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Candidato derrotado no Corinthians exerce influência em 2º mandato seguido

Paulo Garcia com o deputado Antônio Goulart, presidente do Conselho - Divulgação/Paulo Garcia
Paulo Garcia com o deputado Antônio Goulart, presidente do Conselho Imagem: Divulgação/Paulo Garcia

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

28/08/2018 04h00

Não se constituiu ameaça à gestão de Andrés Sanchez, tampouco comprovou possível fraude eleitoral. Mesmo assim, a decisão de que a empresa organizadora das eleições do Corinthians pagará multa de seis salários mínimos foi celebrada por Paulo Garcia, o dono da empresa Kalunga, com os aliados de seu grupo político. O episódio, na avaliação geral do segundo colocado do pleito corintiano, reforçou sua condição de importância no cenário atual do clube.

Em pouco mais de seis meses de mandato, Andrés tem as rédeas do Corinthians, com foco maior no departamento de futebol, e com a presença de Luís Paulo Rosenberg como figura protagonista em diversos setores: marketing, estádio, financeiro e comunicação. À parte disso, Sanchez tem de compor politicamente com o candidato que derrotou.

A permanência de Alessandro Nunes como gerente de futebol é apontada como um exemplo de como Andrés tem evitado atritos com o segundo maior grupo representante do Conselho. Depois de lideranças de sua chapa pedirem a cabeça do ex-lateral na administração passada, Andrés o manteve no cargo. Candidato a vice na chapa de Paulo Garcia, o ex-diretor de futebol Flávio Adauto foi um dos defensores do trabalho de Alessandro nos últimos meses.

Já nas divisões de base, o mesmo cenário. O comando é compartilhado entre Jacinto Ribeiro, o Jaça, que é do grupo de Andrés, e mais dois membros que não são da Renovação & Transparência. Carlos Aurichio, mais conhecido como Nenê do Posto, pertence ao grupo de Paulo Garcia. E Nei Nujud, o principal diretor, foi indicação de Roberto de Andrade, que rachou com Sanchez no último ano de gestão e se aproximou de Garcia (entenda mais abaixo).

No prédio administrativo do Parque São Jorge, a influência de Paulo Garcia também é representada pela presença de mais um nome de confiança. Antônio Rachid, secretário geral indicado por Paulo para a gestão Roberto de Andrade, foi mantido. Ele é conhecido no clube há anos por ser espécie de braço direito de Garcia na política corintiana.

Ainda entre os pontos que fazem o candidato derrotado celebrar influência no Corinthians está o Conselho Deliberativo. A escolha do deputado Antônio Goulart para presidir o órgão foi toda do grupo de Paulo Garcia, que assim entende ter margem de manobra em temas sensíveis no Parque São Jorge. Ainda no órgão, vale lembrar, está o primeiro secretário Denis Piovesan, que é filho de Emerson Piovesan, ex-diretor financeiro e candidato a vice de Garcia em fevereiro.

Nas últimas semanas, conselheiros do clube iniciaram uma discussão sobre possível mudança em regra que veta a participação de membros do órgão em negócios com o Corinthians. A queda desse artigo seria favorável, entre outros, a Fernando Garcia, irmão de Paulo que atua como empresário em inúmeras negociações do clube nos últimos 10 anos. Conselheiro vitalício, ele se afastou do Conselho - mas não renunciou - após pressão.

Na administração de Roberto de Andrade, o apoio de Paulo Garcia foi fundamental para afastar a hipótese de impeachment colocada em discussão. Nas semanas seguintes, departamentos como marketing, futebol, base, financeiro e secretaria geral passaram a ter representantes de Paulo à frente. Com influência crescente, ele é uma das lideranças que despontam para a sucessão de Sanchez em 2021.

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