PUBLICIDADE
Topo

Futebol

Time de Carille gastou R$ 75 mi em reforços. E isso é pouco no "Sauditão"

Divulgação/Al-Wehda
Imagem: Divulgação/Al-Wehda

Brunno Carvalho*

Do UOL, em São Paulo

30/08/2018 04h00

Fábio Carille dá início nesta quinta-feira (29) ao projeto que o fez deixar o Corinthians rumo à Arábia Saudita. Depois de balançar o futebol brasileiro e gastar 15,5 milhões de euros (R$ 74,8 milhões em reforços), o Al Wehda, clube comandado por ele, estreou no Campeonato Saudita com empate por 0 a 0 contra o Al Hazm. E a tendência é de que a primeira temporada não seja fácil para o treinador brasileiro.

"Wehda é um clube tradicional na Arábia Saudita, mas não tem tido muito destaque atualmente em relação a títulos. O último título deles foi há mais de 50 anos. Mas a expectativa em torno deles é alta, já que contrataram muitos jogadores", explica o jornalista saudita Waheed Rizk Al-Masri.

Para iniciar seu projeto na Arábia Saudita, Carille foi às compras e escolheu o Brasil como principal alvo. Daqui saíram Otero (Atlético-MG), Marcos Guilherme (Atlético-PR), Anselmo (Internacional) e Renato Chaves (Fluminense). O time do ex-técnico do Corinthians ainda contratou o atacante Fernandão (Fenerbahçe), o meia turco Emre Colak (Deportivo La Coruña) e o goleiro egípcio Mohamed Awad (Ismaily).

"É difícil falar de favoritismo sem antes começar a competição. Mas todo mundo está focado para fazer um grande campeonato", afirmou Marcos Guilherme.

As cifras gastas pelo Al Wehda, apesar de alta para os padrões brasileiros, ficam longe do topo saudita. Os favoritos ao título Al-Ahli e Al-Nasr gastaram valores consideravelmente maiores. O primeiro desembolsou 24,8 milhões de euros (R$ 119,3 milhões) em reforços, com destaque para o volante Souza, ex-São Paulo e que estava no Fenerbahçe. O brasileiro custou 12 milhões de euros (R$ 57,7 milhões) ao cofre do clube.

Fábio Carille e Marcos Guilherme, durante treino do Al-Wehda - Divulgação/Al-Wehda - Divulgação/Al-Wehda
Fábio Carille e Marcos Guilherme, durante treino do Al-Wehda
Imagem: Divulgação/Al-Wehda

O Al Nasr, terceiro colocado na última temporada, foi o clube saudita que mais gastou na janela. Entre os 46,5 milhões de euros (R$ 223,7) desembolsados em reforços, os destaques foram o atacante Ahmed Musa, do Leicester, o meia Giuliano, que estava no Fenerbahçe, e o volante Petros, ex-São Paulo.

"Todas as equipes estão se reforçando bastante pela mudança do regulamento da competição. Creio que no Brasil muita gente tem a ideia de que a Arábia Saudita não tem futebol, que o pessoal só vai pela parte financeira, mas estamos vendo que não é bem por esse lado. Tenho certeza que a temporada será de um nível muito bom", continuou Marcos Guilherme.

O ponto fora da curva é justamente o atual campeão saudita. O Al-Hilal desembolsou apenas 8 milhões de euros (R$ 28,8 milhões) para contratar o atacante Gomis, que estava no Galatasaray e 3 milhões de euros (R$ 14,4 milhões) pelo empréstimo do peruano André Carrillo, que jogou a Copa do Mundo de 2018. Ele chegou por empréstimo do Benfica com opção de compra de 20 milhões de euros.

"A expectativa do Al-Wehda para esta temporada é ficar no meio da tabela. Al-Hilal, Al-Nasr, Al-Ittihad e Al-Ahli têm jogadores melhores e estão mais acostumados a brigar por títulos", analisou o jornalista Samindra Kunti.

Novo regulamento incentivou reforços e limitou salário de locais

O excesso de estrangeiros faz parte de uma política de Turki bin Abdulmohsen Al-Sheikh, presidente da Autoridade Esportiva Geral e do Comitê Olímpico da Arábia Saudita. Ele quitou as dívidas dos clubes e alterou o regulamento para permitir que sete jogadores gringos estejam em campo ao mesmo tempo, além de um no banco de reservas.

Na visão do jornalista saudita Waheed Rizk Al-Masri, a medida terá impacto direto nos jogadores locais. Os salários pagos a eles têm diminuído constantemente e um teto salarial foi introduzido.

"Os clubes gostaram da mudança porque terão mais opções. Com o teto salarial, os jogadores locais não irão mais chantagear os times pedindo mais dinheiro. Quando você tem um número limitado de atletas locais de alta qualidade em algumas posições, eles tendem a pedir grandes salários".

Confira as contratações estrangeiras do time de Fábio Carille:

Otero (Atlético-MG) - 5 milhões de euros
Marcos Guilherme (Atlético-PR) - 4 milhões de euros
Anselmo (Internacional) - 3 milhões de euros
Fernandão (Fenerbahçe) - 2,55 milhões de euros
Emre Colak (Deportivo La Coruña) - 1 milhão de euro
Renato Chaves - sem custo
Mohamed Awad (Ismaily) - empréstimo

Confira as 10 maiores contratações da janela na Arábia Saudita:

1 - Ahmed Musa - do Leicester para Al-Nasr - 16,5 milhões de euros
2 - Souza - do Fenerbahçe para Al-Nasr - 12 milhões de euros
3 - Giuliano - do Fenerbahçe para Al-Ahli - 10,5 milhões de euros
4 - Djaniny - do Santos Laguna para Al-Ahli - 10,2 milhões de euros
5 - Nordin Amrabat - do Watford para Al-Nasr - 8,5 milhões de euros
6 - Romarinho - do Al Jazira para Al-Ittihad - 7 milhões de euros
7 - Abderazak Hamdallah - do Al Rayyan para Al-Nasr - 6 milhões de euros
8 - Gomis - do Galatasaray para Al-Hilal - 6 milhões de euros
9 - Otero - do Atlético-MG para Al-Wehda - 5 milhões de euros (empréstimo)
10 - Petros - do São Paulo para Al-Nasr - 5 milhões de euros

*Colaborou Ana Carolina Silva

Futebol