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Com direito a música, Lucas repete noite histórica de Kaká no Old Trafford

AP Photo/Dave Thompson
Imagem: AP Photo/Dave Thompson

Caio Carrieri

Colaboração para o UOL, em Manchester (ING)

28/08/2018 04h00

“Só existe um Lucas Moura!”.

Em êxtase ao ver o brasileiro calar o Old Trafford, a torcida do Tottenham dedicou uma música especial para comemorar a atuação contundente do atacante, com dois belos gols, arrancadas e uma noite inesquecível na goleada por 3 a 0 sobre o Manchester United, na última segunda-feira (27) – a primeira vitória do Tottenham de Mauricio Pochettino desde 2014 na casa dos Red Devils, de onde haviam saído derrotados nos quatro jogos anteriores.

O United dominou a etapa inicial, mas depois do intervalo só deu Spurs. Harry Kane abriu o placar com cabeceio em escanteio, e Lucas assumiu o show dali para frente. Primeiro, completou cruzamento rasteiro de Eriksen. Depois, fechou a conta ao deixar Smalling no chão e chutar cruzado, sem chance para De Gea.

"Uma atuação como essa, dentro do Old Trafford, é para ficar marcada em minha memória e carreira para sempre. Estou muito feliz, as coisas estão acontecendo com muito trabalho. Agradeço a Deus e aos meus companheiros. É um grande momento", disse o protagonista da noite.

Guardadas as devidas proporções, a exibição de Lucas lembrou uma noite histórica em Manchester de outro ex-são-paulino: Kaká. Em 2007, ano em que foi eleito o melhor do mundo, o meia também marcou duas vezes pelo Milan. Em um dos lances, deixou três adversários para trás, com direito a chapéu em Heinze. Os gols do astro na derrota por 3 a 2, pelo jogo de ida da semifinal da Liga dos Campeões, foram fundamentais para os italianos conseguirem avançar à decisão na partida de volta, em Milão, onde Kaká voltou a balançar a rede – o Milan foi campeão europeu ao bater o Liverpool na final.

Lucas ainda está no início da segunda temporada pelo Tottenham. Contratado em janeiro do Paris Saint-Germain por 25 milhões de euros (cerca de R$ 100 milhões à época), o jogador de 26 anos teve os primeiros seis meses como adaptação, na maioria das vezes saindo do banco de reservas.

Ao participar de toda a preparação para a campanha de 2018-19 desde o início, ele ganhou mais liberdade de Pochettino para atacar, sem tanta necessidade de marcar os rivais até o campo de defesa, e também aproveitou a ausência de Son, coreano que disputa os Jogos Asiáticos, para emplacar os três primeiros jogos como titular, com três gols.

"Agora é fácil dizer que a evolução dele foi fantástica, mas é um exemplo da dificuldade que existe para ter impacto imediato ao chegar no meio da temporada. Por isso também, às vezes, fica difícil explicar ao torcedor que precisamos de paciência para conseguir tirar o melhor do nosso jogador", declarou o treinador argentino. "Ele vem conseguindo mostrar toda a qualidade que tem e nos dá mais opções de jogo, já que encontramos uma posição diferente do que ele já atuou no PSG ou pelo Brasil".

Kaká na semifinal da Liga dos Campeões de 2007 - Alex Livesey/Getty Images - Alex Livesey/Getty Images
Imagem: Alex Livesey/Getty Images
Exaltado pelos londrinos que assistiram a Lucas fazer a viagem de 330 km desde a capital valer a pena, ele foi eleito o melhor em campo e ainda posou para fotos até com torcedores do United na beira do campo.

“(Lucas) Vai receber muitos elogios merecidos agora, mas eu gostaria de agradecer aos nossos scouts que me aconselharam a contratá-lo, todos no clube têm de fazer parte disso”, afirmou Pochettino.

Lucas já poderia ter desembarcado no futebol inglês há muito mais tempo – e justamente em Old Trafford. O Manchester United ficou muito próximo de contratá-lo em 2012. As negociações estavam bem encaminhadas até que Leonardo, então dirigente do PSG, ligou para a revelação do São Paulo e o convenceu a mudar a rota, com destino à França.

Seis anos depois, Lucas fez do Old Trafford a sua casa.

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