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À la Guardiola, Tuchel impressiona brasileiros do PSG com treinos e dieta

Lisi Niesner/Reuters
Imagem: Lisi Niesner/Reuters

João Henrique Marques

Colaboração para o UOL, em Paris

24/08/2018 04h00

Ao ser informado sobre a escolha de Tomas Tuchel como treinador do Paris Saint-Germain, Neymar ouviu da diretoria do clube comparações com Josep Guardiola. Explicações a Daniel Alves, Thiago Silva e Marquinhos, também foram avaliadas como necessárias por conta do desconhecimento sobre o trabalho do eleito para o cargo de técnico – Tuchel jamais trabalhou com brasileiros na carreira nas passagens por Mainz e Borussia Dortmund, da Alemanha. Agora, a convivência no primeiro mês de trabalho trouxe a impressão de que de fato a semelhança com o treinador espanhol está dentro e fora de campo.

De acordo com apurações do UOL Esporte com o entorno dos brasileiros do PSG, Tuchel agrada taticamente por uma obsessão em atacar. E surpreendeu o grupo com treinamentos pesados e o zelo pelo cuidado físico, com dieta rigorosa em que o consumo de carne precisou ser reduzido a quase zero. Todos os aspectos marcantes do trabalho de Guardiola.

O desafio de Tuchel é o de agradar ao grupo de brasileiros que era mal relacionado com o antecessor Unai Emery. Os primeiros passos são avaliados como positivo, com destaque para um aumento em dias de férias, um comportamento festivo em vestiário e um grande repertório de treinamentos.

"Estou gostando bastante (de trabalhar com brasileiros), porque os brasileiros são um grupo com muita alegria de viver, podemos ver a cada dia, muita música, muita conversa, e eu gosto muito disso. Mas por outro lado, o trabalho é muito profissional também, isso é muito importante para nós. Por um lado, eles sorriem, tem música, boa mentalidade, e por outro lado tem trabalho duro, para a equipe, trabalham junto. Isso é top neste momento", disse Tu

“Nós estávamos com treinamentos viciados nas últimas temporadas e precisávamos reciclar de uma maneira em geral. O Tuchel chegou com uma mentalidade vencedora muito forte e está nos passando confiança. Pouco a pouco estaremos adaptados. Está sendo um começo bacana”, comentou recentemente Thiago Silva, um dos claros desafetos de Unai Emery dentro do grupo do PSG.

Tuchel é centralizador e preocupado com detalhes mínimos. No centro de treinamento, pediu para que os muros fossem pintados com as cores do clube e modificou o local da academia por considerar o espaço anterior pequeno. Novos aparelhos de musculação também foram exigidos.

Com ele, as atividades passaram a ser quase sempre de manhã e treinamentos em Saint-Germain vão acontecer até em dias de jogos no Parque dos Príncipes, em uma prática resumida a posicionamento em campo e muita conversa, mas serve para evitar o descuido do elenco com a dieta em casa.

O cardápio dos jogadores foi elaborado seguindo nutricionistas da confiança de Tuchel. O alemão é vegetariano e investe na tese da alimentação ser base importante do rendimento em campo. Um rigor é exigido e Neymar, por exemplo, já até brincou com o sacrifício em post ao lado de Bruna Marquezine no final de semana. A foto no Instagram era da namorada comendo uma pizza de Nutella ao seu lado : “Ela não me ajuda, mas eu sigo firme na minha dieta”, destacou.

O relato dos brasileiros é de exaustão após os treinamentos. E isso teve avaliação ruim pelo fato do time ter sofrido fisicamente já no primeiro tempo contra o Guingamp – PSG foi ao intervalo perdendo a partida por 1 a 0, mas virou o jogo para 3 a 1 no segundo tempo muito graças à entrada de Mbappé no lugar de Weah -. A alegação de Tuchel é de que a longo prazo o elenco vai evoluir fisicamente.

No geral, críticas negativas ao trabalho do alemão são poucas. No clube, o cenário de empolgação é o mesmo. Tuchel permitiu acesso do departamento de comunicação ao vestiário para explorar momentos festivos (ver vídeo acima) e já consegue se comunicar em francês. Assim que negociava com o clube com a garantia de contratação, em maio, o alemão foi morar na Bélgica para investir no domínio do idioma. O PSG ainda mantém ativa a figura de um tradutor para lhe ajudar especialmente nas entrevistas coletivas em que o inglês se faz presente em momentos de dificuldade de resposta.

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