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Com grupo cheio e processo lento, Inter aproveita pouco 'pratas da casa'

Juan Alano é um dos jogadores formados no Inter que espera melhor aproveitamento - Ricardo Duarte/Inter
Juan Alano é um dos jogadores formados no Inter que espera melhor aproveitamento Imagem: Ricardo Duarte/Inter

Marinho Saldanha

Do UOl, em Porto Alegre

22/09/2018 04h00

Não é fácil vencer o período de base e se firmar no elenco profissional do Internacional. Com elenco repleto de alternativas, a maioria egressa de outros clubes, o Colorado tem poucos jogadores formados em sua base no time titular ou como opções primárias.

Na equipe ideal, apenas Rodrigo Dourado e Iago podem ser considerados "pratas da casa". O primeiro, porém, já deixou a base há quatro anos e se firmou como titular do Inter ainda em 2015. O lateral faz seu segundo ano no time de cima e o primeiro como titular absoluto. Conquistou o posto graças à lesão de Uendel, ainda no princípio da temporada.

No site oficial do Inter, 33 jogadores fazem parte do elenco principal. Destes, mais sete são formados na base. Keiller e Daniel no gol, Thales na zaga, Charles, Juan Alano e Richard no meio e Brenner no ataque.

Só que somando o número de partidas de todos eles na temporada, chega-se a 41. Ou seja, média de 6,8 por jogador.

Contando Dourado e Iago no grupo, são nove jogadores egressos da base entre 33 do elenco. Um percentual de 27,2%. No entanto, Richard e Brenner são casos considerados "mistos", já que treinam com o principal mas normalmente participam dos torneios inferiores, como o Brasileiro de Aspirantes e a Copa Wianey Carlet, com o time B, ou as competições do Sub-20. Além disso, Thales, de 25 anos, já deixou a base há bastante tempo e só entra no grupo dos "pratas da casa" porque passou a ser aproveitado depois de alguns empréstimos.

Processo lento afasta alguns atletas

A explicação para o baixo aproveitamento dos jogadores de base no Inter é um processo lento para ganhar espaço. O trabalho progressivo tem etapas a serem cumpridas até que haja um aproveitamento em série.

Destacando-se nos times de base, o jogador ganha oportunidades de subir de categoria, mas ainda não é fixado no principal. Eventualmente completa treinos, mas segue trabalhando no CT de Alvorada, na região metropolitana de Porto Alegre. Assim hoje vivem atletas como Pedro Lucas, José Aldo (atualmente lesionado), Bruno Fuchs, Gabriel Dias e Ramon, entre outros.

O segundo passo é ser efetivado no processo de treinos do principal e retornar para jogar torneios nos times inferiores. Casos de Brenner e Richard. Há ainda o argentino Sarrafiore, que não entra no grupo de "pratas da casa" pois chegou do Huracán, da Argentina, há dois meses.

O terceiro momento é deixar de descer para disputar torneios de base e virar alternativa ao grupo. Foi a fase vivida por Iago na temporada passada e pela qual passa Juan Alano atualmente.

O quarto momento é ser uma das primeiras opções no time e, com bom rendimento, ganhar espaço entre os titulares. Estágio que Iago atingiu no início do ano e Alano passa a postular.

O problema é que muitos jogadores não estão dispostos a esperar tanto, ou até se desmotivam com a demora a ganhar espaço. Desta forma, atletas que surgiram promissores como Léo Ortiz, Valdemir, Mossoró, Alex Santana, Marcinho, Ronald e Fábio Alemão, entre outros, acabaram deixando o clube.

"Eu sou oriundo da base, temos vários jogadores no grupo (ao todo são 10). O Iago é titular e era da base, o Dourado é titular. Acho que são momentos. Se fala muito em geração, e estamos passando por um momento de transformação no Inter. Passamos por isso também na base. Certamente daqui para frente vão surgir mais jogadores. Mas não podemos esmagar os jogadores jovens. Aconteceu isso em 2016, entraram muitos jogadores jovens, participando de um momento ruim do clube. O que aconteceu? Sobrou para eles, e hoje se tem um jogador como o Andrigo, que o clube apostava muito, com dificuldade no time, com as pessoas, porque participou de um momento ruim. Em um momento de reconstrução, como o do Inter, certamente os mais experientes podem dar mais. Em uma derrota, em uma dificuldade, vão responder melhor. E o jovem tem que participar junto, no grupo, descendo para jogar na base, voltando para cá. Naturalmente seguem esta evolução", disse o técnico Odair Hellmann, ao UOL Esporte, em agosto.

O Inter encara o Corinthians no domingo às 16h (de Brasília) em São Paulo.

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