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Dívida de R$ 44 mi em seis meses já faz Santos temer por grana de Rodrygo

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Relatório do Conselho questiona diversos negócios da gestão de José Carlos Peres

Samir Carvalho

Do UOL, em Santos (SP)

27/08/2018 16h43

O Santos fechou os primeiros seis meses da gestão de José Carlos Peres com mais R$ 44,3 milhões em dívidas. O montante foi divulgado no balancete do Conselho Fiscal, entregue no último dia 22 de agosto, obtido pelo UOL Esporte. A previsão orçamentária do clube era encerrar junho com R$ 30,3 milhões de lucro.

A diferença de R$ 74,6 milhões já faz o clube temer pelo dinheiro arrecadado com a venda do atacante Rodrygo. "A receita com a venda de nosso principal jogador já está totalmente comprometida para cobrir despesas recorrentes", diz o parecer.

O valor divulgado ainda não contabiliza a negociação de Rodrygo com o Real Madrid, da Espanha, concluída em 14 de junho por 45 milhões de euros (R$ 214,8 milhões), mas com o primeiro pagamento, de 20 milhões de euros (R$ 95,4 milhões), somente em 10 de julho. A outra parcela, de 25 milhões de euros (R$ 119,3 milhões), só ocorrerá em 10 de julho de 2019, em sua apresentação no clube espanhol.

A justificativa apresentada pelo clube é que a esperança era arrecadar em torno de R$ 30 milhões com venda de jogadores. Além disso, houve um gasto maior com departamento de futebol e despesas administrativas, em torno de R$ 28 milhões.

Segundo o relatório, em apenas um semestre o endividamento aumentou em 15,1%, ou R$ 23 milhões, quando o valor limite estatutário é de 10%, ou seja, R$ 15,4 milhões.

A maior preocupação da cúpula santista são, principalmente, as dívidas a serem pagas já neste ano.

"O Santos tem para pagar até dezembro R$ 119 milhões [de dívidas]. É algo absurdo. É o passivo a curto prazo, aquilo que temos que pagar agora. Estamos fazendo algumas negociações para pagar de 30% a 40%, o máximo possível sem perder o dinheiro para pagar salários e outras despesas. O Santos tem uma máquina pesada, não podemos fazer mais compras", disse o presidente José Carlos Peres, em entrevista ao UOL Esporte.

Aumento de funcionários, amistosos de graça e Doyen

Entre outras falhas apontadas pelo Conselho Fiscal, estão os contratos administrativos. O órgão diz que foram feitos 233, ao todo, mas que 53 ainda não foram repassados para serem conferidos sob alegação de que estão em “processo de celebração entre as partes”. De acordo com o CF, um deles, informado como cancelado, gerou ao clube uma ação trabalhista pleiteando em torno de R$ 700 mil.

O Conselho aponta que, apesar da indicação da necessidade de um congelamento de contratações, houve um aumento de 12,9% do número de funcionários e 15,1% no valor total da folha de pagamentos. Em três meses, mais 52 novos colaboradores contratados.

Entre outros questionamentos do relatório estão o fato de que não há registros de que o Santos tenha recebido nenhuma contrapartida financeira pelos amistosos realizados no México, realizados durante a paralisação para a Copa do Mundo, diante de Monterrey e Querétaro.

Há, também, uma questão envolvendo o acordo para o pagamento da dívida com a Doyen com um possível pagamento indevido de 2,7 milhões de euros (R$ 12,8 milhões) ao escritório de advocacia, Bonassa Bucker, contratado para o caso. O Conselho pede por um parecer a respeito do valor e, caso se confirme o levantamento, seja feita a devolução ou abatimento nas próximas parcelas da dívida.

O acordo feito para pagamento com a Doyen Sports, responsável pela negociação do atacante Leandro Damião, costurado em 2017, é de 20,2 milhões de euros (R$ 96,4 milhões), sendo uma entrada de 5,2 milhões de euros (R$ 24,8 milhões) e três parcelas de 5 milhões de euros (R$ 23,8 milhões), em 2017, 2018 e 2019.

O CF diz que as recomendações dadas no primeiro balanço do ano foram praticamente ignoradas. O parecer será apresentado na próxima reunião do Conselho Deliberativo, na quinta-feira (30), na Vila Belmiro.

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