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Ex-Palmeiras, dossiê e martelo batido em 72h levaram Ganso ao Amiens

Paulo Henrique Ganso posa com a camisa do Amiens após fechar com o clube - Arquivo pessoal
Paulo Henrique Ganso posa com a camisa do Amiens após fechar com o clube Imagem: Arquivo pessoal

Marcus Alves

Colaboração para o UOL, de Lisboa (POR)

06/09/2018 04h00

A ida de Paulo Henrique Ganso para o Amiens, da França, pegou a todos de surpresa no último dia da janela de transferências europeia, mas ela vinha sendo costurada há praticamente três meses. Foi quando o nome do meia, que completará 29 anos em outubro, foi apresentado em dossiê ao modesto clube para a sua camisa 10.

Em nove meses, Ganso havia realizado apenas um jogo oficial pelos espanhóis, contra o Zalgiri Vinus, da Lituânia, ainda em agosto, pela Liga Europa, e não estava nos planos do técnico Pablo Machín.

Desde o fim do ano passado, foram diversas tentativas frustradas de saída que envolveram Santos, Grêmio, Orlando City, dos Estados Unidos, e outras equipes. Chegou-se a discutir até mesmo a rescisão de seu contrato.

Com passagens por Palmeiras, Manchester City e seleção brasileira, o ex-zagueiro Glauber Berti foi o responsável por intermediar as conversas com o Amiens ao lado do também empresário Leonardo Cornacini, da Elenko Sports.

"A princípio, a gente imaginava que seria muito difícil trazer ele", conta Glauber, em entrevista ao UOL Esporte.

"Então, começamos a plantar com o Léo (Cornacini) a ideia no Pepinho (Giuseppe Dioguardi, representante de Ganso) de analisar a possibilidade do Amiens, olhar com outros olhos, ter mais visibilidade. No momento do Ganso, não seria legal seguir sem jogar. Com o talento que tem, não pode. A gente pensou em fazer ele voltar a atuar em alto nível, recuperar esse gênio", prossegue.

"O Amiens perdeu o seu principal meia (Gael Kalkuta). Então, estava atrás de um camisa 10. Ele terá espaço, um time redondo para jogar e chega como a cereja do bolo. Ele precisava de um clube inferior para que volte a jogar em todos os jogos, tenha sequência e desenvolva o seu futebol", completa.

A vinda de Ganso foi analisada por dois scouts diferentes do time, sendo um deles o brasileiro Mateus Alonso.

Com o sinal verde para o clube avançar com a proposta, os contatos afunilaram somente nos três dias finais da janela, com a ida de um cartola francês até Sevilla.

"A transação toda aconteceu em 72 horas. O Amiens havia jogado no sábado (25, contra o Stade de Reims), ganhado de 4 a 1, mas ficou claro para eles que ainda faltava um armador. Então, tudo se intensificou a partir dali. Eles sempre tiveram noção de que seria difícil tirar ele, o mercado alto", afirma Glauber.

"As conversas andaram depois de quarta. O diretor principal do Amiens se deslocou para Sevilla, e conseguiram chegar a um denominador comum", finaliza.

No fim da sexta passada, 31, o martelo foi, então, batido para o empréstimo de um ano, e Ganso finalmente respirou aliviado com a definição de seu futuro e o fim de seu ostracismo em Nervión.

Ao lado dos agentes, o meia posou para foto com a camisa de seu novo clube no restaurante Abades Triana, localizado ao lado de um dos cartões portais de Sevilla, a Torre de Oro. Ele viajou para se apresentar ao Amiens nesta semana.

Paulo Henrique Ganso posa com a camisa do Amiens após fechar com o clube - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Paulo Henrique Ganso posa com a camisa do Amiens após fechar com o clube
Imagem: Arquivo pessoal

AEK ofereceu caminhão de dinheiro

Com o empréstimo de Ganso, o Sevilla tenta recuperar parte do dinheiro investido em sua compra ao São Paulo, ainda em 2016. Na ocasião, os andaluzes desembolsaram 9,5 milhões de euros (R$ 34,4 milhões, na cotação da época) para atender ao pedido de seu então técnico, o argentino Jorge Sampaoli, e assinaram contrato até julho de 2021 com o meia.

A proposta do Amiens não foi a única na reta final do mercado.

"O AEK, da Grécia, fez uma oferta muito alta, o Girona também estava na parada, e havia mais um ou outro time que se interessou no último dia, mas o presidente honrou a sua palavra. O Pepinho (Dioguardi) viu também que a França seria o melhor para ele e para o Ganso, mostramos um projeto e como tudo seria", explica Glauber.

Parceiro na operação, Leonardo Cornacini intermediou anteriormente as idas da revelação Matheus Cassini e do colombiano Stiven Mendonza, ambos ex-Corinthians, para o Amiens.

Com Mendonza plenamente adaptado à nova casa, a esperança é de que Ganso também não tenha dificuldade.

"Você olha ele fisicamente, está muito bem, na melhor forma, muito forte. A cabeça dele evoluiu muito. É um cara família, que se cuida e não podia ficar encostado", encerra o ex-defensor e agora empresário, que fica baseado em Liechtenstein durante a janela.

Partiu França @fwd_team @beppedioguardi

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Recomeço a duas horas de Paris

Mesmo com o apoio dos torcedores, a passagem de Ganso pelo Sevilla não foi o que se esperava. Ao todo, ele fez apenas sete gols em 28 jogos e ficou marcado pelo conflito com os treinadores, a retirada de seu nome dos inscritos na Liga dos Campeões e o seu afastamento. Nos últimos meses, teve de se contentar com o papel de cicerone do compatriota Guilherme Arana.

Sua contratação foi destaque no futebol francês por causa da ligação natural com o ex-colega de Santos e seleção brasileira, Neymar, destaque do PSG. Eles têm encontro marcado para dia 20 de outubro.

Ao lado de sua esposa e dos dois filhos, Ganso morará em uma cidade pacata, mas com qualidade de vida e a uma distância de menos de duas horas de carro para a capital Paris.

Antes, terá de convencer o técnico Christophe Pélissier, que tem evitado entrar no clima de oba-oba da torcida. "Ele tem 28 anos. Não é mais um jovem. Se ele chega ao Amiens aos 28 anos é porque em algum lugar ele não conseguir superar as equipes de mais alto nível", disse, em entrevista à RMC Sport.

"Fazemos a mesma aposta que realizamos com o Gael Kalkuta (atualmente no Rayo Vallecano). Esperamos que ele renda da mesma forma. É um desafio para ele e um desafio para nós recebermos um jogador deste nível", concluiu.

O Amiens ocupa a 14ª colocação na tabela da Liga francesa, com uma vitória e duas derrotas nas três primeiras rodadas.

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