com argentinos por "caso Grafite"

REUTERS/Enrique Marcarian
Imagem: REUTERS/Enrique Marcarian

Gustavo Setti e Vanderlei Lima

Do UOL, em São Paulo

22/10/2018 04h00

Palmeiras e Boca Juniors se enfrentam na semifinal da Libertadores a partir de quarta-feira (24), e o ex-lateral-direito Baiano sabe bem o que é defender as duas camisas. Ele foi campeão brasileiro da Série B pelo clube alviverde em 2003, se manteve na equipe na temporada seguinte e acabou negociado com o Boca na sequência. Na Argentina, porém, o jogador sofreu dentro de campo por ser negro e logo retornou ao time paulista.

Baiano atribui a intolerância na época principalmente ao caso envolvendo o atacante Grafite, então do São Paulo, e o argentino Desábato, zagueiro do Quilmes. O defensor foi detido ainda no gramado do Morumbi por ato racista durante o duelo da Libertadores de 2005.

O ex-lateral-direito não gosta de lembrar do episódio, prefere guardar as boas lembranças dos tempos de Boca, mas a cor da pele foi o principal fator para que ele pagasse do próprio bolso a multa rescisória antes de voltar ao Palmeiras.

"Eu já vivi muitas coisas quando eu estava lá e prefiro lembrar das coisas boas, como os apelidos de Bombom e Café e o carinho da torcida. Este episódio (Grafite e Desábato) foi um fato que, infelizmente, não teve nada a ver comigo, mas indiretamente acabou me afetando", disse em entrevista ao UOL Esporte.

Baiano conta que o problema estava dentro de campo e não nas arquibancadas. Ele era hostilizado com ofensas racistas por jogadores de outros clubes.

"A minha coisa foi com os jogadores argentinos e não com a população da Argentina. Foi um caso envolvendo esta questão do Grafite, e eu tive que pagar para sair do Boca Juniors. Por isso que eu não gosto nem de lembrar disso", declarou.

Rixa com Tévez

No retorno ao Brasil, o lateral voltou a ter problema semelhante durante clássico entre Palmeiras e Corinthians. Baiano chegou a ser expulso após dar uma bolada em Carlitos Tévez na derrota por 3 a 1 contra o rival alvinegro.

Tevez 2005 - Reuters - Reuters
Tévez, durante festa do título brasileiro de 2005
Imagem: Reuters
"O Tévez tinha seus amigos argentinos, então ele me provocou com o que os atletas argentinos fizeram comigo quando eu jogava no Boca. Enquanto o Palmeiras estava ganhando de 1 a 0, estava tudo bem. Depois que o Corinthians virou, o Tévez conseguiu me desestabilizar naquele momento, e eu prefiro não comentar o que ele falou para mim. Quem sabe sou e a minha família. Só nós sabemos o que nós passamos naquele momento lá na Argentina, foi um momento de muita tristeza e então eu prefiro lembrar das coisas boas que o Boca Juniors me proporcionou", contou.

Baiano afirma que se entendeu com o atacante argentino mais tarde e chegou até a pedir desculpas para ele pela bolada. "Já está perdoado desde aquele momento. Eu até pedi perdão para ele", afirmou.

Carinho pelo Boca, mas torcida pelo Palmeiras

Foram apenas oito meses com a camisa do Boca em 2005, mas o ex-jogador mostra gratidão por ter jogado no clube. "Eu estou na galeria do Boca Juniors. Só tenho agradecimento por este clube. Foi uma parte inesquecível da minha vida, com o privilégio de conviver com Maradona, e eu tive o prazer de ser um dos poucos brasileiros a fazer gol pelo Boca na Libertadores em La Bombonera. Naquele momento, o Boca era o melhor clube do mundo, acima de Real Madrid e Barcelona", relembrou.

Schelotto - ALEJANDRO PAGNI/AFP - ALEJANDRO PAGNI/AFP
Schelotto é o atual técnico do Boca
Imagem: ALEJANDRO PAGNI/AFP
Um dos destaques do time argentino na época era Guillermo Barros Schelotto, atual treinador do clube. Baiano conta que o atacante era fechado e introspectivo, mas que mudava quando a bola rolava. "Ele era um cara muito na dele. Se você ver hoje no banco de reservas, ele é um cara frio, mas, dentro de campo, sabia como provocar. Normalmente, o marcador dele era expulso, porque ele irritava, principalmente nos grandes jogos", explicou.

Mas, apesar das lembranças e do carinho, para quem estará a torcida na semifinal da Libertadores? "Eu apostaria no Palmeiras. Eu acho que não vai ser fácil, estou torcendo para o Palmeiras e penso que o Palmeiras passa", falou Baiano.

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