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Estilo "paizão" de Felipão encontra no Palmeiras cenário ideal para brilhar

Recuperação de Dudu é um dos trunfos do reinício de Felipão no Palmeiras - Cesar Greco/Agência Palmeiras
Recuperação de Dudu é um dos trunfos do reinício de Felipão no Palmeiras Imagem: Cesar Greco/Agência Palmeiras

Beatriz Cesarini e Leandro Miranda

Do UOL, em São Paulo

28/08/2018 04h00

É fácil perceber que o Palmeiras mudou desde a chegada de Luiz Felipe Scolari. Além dos oito jogos sem perder nem sofrer gols sob a nova comissão técnica, da relação calorosa com a torcida e dos ajustes táticos na equipe, o próprio ambiente entre os jogadores parece mais leve e confiante. E o tão comentado estilo "paizão" do treinador de 69 anos, longe de ser apenas um clichê repetido pelos atletas, tem uma participação importante nessa transformação.

Não faltam elogios ao método Scolari de gerir o elenco. Dos mais experientes, como Edu Dracena, até jovens como Artur e Mayke, vários jogadores já aprovaram o jeito de ser do técnico - brincalhão no dia a dia, chegado a dar conselhos e duro na hora da cobrança. Em oito jogos, ele rodou bastante o time titular e conquistou a confiança do elenco. Os resultados positivos só aumentam o clima de "lua de mel". Mas nada disso seria possível se o treinador não encontrasse no Palmeiras um ambiente ideal para que esse estilo funcionasse, tanto por sua identificação histórica com o clube quanto pelo perfil dos jogadores.

"No caso do Felipão, o perfil paternalista encontrou no Palmeiras uma demanda muito receptiva para esse tipo de liderança, para esse tipo de administração de time que o Felipão exerce", disse ao UOL Esporte o doutor João Ricardo Cozac, presidente da Associação Paulista da Psicologia do Esporte. "Existe uma identificação com a instituição Palmeiras por um passado que o time tem com o Felipão. Já é a terceira passagem. Essa identidade é importante, tende a facilitar o elo entre treinador e clube. Somado a isso, claro, um conjunto de características de perfil psicológico da equipe que tendem a ser receptivas a esse tipo de liderança".

A visão do especialista condiz com a sensação passada por quem convive diariamente com o treinador. Jogadores como Diogo Barbosa afirmaram que o clima já era positivo com o antecessor Roger Machado, mas que Felipão, por já ter uma história no Palmeiras, conseguiu implantar suas ideias com mais facilidade e rapidez.

"Possivelmente, o Felipão em alguma outra equipe que não tivesse esse panorama, das necessidades dos atletas, talvez não tivesse o mesmo sucesso. Bem como um outro treinador poderia não exercer uma influência positiva como se espera e se constata com Felipão", avaliou Cozac. "Muito possivelmente, o perfil da seleção dos 7 a 1 não era um perfil cujo formato de liderança paternalista era o mais indicado para aquele momento. Poderia ser uma seleção que exigisse uma liderança mais ativa, mais contundente, talvez, e menos paternal. Isso vai diante da somatória dos perfis de cada atleta".

Um efeito direto do modo de gerir o grupo tem sido a recuperação de jogadores que não vinham bem, um dos pontos positivos desse início de trabalho de Felipão. Os casos mais emblemáticos são os de Dudu, que voltou a ter atuações decisivas e ser aclamado pela torcida, e Deyverson, que chegou a ter sua saída no intervalo de um jogo comemorada como um gol no Allianz Parque, mas hoje é aplaudido pelos palmeirenses.

"A confiança é a maior joia que um jogador pode ter para desempenhar o seu futebol. Há atletas que às vezes não estão bem técnica ou fisicamente, mas estão autoconfiantes e seguros de si, e conseguem superar a ausência de preparação ideal. O caso do Deyverson pode até ser assim, ele começou a sentir uma força de grupo, de equipe, mais efetiva. Em relação ao Dudu, o Felipão sabe conversar com os jogadores. Ele tem muitos recursos nesse contato. Com toda a experiência no futebol e contato com psicólogos do esporte, o Felipão se tornou mais sensível a alguns aspectos individuais dos atletas", disse o psicólogo.

A diretoria do Palmeiras tomou a decisão de trocar o comando técnico por julgar que o time precisava de outra postura para deixar de oscilar tanto na temporada e mesmo durante os jogos. Pelo menos neste início, o impacto de Felipão tem sido imediato. A missão agora, com a equipe viva em três competições, é continuar fazendo o bom ambiente andar lado a lado com os bons resultados.

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