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Acionistas e grupo dos EUA travam guerra por controle do Sevilla

Grupo de presidente José Castro (foto) acena com venda de ações para grupo misterioso dos EUA; já grupo de José María del Nildo é um dos que se opõem - Sevilla FC/Divulgação
Grupo de presidente José Castro (foto) acena com venda de ações para grupo misterioso dos EUA; já grupo de José María del Nildo é um dos que se opõem Imagem: Sevilla FC/Divulgação

Do UOL, em São Paulo

31/07/2018 13h48

Às vésperas do início da temporada 2018/2019, o Sevilla ainda não sabe quem serão seus novos donos a curto e médio prazos. De acordo com o jornal espanhol El Confidencial, “os rumores sobre a venda de seu capital social às mãos de um grupo investidores com sede nos Estados Unidos já são um clamor”. De um lado, está o Sevillistas Unidos 2020 SL, o tal grupo dos EUA; do outro, as correntes de acionistas que hoje comandam o grupo e que estão divididas.

Ao longo da temporada 2017/2018, os Sevillistas de Nervión (grupo ao qual pertence o presidente da equipe, José Castro) acusaram José María del Nildo (maior acionista individual do clube) de tentar comprar ações de outros proprietários menores do clube, de forma a assumir o controle majoritário. Agora, é o presidente José Castro e seu grupo que estariam tentando comprar ações minoritárias acima de valor de mercado para ampliar seu controle sobre a diretoria. Cada ação tem sido vendida por até 1,7 mil euros, embora seu preço seja de 60 euros.

Os Sevillistas Unidos 2020 SL entram inicialmente como uma terceira parte interessada, embora os nomes envolvidos na iniciativa não sejam citados. O grupo, com sede no estado norte-americano do Delaware (considerado um paraíso fiscal), sondou não apenas os acionistas minoritários, como também os maiores detentores de ações. Os preços oferecidos, segundo fontes citadas pelo diário espanhol, também são “quase fora de mercado” – cerca de 3,5 mil euros.

Segundo o El Confidencial, o Sevillistas Unidos 2020 SL representa, na verdade, outro grupo, que se chamava Triple Siete Adquisiciones SL e que mudou de nome no Registro Mercantil em junho de 2018. O grupo dos EUA já teria recebido dos Sevillistas de Nervión um sinal verde para a venda de sua parcela. No entanto, recebeu resposta negativa de José María del Nildo, que se opõe “à venda do clube a mãos estranhas”.

Há, ainda, um quarto grupo nessa guerra: os Accionistas Unidos, que reúnem pequenos acionistas do clube e que também são contrários à venda do Sevilla a investidores estrangeiros. Em posicionamentos públicos, o grupo pede que José Castro “não dê as costas” ao pedido para que não se venda a equipe. Liderado por Eduardo Arenas, os Accionistas Unidos fecharam em julho um acordo com um grupo que representa as torcidas do clube (Federación de Peñas del Sevilla), de forma a “reivindicar e propor ao clube a modificação de seus estatutos, (para) que inclua vários artigos que evitem a venda de ações a mãos estrangeiras ou estranhas e que blinde o Sevilla”.

Informações oferecidas pelos Accionistas Unidos dizem que cerca de 6 mil ações (de um total de 103.467 ações) foram vendidas nos últimos meses a grandes acionistas por um valor de cerca de 10 milhões de euros. Hoje, os Sevillistas de Nervión controlam 36% do capital social do clube, contra 33% de José María del Nildo, 5% dos Accionistas Unidos e 1,5% da associação de torcedores. Dos Accionistas Unidos, um grupo chamado Tercera Vía conta ainda com 0,5% das ações e encabeça os principais pedidos de investigações internas. O levantamento não deixa claro a quem pertenceriam as demais ações.

Publicamente, porém, os Sevillistas de Nervión não falam sobre a venda de ações a estrangeiros. “A mim, concretamente, não (foram feitas ofertas), mas não posso dizer nada sobre outros”, disse Roberto Alés, ex-presidente do clube de integrante do grupo majoritário – que, no entanto, reconhece que outros grupos podem estar promovendo as negociações. “Desconheço o nome dessa gente, mas posso concluir que seja alguém muito forte por trás de tudo.”

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