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Polícia questiona torcida única no Atlético-PR e relata briga contra Paraná

Torcedores do Cruzeiro "à paisana" na Arena da Baixada: sete ocorrências dentro do estádio desde então - Reprodução
Torcedores do Cruzeiro "à paisana" na Arena da Baixada: sete ocorrências dentro do estádio desde então Imagem: Reprodução

Napoleão de Almeida

Colaboração para o UOL

25/09/2018 18h23

A DEMAFE – Delegacia Móvel de Atendimento ao Futebol e Eventos –, que pertence à Polícia Civil, questionou em suas redes sociais o projeto de “torcida” única do Atlético-PR, colocando em dúvida a validade do projeto do clube com o Ministério Público do Paraná, que limita o acesso de torcedores de outros clubes na Arena da Baixada. Pelo Estatuto do Torcedor, os torcedores tem entrada livre, mas desde que não carreguem nenhuma identificação do clube visitante. Também não contam com nenhum setor de arquibancada específico.

O delegado Clóvis Galvão, que é responsável pela DEMAFE, conversou com o UOL Esporte. “O que nós temos questionado com a delegacia é que você não pode comparar o Paraná com São Paulo, Se tem um jogo em Itaquera, a torcida do Corinthians lota o estádio, mesma coisa o Palmeiras. Nós aqui não temos esse volume de público”, comentou, para depois apontar a razão da discordância: “O Atlético disse que não dava ocorrência com a torcida única. Ora, não é bem assim. Mesmo com torcida única existem ocorrências.”

O delegado relatou sete casos de brigas entre torcedores nas arquibancadas na Arena da Baixada desde a implementação do projeto, em 16 de maio, no jogo entre o Furacão e o Cruzeiro, pela Copa do Brasil. De lá para cá foram 11 jogos nesse sistema, todos nacionais. Quando recebeu o Peñarol pela Copa Sul-Americana, o Atlético teve determinação da Conmebol para separar um setor para os visitantes uruguaios.

“O problema que nós temos observado aqui é que o torcedor entra, independente de torcida única ou não. Você não pode proibir que o cidadão vá ver o seu time no jogo. Lá dentro, por um motivo ou outro, ele acaba torcendo para o seu time e isso tá dando conflito entre o torcedor do clube que está com torcida única e aquele que tá lá e entrou mesmo nessa condição de ter se apregoada aí a torcida única”, comentou Galvão, que ainda afirmou que não é contrário à ideia, mas que discorda do que o clube noticiou sobre os jogos terem se tornado pacíficos.

O Atlético não dá entrevistas sobre o caso. Em seu site oficial, publicou uma nota qualificando a ideia como “torcida humana” e afirmando que o departamento jurídico do clube desconhece as ocorrências citadas por Galvão na imprensa paranaense. O delegado também contestou essa resposta: “Nós só afirmamos isso na imprensa, ninguém tá criando ‘fake news’, nem tumultuando nada. Só dissemos que também existe tumulto mesmo com a torcida única.”

O delegado usou como exemplo uma briga entre torcedores de Atlético e Paraná Clube durante o Derby do último domingo, “torcedores do Atlético agrediram com socos e pontapés torcedores do Paraná”, comentou, citando ocorrência registrada. De acordo com o delegado, os torcedores estão sendo identificados através de câmeras, mas a delegacia ainda não recebeu o registro biométrico dos envolvidos.

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